Histórico da Paróquia de São Bento – Itapecerica
Félix Jacques, fundador de Taubaté, encarregado por D. Duarte Correia Vasqueanes, Governador do Rio de Janeiro, penetrou no sertão das Minas em 1646, fazendo os Cataguá recuarem até o país do Tamanduá .
Em 1736, o capitão Estanislau de Toledo Pisa junto com seu primo Feliciano Cardoso de Camargos, fugindo de credores em Goiás, atingiram uma paragem a que deram o nome de "Casa do Casca do Tamanduá". Tornaram-se assim os descobridores de Itapecerica. Levantada uma capela em honra ao Bom Jesus de Matozinhos, o Vigário de Curral del Rei vinha para a desobriga. Devido a grande distância, um ano após deixou a função. O Vigário de São José do Rio das Mortes passou então a atender o lugar. Por volta de 1744, as comunas de Tamanduá e Pitangui travaram séria contenda acerca de limites, datando dessa época a ocupação do lugar .
Aumentada a população pelo surgimento de muito ouro, em 15 de fevereiro de 1757 D. Frei Manuel da Cruz, criou a Paróquia dedicada a São Bento (pelo grande número de cobras e víboras existentes nas cercanias) e nomeou 1º Vigário, o Pe. Gaspar Alves Gondim, então capelão da Sé de Mariana. Logo após assumir a Paróquia, o Pe. Gaspar enfrentou uma questão de limites com o Pe. Antônio Mendes Santiago, Vigário de São Romão do Bispado de Pernambuco. Depois disto foi a vez de enfrentar outros colegas: os Pes. Marcos Freire de Carvalho (que tinha provisão de uso de ordens e altar portátil) e Félix José Soares acerca da Capela Filial do arraial do Bom Jesus do Rio das Abelhas, que o Vigário fundara juntamente com seu irmão o Sgt.-Mor Manoel Alves Gondim. Passados já 25 anos de seu paroquiato enfrenta novamente outro colega. Desta vez, o Pe. Carlos Correia Toledo Pisa, Vigário de São José que desejava transformar a jubilar Paróquia em simples Capela Filial da sua. Apelou até mesmo para o mais alto tribunal eclesiástico português, a Mesa de Consciência e Ordens, mas perdeu. É preciso salientar que o Pe. Gaspar foi sempre a parte provocada. Após 34 anos terminou seu paroquiato. Seguiram-se: Pe. José Francisco Souza (1791-1797); Pe. João Pimenta da Costa (1797-1801 – este padre demarcou o território da Paróquia N. Senhora da Piedade de Pará de Minas); Pe. Álvaro José de Araújo (1801-1812); Vigário João Antunes Correia (1819 – 1854) Iniciou a construção da Matriz em 1823) Era Deputado Geral do primeiro império. Foi importante na definição da maior idade de Dom Pedro II.; Pe. Francisco Ferreira Lemos (1812-1819 – deixou o paroquiato para ser Vigário da Vara); Côn. Domiciano Francisco de Oliveira (1854-1862 – era Vigário Forâneo); Côn. Cesário Mendes dos Santos Ribeiro (l862-1887 –que foi grande vigário); Mons. José dos Santos Cerqueira (Monsenhor José dos Santos Cerqueira ; paroquiato de 1887 a 1932, quando faleceu santamente. Está sepultado na nave centra da Matriz.) ; Mons. Vicente Soares (como pró-pároco e depois pároco entre 1929-1933); Pe. José Medeiros Leite (1934-1945 – deixou o paroquiato para ser sagrado 1º Bispo de Oliveira); Pe. Hilton Gonçalves de Souza (1945-1947 e janeiro/dezembro de 1949); Pe. Rui Pinheiro Ferreira (jan./abril de 1947); Pe. Sinfrônio Torres de Freitas (1947-1949); Côn. Carlos Pinto da Fonseca (1950-1989 – que deixou seu nome gravado em letras de ouro na vida da comunidade paroquial, pois que regeu-a com sabedoria; Pe. Edilson Antônio Manoel, que era vigário paroquial do Côn. Carlos Pinto da Fonseca, tendo paroquiado até 1993. O atual Pároco é o Pe. Pedro Gondim Ferreira, filho da terra, que tomou posse em 1993 e que conduz, com sabedoria e retidão, até o presente momento, os destinos da Paróquia.
