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Juventude foi tema da noite de quinta-feira no XII Encontro Cultural Franciscano

13 de setembro de 2013

O Projeto Fazendo Arte, com a Orquestra de Violas, abriu a noite desta quinta feira [12/set] dentro as atividades do XII ENCONTRO CULTURAL FRANCISCANO, apresentando com maestria as seguintes peças: “A Chalana” de Mário Zan; “Anunciação” de Alceu Valença; “Ave Maria” de Gounod e “El Condor Pasa” de Daniel Alomía Robles.

 

Após a belíssima interpretação, compuseram a mesa: Ana Carolina Miranda [JUFRA – Juventude Franciscana]; Laísa Silva Campos [Secretária Executiva do Serviço Regional de Evangelização da Juventude, Regional Leste 2 da CNBB]; Márcio Zacarias e Washington Lúcio Gomes que na oportunidade representavam a Ação Católica [mais precisamente JAC]. Os trabalhos foram coordenados por Eduardo Rivelly.

Com o tema: “O SER JOVEM ONTEM E HOJE” e a JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE os convidados assim se posicionaram:

 

 

Ana Carolina [JUFRA]:

 

Fez um pequeno histórico para conhecimento da platéia, de como localizar a JUFRA dentro do Movimento Franciscano. Em seguida, externou a alegria em saber da preocupação da Igreja para com a evangelização da Juventude. Apresentou por fotos o Encontro Mundial da JUFRA que acontece concomitantemente à Jornada Mundial da Juventude, onde neste encontro aconteceu juntamente com as Pastorais Juvenis a “Tendas das Juventudes” onde em grupos menores os jovens se reuniam, durante a Jornada para debaterem assuntos das juventudes que ali se encontravam. Foi uma experiência única, destacou.

 

 

Laísa Silva Campos [PJ]:

 

 

Iniciou fazendo uma memória histórica afirmando que na década de 60 não havia essa mentalidade que hoje se tem para fazer um recorte na vida da pessoa onde se evidencia o estágio que se compreende como juventude. “A criança quando menstruava se tronava mulher adulta”, disse. Já nas décadas de 70/80 a juventude era vista como problema [drogas, gravidez, bebidas, brigas, etc…]. “Ah! Essa juventude!”, diziam. Nos anos 90 o jovem [não mais a juventude – o termo muda!] passa a ser o protagonista da mudança incutindo uma responsabilidade muito grande na pessoa, “des-responsabilizando” os demais pelas transformações. O grande desafio é o diálogo e a forma como o jovem é acolhido nos espaços de construção, pois constata-se uma grande dificuldade no entendimento e no acolhimento desta fase da vida. Ressaltou o potencial e a ousadia de Maria [N. Senhora], que jovem, encontra-se grávida e de Jesus, que com e na sua juventude anunciou e trabalhou pelo Reino. Parece que falta à juventude essa potencialidade e ousadia em assumir a sua missão.

 

 

Márcio Zacarias [Ação Católica]:

 

Falou da emoção de poder sentar e debater tal tema, pois o faz reviver sua época. Época esta que se difere da atual, pois pertence a uma experiência onde o desafio era a Evangelização e a Militância Cristã diante de um Regime Militar.

 

Existia uma organização de resistência e a Igreja era orientada pela Teologia da Libertação, mas sentia que na militância política havia pouca mística. Nesta época não se levava a Palavra, mas queríamos atuar na transformação e foi aí que apareceram os movimentos da Ação Católica [JAC, JEC, JIC, JOC e tantos outros] que eram orientados pela Doutrina Social da Igreja e com influencias do Marxismo. Ficamos como jovens divididos em ser Cristãos e aceitar as formas agressivas da ditadura.

 

Existiam jovens movidos pela transformação mais sem muita espiritualidade. Pode-se dizer que era uma juventude engajada, mas também vigiada. Com o insucesso do comunismo, o capitalismo se afirma e nos fez perder a utopia, por isso, considera a utopia franciscana atual.

 

É uma utopia de transformação a partir de uma mística/espiritualidade e aqui ressalta o desafio em conciliar a transformação, a espiritualidade e a participação. O próprio Cristo mostra isso: um jovem que vivendo ativamente em seu tempo, participou na transformação de sua história a partir de uma mística/espiritualidade. O que faz as revoluções não são partidos políticos, mas sim são mudanças de atitude no coração das pessoas. Esse foi Jesus. E foi esse Jesus que o jovem [São] Francisco apresentou ao mundo.

 

O grande desafio para a construção do SER jovem hoje é esta nova utopia que nos leve a superar essa crise a que estamos mergulhados. A Igreja Católica ainda não está aparelhada para um acolhimento de todos [aqui digo os pobres!]. A Igreja Católica está em crise, precisa haver uma mudança de postura. Uma delas o acentuado clericalismo. A Igreja não pode ser um supermercado ou um shopping da fé, precisamos repensar nossos valores.

 

O desafio é esse: uma espiritualidade aliada a uma visão crítica.

 

 

Washington Lúcio Gomes [Ação Católica]:

 

A juventude hoje em relação à juventude da Ação Católica era como uma marca, onde você não se oferecia para participar, mas era convidado. Naquele tempo a gente colocava a mão na massa, procurávamos levantar os problemas e apontar soluções, muito diferente de hoje com as palmas, teorias, louvores, orações milagrosas e depois que passa tudo volta como era antes, não se percebe comprometimento. Na Igreja hoje, me refiro nas missas, 90% dos padres falam mal [nas homilias], somos cristãos viciados em missas, nossa igreja está numa religiosidade totalmente externa, sem levar a uma transformação interior. A igreja precisa reformar o SER humano, pois este foi bem feito e a gente não consegue ser feliz sozinho. Reconhece que a presença dos frades em Divinópolis, e citou alguns frades, é muito valiosa, porque se ativeram a disseminar o Evangelho. Faz tempo que a Igreja não prega e não vive o Evangelho!

 

A Igreja tem que se repensar. Desde Medelín quando a Igreja fez a opção pelos pobres no papel, no texto, mas na prática os pobres não são acolhidos. Gente! Terno e gravata é inclusão! O pobre quer ser incluído! Não digo que iremos distribuir ternos e gravatas na Igreja, mas está na hora de parar de conversar demais e colocar a mão na massa. Hoje em dia, religião e juventude na hora do “pega pra capar” não “vira nada!”, ponderou.

 

A Igreja é feita de gente. Precisamos incluir o povo. A nossa geração é uma geração de mudança. Hoje a família não é mais referencia, por isso as instituições estão falidas, pois a maior instituição já faliu.

 

A grande virtude da Ação Católica era de testemunhar o Evangelho, a gente tinha vida social, a gente “dançava tanto que até N. Senhora duvidava” [risos], mas não deixávamos o Evangelho!

 

Eu acredito, eu tenho esperança no jovem, que fará a Igreja renascer e conduzir as pessoas a uma sociedade fraterna como propôs o jovem de Nazaré, concluiu.

Após a posição da mesa, muitos que acompanharam as falas dos convidados, apresentaram emocionados seus depoimentos e testemunhos, ressaltando e destacando outros vários pontos da juventude de sua época.

Houve intenso debate a partir da questão: “Como formar/construir o SER jovem hoje?” onde a platéia se posicionou junto aos convidados. Foi dado a sugestão de se organizar  um Fórum da Juventude em Divinópolis, em parceria com a Pastoral de Juventude e o Setor de Juventude de nossa Diocese, que estava timidamente representado nesta noite.

 

 

Por: Frei Laercio