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20 de maio de 2024
Foto do artigo Homilia de Dom Geovane Luís na Celebração Eucarística em Ação de Graças pelo Reconhecimento da Venerabilidade de Padre Libério

Homilia de Dom Geovane Luís na Celebração Eucarística em Ação de Graças pelo Reconhecimento da Venerabilidade de Padre Libério

“Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14)

Introdução

Caríssimos irmãos(ãs) peregrinos, vocacionados, religiosos, ministros ordenados, chegou o dia solene de Pentecostes, no qual encerramos o tempo festivo da Páscoa. Nesta atmosfera de alegria agradecemos ao Senhor o dom do seu Espírito derramado sobre a vida simples e virtuosa do Venerável Servo de Deus, Pe. Libério Rodrigues Moreira.

No dia de Pentecostes os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar e receberam o Espírito Santo. Aquela casa, símbolo da Igreja nascente, foi envolvida pelo frescor do sopro divino e aquecida pelas línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Assim cumpriu-se a promessa de que o Senhor Jesus Cristo derramaria o seu Espírito sobre os seus discípulos.

Motivados pela fé suplicamos confiantes: Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai (Sl 103,30). Somos a terra onde Deus trabalha e a argila modelada pelo seu Espirito Santo. Deixemos que ele nos modele e nos conduza, só assim experimentaremos a alegria de sermos filhos(as) de Deus e percorreremos a estrada da santidade aberta para todos na hora da morte e ressurreição de Jesus, quando foi derramado o Espírito Santo sobre o mundo e a Igreja.

Santidade do Povo de Deus

O Espírito Santo derrama a santidade no povo de Deus. Ao longo da história da salvação, Deus libertou e salvou um povo. Deus nos atrai e nos salva a partir desta complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem entre nós. Por isso ninguém se salva sozinho (GE 6).

O Espírito de Jesus, agindo livremente, fecundou o mundo inteiro. Ele não conhece fronteiras. “O vento sopra aonde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito” (Jo 3,8-10). Por isso, até mesmo fora da Igreja Católica e em áreas muito diferentes, o Espírito Santo suscita sinais da sua presença. Não poderemos jamais domesticar o Espírito do Senhor Ressuscitado.

A Santidade é o rosto mais belo da Igreja

O mundo é a casa de Deus e nele refulge a sua santidade (Sl 92, 5). A santidade de Deus se manifesta, por excelência, na Igreja de Cristo que se ergue no mundo como “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (LG 4). Ainda hoje, são muitos os exemplos de santidade oferecidos a todos nós pela ação do Espírito Santo. Nesta multidão inumerável se insere o Venerável Servo de Deus, Pe. Libério. Deixemo-nos estimular pelos sinais de santidade que o Espirito Santo suscitou na vida humilde deste sacerdote que viveu entre nós e a todos beneficiou com seu testemunho de fidelidade ao Evangelho.

O Cura D’Ars mineiro

O Venerável Servo de Deus nasceu pobre e escolheu viver como os pobres. Sua origem foi simples e humilde. Desde a sua infância experimentou a pobreza. Proveniente de uma família profundamente cristã, nasceu aos 30 de junho de 1884, na periferia de Lagoa Santa numa casa de pau a pique. Ingressou-se no Seminário de Mariana aos 22 anos. Seminarista maduro, o mais pobre, mas modesto e devoto. Foi ordenado presbítero em 1916. Assumiu o pastoreio em diversas paróquias e por onde passou irradiou a luz do Evangelho. Seu único desejo era “ganhar almas para o bom Deus”. Pe. Libério não tinha tempo para si mesmo. Dele se disse que não conhecia a palavra ‘eu’. Exerceu sua missão sem se tornar refém da autoreferencialidade.

Temos próximo a nós um testemunho luminoso de vida cristã e um exemplo para os futuros sacerdotes. Como bem nos recordou o Papa Francisco, a santidade está ao pé da porta de nossas casas. A vida ordinária de um simples padre se transformou em uma existência extraordinária que trouxe abundantes frutos para a Igreja.

O mandato missionário que Jesus dirigiu aos discípulos – Como o Pai me enviou, também eu vos envio – tornou-se realidade na vida do Venerável Servo de Deus. Em todos os lugares por onde trabalhou (Pitangui; Pequi; São José da Varginha; Nova Serrana; Leandro Ferreira; Pará de Minas e Divinópolis), deixou um raio de luz, de bondade, de esplendor cristão que não se apagou nem mesmo depois da sua morte, pois todos o reconheciam como um homem enviado por Deus.