Do trabalho de todos os párocos aflorou um grande número de vocações, daí saídos contando-se, entre sacerdotes e religiosos, mais de 60, sendo que 3 chegaram ao grau do episcopado, sendo D. Antônio Carlos Mesquita, o primeiro, infelizmente falecido, Bispo Emérito de São João del Rei, MG, o segundo, D. Sebastião Roque Rabelo Mendes, D. Zicó, Bispo-Auxiliar Emérito de Belo Horizonte, MG, dividindo hoje suas tarefas entre Belo Horizonte e Itapecerica , tendo sido, antes, Bispo Diocesano de Leopoldina, MG, e D. Gil Antônio Moreira, arcebispo de Juiz de Fora.
A Paróquia não obstante sua vasta extensão territorial (é a mais extensa da Diocese) tem recebido dos párocos, carinho, abnegação e trabalho. Nela funcionam as seguintes Pastorais: Vocacional, Catequese, Liturgia, Família, Juventude. E os Movimentos são: Vicentinos, Cursilho, MFC, RCC e Apostolado da Oração. Existem também grupos de reflexão da CF, Mês Vocacional, Mês da Bíblia e Novena do Natal. Há ainda o atendimento social através de "Sopa" para os pobres, Abrigo para idosos,Escola profissionalizante e Casa para menores.
Uma grande dádiva que a Paróquia recebeu foram as Irmãs Batistinas. Há 68 anos no Brasil e em Itapecerica, aqui servindo à Paróquia na Santa Casa, Educandário São João Batista e na pastoral paroquial. Atuaram também no extinto Colégio Imaculada Conceição, de saudosa memória .
São tradicionais as celebrações do Setenário das Dores (único na Diocese) e Semana Santa , Corpo de Deus, Ascensão (também único na Diocese), a festa do Padroeiro em julho e o Reinado em honra a Nossa Senhora do Rosário, hoje sobressaindo-se, tanto pela parte folclórica e de preservação das tradições, com também pela partes espiritual. A Paróquia, além da Matriz tem, na zona urbana, com as seguintes igrejas e capelas: Nossa Senhora das Graças (bairro Nossa Senhora das Graças); Senhor Bom Jesus (bairro Bom Jesus); Nossa Senhora do Rosário (Alto do Rosário); Nossa Senhora Aparecida (bairro da Boa Viagem), Nossa Senhora das Mercês (capela de Vigílias, no Centro); Santo Antônio e São Francisco (da extinta Ordem Terceira do Cordão de São Francisco, na área central e que foi regida durante 67 anos pelo Pe. Herculano da Silva Paz. Já, na Zona Rural, possuem capelas, as seguintes Comunidades: Cafofo, Palmeiras, Lagoa, Lameus, Santo Antônio, Sucupira (um belo templo de estilo colonial), Macedo, Chaves, Peão, Córrego Fundo, Taquara, Serra dos Lopes, Casa Queimada, Partidário, Inácio Caetano, Capivara, Furtados, Vassourão, Córrego da Areia, Aguada, Serra dos Gomes, Ponte Alta, Gamas, Barreado, Barreiro, Lamounier (ex-Paróquia, criada por D. Antônio dos Santos Cabral, em 1947 e extinta por D. Cristiano Portela de Araújo Pena, em 1973) e Neolândia.
