Homilia de Dom Geovane na celebração de 50 anos da Pastoral Vocacional
Homilia proferida por Dom Geovane na Celebração dos 50 anos da Pastoral Vocacional em Divinópolis
“Uma vez chamados, para sempre amados”, Bendito seja o nosso Deus, pois ele nos chamou, nos escolheu e nos envia em missão. Amados irmãos e irmãs, hoje nos reunimos na Catedral do Divino Espírito Santo, igreja mãe de nossa amada Diocese e nos unimos a tantos irmãos e irmãs, que nos acompanham através da transmissão desta celebração eucarística na qual rendemos graças pelos 50 anos da Pastoral Vocacional, pelo testemunho de religiosos e religiosas em nossa diocese, e também agradecidos, porque nestes dias acolhemos as relíquias de São Vicente de Paulo, o apóstolo da caridade, testemunho vivo do seguimento a Jesus Cristo. Aqui nos reunimos irmãos e irmãs desejosos de acolher em nosso coração, a Palavra de Deus, poderosa, porque ela pode transformar a nossa vida e nós que anunciamos o Evangelho, ministros ordenados, devemos saber que estamos sempre aquém deste ministério tão grande e que nem sempre conseguimos expressar com palavras a riqueza que está no Evangelho de Jesus. São Mateus nos fala de Jesus, anunciando a todos um verdeiro Programa de Vida, as bem-aventuranças. Podemos contemplar Jesus sobre o monte e ali Jesus se assenta como verdadeiro mestre, que transmite aos seus discípulos um conhecimento, um ensinamento, que se fundamenta nos seus testemunhos, nos seus gestos de amor. Jesus sobre o monte nos faz recordar o grande patriarca Moisés, que também sobre o monte, recebeu a Lei Divina, os mandamentos para que o povo de Israel, permanecesse fiel à aliança. Jesus é o novo Moisés e dali ele ensina a todos, do alto do monte ele vê e contempla a todos. É assim a nossa vida meus irmãos, Deus nos vê, nos olha com misericórdia, nos abraça com seu olhar, por isso para Deus ninguém está perdido. Nós muitas vezes olhamos para nossos irmãos e irmãs e julgamos que este ou aquele está perdido, mas para Deus, ninguém está perdido, seu olhar abraça a todos, Ele nos abraça com misericórdia. Jesus sentou-se e chamou os discípulos e nos diz o Evangelho que os discípulos se aproximaram de Jesus, eis aqui uma orientação, para todos nós, ministros ordenados, vocacionados, religiosos e religiosas, famílias, jovens: aproximemo-nos de Jesus, cultivemos uma grande amizade com Ele, porque a cada um de nós Ele diz ‘não vos chamo servos, mas amigos’. A vida cristão se constrói na amizade com Jesus. Jesus anuncia um caminho de realizações e felicidade e podemos perceber claramente que nas bem-aventuranças, o horizonte de Jesus é bem diferente do horizonte do mundo. Porque Jesus nos diz assim: felizes os pobres, felizes os aflitos, felizes os famintos, felizes os que são perseguidos. Essas bem-aventuranças, meus irmãos e irmãs, se referem a situações diversas na nossa vida, bem-aventurados os pobres em espírito, eis aí a condição para seguir Jesus. São Paulo apóstolo como ouvimos hoje, na sua carta aos Coríntios, tinha a consciência clara de que havia sido chamado e escolhido porque era fraco. O nosso Deus é o Deus que escolhe os fracos, os pobres, essa é a vontade dele, ele escolhe os frágeis. E através da nossa fragilidade, ele nos ajuda para que cresçamos em santidade, tenhamos sede de justiça. Justiça é também santificação. Bendito seja Deus que escolhe os fracos, na fraqueza está a nossa força, porque assim nos gloriamos, não em nós mesmos, não nas nossas conquistas e méritos, mas naquele que nos chama por amor. Jesus nos convida a ter um estilo de vida simples. Que a pobreza não seja algo acessório na nossa vida, mas que sejamos homens e mulheres despojados, confiando unicamente no amor daquele que nos chamou. Recentemente o Papa Leão, na exortação apostólica Dilexi te, elenca os vários tipos de pobreza: espiritual, moral, econômica. Portanto, meus irmãos tenhamos coração de pobre, mas não podemos dar trégua para a pobreza, como diz o Papa em sua exortação apostólica, isso porque onde há fome devemos levar a partilha, alimentando os pobres e onde existe o desconhecimento do amor de Deus, onde há pobreza espiritual somos chamados a estar ali para anunciar o Evangelho. Quem deseja seguir Jesus Cristo deverá abraçar a vida como ela é, com seus desafios. Mas, uma coisa é certa: onde há aflição, Deus mesmo se faz presente para nos consolar. Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados. Dom Luciano, um grande bispo – existe até um processo de beatificação para reconhecer sua santidade – assim dizia: ‘quando rezamos nos aproximamos de Deus, mas quando sofremos é Deus quem se aproxima de nós’. Em toda aflição Deus se faz presente. Alegromo-nos é Ele quem nos consola. É o Deus que sabe também enxugar as lágrimas. Felizes os aflitos, felizes os que choram porque são humanos e serão consolados. Não há como seguir Jesus e não sofrer, porque existem duas bandeiras – a de Cristo e a do Mundo – quem estiver sob a bandeira de Cristo, que é a cruz, será sempre perseguido. A bandeira do mundo nos atrai, a bandeira do mundo é riqueza, enquanto a bandeira de Cristo é pobreza, a bandeira do mundo é uma vida tranquila, a bandeira de Cristo é aflição. Estejamos sempre ao redor de Cristo, à sua sombra! A bandeira de Cristo é a cruz, por isso, Ele mesmo diz: bem-aventurados os que sofrem perseguição. Santo Inácio de Loyola, grande santo da nossa Igreja, assim rezava ‘quero e dezejo senhor, imitar-vos e passar todas as injúrias, todas as humilhações, toda a pobreza, material e espiritual, se vossa Divina Majestade me quiser, para o Vosso Serviço’. Bem-aventurados os mansos, o mundo precisa acolher a mansidão do cordeiro pascal, pois vemos aqui e ali muitos sinais de violência. As pessoas se irritam facilmente, não nos deixemos levar pelo espírito do lobo voraz, que é o demônio. Nós ministros ordenados e todo o povo de Deus, sejamos homens e mulheres mansos, cheios de ternura. O mundo não precisa da voracidade do lobo, da raiva, mas da mansidão dos cordeiros. Bem-aventurados os que promovem a paz! Muitos governantes se esquecem dessa bem-aventurança! Não podemos nos acostumar com a injustiça social. Quem deseja seguir o Cristo deve deixar-se modelar pelo Espírito Santo. O senhor é minha luz, que quem eu terei medo, diante de quem eu tremerei. Sejamos mansos, misericordiosos e sedentos de Justiça e Paz!”