Exerceu o ministério sacerdotal com simplicidade, pureza e integridade. Pastor zeloso, preocupou-se em difundir a presença do Senhor na vida dos fiéis e atuou uma caridade incessante para com o próximo, especialmente para com os doentes e pobres com os quais se identificava no seu modo de ser e de viver. Amava todos, do mais pequeno ao maior, se mostrava sempre disponível para escutar todas as pessoas sem discriminação. A sua casa era sempre frequentada e as portas abertas a todos.

Evangelho Vivente

O Venerável Servo de Deus foi o evangelho vivente no meio do seu povo, um pastor com o cheiro das suas ovelhas. A palavra “caridade” sintetiza sua vida inteira. Para ele o sacerdócio foi um verdadeiro dom oferecido e partilhado. Doava-se inteiramente a todos os que dele se aproximavam. As esmolas que distribuía expressavam sua oferta quotidiana a Deus e ao próximo. Mas não tenhamos dúvidas, muito mais do que distribuir esmolas, Pe. Libério tornou-se esmola para os pobres, sofredores e desconsolados. Ao final de sua vida, residindo na vila vicentina em Divinópolis, pode dizer: “sou feliz de viver em meio aos pobres, próximo ao Ss. Sacramento e ao seu Sagrado Coração. Deus escutou o meu pedido. Desejo estar sempre junto aos pobres; quando eu morrer quero ser velado por eles”.  Sua morte se deu em meio aos pobres, em Divinópolis, aos 21 de dezembro de 1980.

Homem de fé

O Venerável Servo de Deus atingiu a maturidade da fé, pois não via outro modo de traduzi-la às pessoas senão através da oração e da caridade. Nele se cumpriu perfeitamente o ensinamento de São João Maria Vianey, o Cura D’Ars, numa de suas catequeses: “Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra”. Nada podia distraí-lo da presença de Deus e para ele servir a Deus devia passar obrigatoriamente pelo serviço ao próximo.

Sua fé firme o conduziu por toda a sua vida. Tudo aquilo que ele fez, viveu e praticou, era desenvolvido em função da fé na vida eterna. Da sua vida humilde, as pessoas percebiam a sua fé: era uma pessoa contrita e aceitava tudo com abnegação. Sua fé estava centrada sobre a salvação na ressurreição e na esperança da vida eterna. Esta era a sua preocupação constante: transmitir a mensagem evangélica e a certeza da vida eterna a todas as pessoas. Pelo dom da fé, o Venerável Servo de Deus colocou Deus em primeiro lugar na sua vida e se alegrava unicamente por cumprir aquilo que lhe fosse agradável.

Testemunha da Esperança

O Venerável Servo de Deus viveu sua missão em lugares desafiantes e alimentava uma autêntica esperança na vida presente e na vida eterna. Sua esperança na vida eterna o levava a encarar a vida presente com coragem e por isso se desdobrava para socorrer os mais pobres e necessitados. A esperança infundia no seu coração a serenidade também nos momentos difíceis. O Venerável Servo de Deus tinha o poder de transmitir a esperança às pessoas através da sua vida pobre e simples. Ele jamais perdeu a esperança, sustentava os fracos, confortava os tristes e não se alterava diante dos desafios enfrentados ao longo de sua vida e missão. Tinha o dom de confiar plenamente na Providência Divina e se referia a Deus como um pai que nunca abandona os seus filhos e filhas. Não usou o sacerdócio para tirar benefício material para si mesmo, não acumulou patrimônio e bens materiais especiais, o seu patrimônio foi espiritual. Sua fé se traduzia em palavras simples através das quais consolou uma inumerável multidão de pessoas sedentas de consolo e esperança. Da sua herança espiritual colhemos os seguintes ensinamentos:

  • “Quem tem Deus, tem tudo”.
  • “Nada acontece por acaso. Devemos ver em tudo a vontade de Deus”.
  • “Coloca tudo na mão de Deus”.
  • “Deus dá muito mais”.
  • “Não se esqueça de fazer caridade, porque é a caridade que salva”.
  • “Tenham calma e paciência porque tudo neste mundo passa e só Deus permanece”.
  • “Tenham confiança no Pai e na Mãe, não existe filho sem pai e sem mãe”.
  • “Não sou eu a fazer os milagres, mas Deus”.

Dom Geovane Luís da Silva | Bispo de Divinópolis

Leandro Ferreira, 19 de maio de 2024.

 

Assista a Homilia de nosso Bispo, Dom Geovane.

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