Em 2004, ao ensejo das comemorações do Centenário da Bênção da Matriz de São Bento, foram realizadas diversas atividades religiosas, culturais, artísticas e sociais, para a celebração do evento, contando com a participação de todos os seguimentos da comunidade. Nestes atos destacaram-se a solene celebração eucarística de Sagração da Matriz que foi oficiada pelos três bispos itapecericanos, coadjuvados por mais 13 conterrâneos sacerdotes e mais alguns outros amigos que nos visitaram. São 250 anos de existência para o louvor a Deus. (*) Este texto foi originariamente publicado em Diocese em Notícias –órgão noticioso e informativo da Diocese de Divinópolis, edição de julho de 1987 e se acha agora, revisto, ampliado e reformado).
SINOPSE DOS FATOS MAIS IMPORTANTES DA HISTÓRIA DE SÃO BENTO DO ITAPECERICA.:
Primeiro caminho ligando a estrada real aos descobertos de Goiás em 1736, Real Picada de Goiás.
1744- Criado oficialmente o Arraial de são Bento do Tamanduá. Tomada de posse para a Vila de São José Del Rei, Comarca do Rio das Mortes, São João Del Rei.
1757- Instituída a Paróquia.
1789- Elevada a Vila em 20 de novembro.
No reinado de D. Maria I, desafiou as Ordenações Pombalinas que proibiam abertura de escolas na colônia e em 1799, instituiu uma escola de primeiras letras sob a direção do mestre Antônio Coelho Fortes.
Foi criada mas não funcionou. A Coroa Portuguesa proibiu e ainda censurou a Câmara, pois criação de escolas era privilégio real.
“Entre 1800 e 1820, observa-se grande vitalidade na vida religiosa da localidade . Data deste período a construção e bênção da Igreja de São Francisco, da Igreja das Mercês e da Igreja do Rosário , esta última com uma torre antiga que foi danificada por uma descarga elétrica e substituída em 1917 pela atual torre em estilo semi-gótico.
A partir do início do século XIX, destaca-se ainda a efervescência da Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, que se encarregava então, entre outras atividades , da assistência aos pobres e doentes na vila e na zona rural . A Arquiconfraria foi fundada no século XVIII por Antônio Francisco Barbosa.
1808: Realiza-se, na Igreja de São Francisco, soleníssimo ‘ Te Deum’, com boa música , pela chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil.
1825: Registra-se a Visita Pastoral de Dom José da Santíssima Trindade que repreende o Pároco Antunes pelo estado deplorável da antiga matriz , decretando a interdição do templo , a transferência do Santíssimo Sacramento e da imagem de São Bento para a Igreja de São Francisco. Têm reinício as obras da matriz cujos alicerces estavam lançados havia 40 anos . A construção , sob Vigário Antunes, não prossegue muito , por vários motivos , mas após 1847, tem novo impulso pela Visita Pastoral de Dom Antônio Ferreira Viçoso que incentiva a população a prosseguir as obras , constituindo uma comissão de leigos a que ele deu o nome de ‘ Apostolado ’, nomeando o Pároco como seu presidente . Em 1855, foram concluídas as paredes da capela- mor e colocado seu telhado .
O período de 1819 a 1854, a paróquia enfrenta problemas pela atuação inusitada de Vigário João Antunes Corrêa da Costa que tem comportamento não condizente com os princípios da Igreja , caindo na infidelidade em relação ao celibato e praticando excessivo envolvimento com a política . Vigário Antunes faleceu em 25 de março de 1854 e foi sepultado no Cemitério de São Francisco.
Por volta de 1830, a música sacra já existente anteriormente tem novo impulso e organização recebendo então o nome de “ Nossa Senhora das Dores ”. Colaboram para isto Cônego Domiciano Francisco de Oliveira e Mestre Lourenço, que chegam de Minas Novas”.
(Dom Gil Antônio Moreira)
1862 – A vila foi elevada a cidade
1882- O nome SãoBento do Tamanduá foi substituído por São Bento do Itapecerica