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Padre Alex: O cuidado com a casa comum: em que pé anda a nossa consciência ambiental

12 de agosto de 2026

Por: Pe. Alex Cristiano dos Santos

Começo, este pequeno artigo, apresentando-me: meu nome é Pe. Alex Cristiano dos Santos. Tenho 47 anos de idade. Nasci em 31 de agosto de 1978 na Maternidade Odete Valares, no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Pará de Minas. Sou filho de Adair Cecílio dos Santos (motorista de ônibus e caminhão) e Alexandrina Maria dos Santos (que sempre se dedicou aos cuidados com a família). Sou paraminense de nascimento e de coração. Nasci morando no bairro Nossa Senhora das Graças. Ainda bebê mudamos para o bairro Santos Dumont e, ainda na infância, para a Rua Silvino Olímpio, bairro São Geraldo, próxima a FAPAM (que nós acostumamos chamar de Asilo. Os que são mais velhos entenderão). Ali moramos por cerca de 15 anos, até mudarmos para a Rua Lucília Marinho, no bairro redentor. Atualmente, como padre, moro na cidade de Pitangui.

Minha mãe e meu pai viveram juntos até 2022 no bairro Redentor, até que ele veio falecer. Desde então, minha mãe está morando com a minha tia, no bairro Nossa Senhora de Fátima, na Rua Piumhi. Toda semana me desloco de Pitangui para Pará de Minas para ver minha mãe, minha tia e meu primo (eles residem juntos) e para fazer o que for necessário para o cuidado com elas (já são duas senhoras idosas, com 75 anos e 78 anos, respectivamente, mãe e tia). E o que me levou a escrever este artigo foi a cena que vi hoje, quando visitava minha mãe e minha tia.

Da janela da cozinha da casa da minha tia consigo avistar a serra que fica nos fundos dos bairros São José/Nossa Senhora de Fátima. Uma imagem belíssima, que verdadeiramente enche meus olhos. Todavia, quando o fiz hoje vi uma imagem que me deixou muito triste: uma grande clareira na serra, com máquinas trabalhando. Para começarmos nossa conversa, deixemos algumas coisas bem claras: 1) não sou especialista no assunto “preservação ambiental”. Apenas mais uma pessoa curiosa e preocupada; 2) não conheço a legislação ambiental, nem no nível federal, nem no nível estadual, nem no nível municipal; 3) não conheço os procedimentos que devem ser realizados para a execução de uma obra deste porte e desta natureza; 4) não sei se os trabalhos que avistei estão regulamentados, obedecendo as normativas ambientais vigentes (e, acredito eu, a execução dos trabalhos devem até estar em regularidade, visto que se trata de uma obra, ao que parece, grande, e se encontra em um lugar de grande visibilidade). O que proponha aqui é uma reflexão sobre o “como está a nossa consciência ambiental” que surgiu diante da tristeza suscitada por ver aquela cena.

Temos uma legislação ambiental: isto é fato. Podemos questionar sobre a sua capacidade de produzir aquilo que se espera dela, mas não podemos questionar a sua existência. Como disse acima, não sei se a obra esteja regularizada (e acredito que esteja) nem se está sendo cumprido o que determina a legislação ambiental vigente. Da mesma maneira de que é fato que possuímos um código para a preservação ambiental, também é ponto pacífico, na comunidade científica, que as legislações ambientais que possuímos (não apenas no Brasil, mas mundo afora) são insuficientes para o que precisamos para a preservação da casa comum frente aos danos ambientes sofridos por nosso habitat ao longo de milênios.

Sofremos cada vez mais com eventos climáticos intensos: as chuvas no Rio grande do Sul; o terremoto na Venezuela, as queimadas na Europa, todos estes acontecidos ou acontecendo nos últimos tempos. E se continuássemos, poderíamos nos lembrar, em um tempo relativamente curto, mais de uma centena de eventos semelhantes a estes. Todos estes eventos não são simplesmente “causa” (de estragos, de sofrimentos, de mortes), mas (e principalmente) consequência dos “desaforos” que fizemos com a casa comum ao longo de muitos anos. Vivemos hoje as consequências do que fizeram nossos pais, avôs, bisavôs etc.. E o que nós fomos fazer com isto? Não podemos retornar no tempo e conscientizá-los para que façam escolhas diferentes das que eles fizeram. Qual será, então, a nossa ação? Mudaremos a lógica de nossas escolhas e tentaremos deixar uma casa comum em situação melhor do que a que recebemos de nossos ascendentes? Ou deixaremos a casa comum, para nossos descendentes, em situação pior do que recebemos?

O empreendimento que despertou esta reflexão pode fazer (e provavelmente fará) bem para algumas pessoas. Quem sabe, até para um número considerável de pessoas. Mas quais serão as consequências para a casa comum? E para a coletividade? Algumas consequências da supressão de área verde, todos nós já sabemos: menor captação de gases que provocam efeitos devastadores para o planeta, como o efeito estufa, o el niño, o la niña, o aumento da temperatura dos oceanos, o derretimento das geleiras, o aumento da temperatura geral do planeta, fazendo com que regiões férteis se tornem desérticas. Poderíamos continuar apresentando muitas outras situações desastrosas que nos afetam e continuarão afetando muitas gerações depois de nós. Por isso, diante da cena que causou em mim tristeza, deixo alguns questionamentos para a nossa reflexão: o empreendimento que está sendo executado, era realmente necessário? Não poderia ser executado em outro lugar, sem causar tamanho dano ambiental? A sua execução, vai trazer ganho a coletividade, ou o ganho será apenas para alguns (bônus para poucos, ônus para muitos)? E o seu impacto para a casa comum? Vamos nos sentar e pensar juntos, enquanto ainda temos uma casa comum que consegue nos dar condições para fazê-lo. A casa comum é dom gratuito concedido por Deus. Temos a responsabilidade de conservá-la, deixando-o nas melhores condições possíveis para as gerações que nos sucederão.