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Comentário ao Evangelho do 28o Domingo do Tempo Comum (Lc 17,11-19) – 09/10/16

6 de outubro de 2016

11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” 14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.

 

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

 

Comentário do Padre Guilherme

 

 

No tempo de Jesus, era comum a compreensão incorreta de que as pessoas acometidas por doenças contagiosas, como a lepra, ficavam doentes por castigo de Deus. Por isso, viviam isoladas da sociedade não só pelo perigo do contágio, mas também pela situação de indignidade. Essa situação de dificuldade os unia, independentemente da origem que tivessem. E é bem possível mesmo que, nesta passagem, o grupo de leprosos que se dirigiu a Jesus fosse composto por judeus e samaritanos. Era um grupo que se encontrava entre a Samaria e a Galileia, ou seja, isolados vivendo às margens das duas cidades.

Quando viram Jesus passar, clamaram pela cura. Conforme a lei religiosa daquele tempo (Lv 14,2), somente os sacerdotes poderiam determinar se um leproso estava curado e assim tivesse permissão para voltar ao convívio social. Jesus mandou que eles procurassem os sacerdotes, tinha alguns motivos: Primeiro, porque Jesus não queria Se colocar contra a lei religiosa. Segundo, podia ser uma prova de fé e obediência. Eles obedeceram e foram, mesmo antes de estar curados, mostrando assim que tinham fé no poder de cura de Jesus.
E apenas um dos dez curados voltou para agradecer. E era justamente um samaritano. Os samaritanos tinham rivalidade com os galileus por razões religiosas. Das dez pessoas curadas, apenas uma que pertencia a um povo que não se relacionava bem com o grupo de Jesus é que mostrou gratidão.

As perguntas de Jesus no final chamam a atenção para o mais importante que essa narração quer fazer pensar. Os dez leprosos confiaram na fala de Jesus porque entenderam que nela havia promessa de cura. E foram curados. Somente o samaritano (considerado pagão pelos galileus) voltou agradecendo e louvando a Deus. Esse louvor no agradecimento é sinal de que o samaritano reconheceu que foi por Deus que Jesus realizou o milagre. Além da cura física, ocorreu também uma cura espiritual e um início de caminho da salvação, que implica no reconhecimento da presença divina em Jesus.

Podemos tirar algumas conclusões desta passagem: a graça de Deus está aberta a todos que se abrem ao amor divino. Não é privilégio de apenas um grupo. E nem sempre aqueles que se consideram religiosos praticantes têm mais capacidade de reconhecer a presença e a ação divina que outras mais afastadas das práticas religiosas.

O homem samaritano curado agiu muito mais como os pobres e pequenos para quem está destinado o reino de Deus. A salvação é dom que se destina a todos, sobretudo aos mais humildes. Também é importante lembrar que é necessário cuidar não só da saúde do corpo, mas também do espírito.

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.