Seminaristas da Diocese de Divinópolis vivenciam retiro espiritual
Entre os dias 29 e 31 de maio, os seminaristas das etapas do Discipulado (Filosofia) e da Configuração (Teologia) da Diocese de Divinópolis/Mg e Diocese de Barreiras/Ba (que residem na comunidade formativa) participaram do Retiro Semestral, com o tema “Discípulos Missionários no Caminho da Oração”. O encontro ocorreu no Recanto Coqueiro D’água, na cidade de Santa Luzia, da região metropolitana de Belo Horizonte/Mg. Estava presente também o reitor da comunidade formativa, Padre Emerson José da Cunha.
O exercício de espiritualidade foi orientado por Padre Ydecy Ferreira dos Santos, da Diocese de Divinópolis (MG), vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Guia, em Divinópolis/Mg. Sacerdote com 25 anos de ministério, é reconhecido por sua vida de oração, amor pela Sagrada Escritura e dedicação à formação cristã.
Na mensagem de acolhida, o pregador apresentou o retiro como uma verdadeira caminhada de oração, no coração do discipulado missionário. Inspirado na exortação de São Paulo aos Filipenses (cf. Fl 3,13), convidou os participantes a deixarem aquilo que impede o crescimento espiritual, acolhendo uma vida renovada em Deus. A oração foi apresentada como “respiro da alma” e como o grito do coração humano diante das alegrias, fragilidades e sofrimentos. Partindo da experiência do cego Bartimeu, destacou-se que a oração nasce da humildade, amadurece na entrega e conduz a uma relação mais íntima com o Senhor. Rezar, portanto, não é apenas buscar resultados imediatos, mas aprender a escutar Deus e permitir que Ele conduza a própria vida.
O itinerário espiritual teve início com uma reflexão sobre a oração à luz da Sagrada Escritura. A Palavra foi apresentada como companheira indispensável da vida espiritual e como lugar privilegiado do encontro com Deus. Nesse sentido, ressaltou-se a dinâmica do diálogo entre Deus e o homem: rezar acompanha a leitura da Escritura, pois é por essa escuta orante que a fé se torna caminho. A Palavra ilumina os passos do discípulo, orienta escolhas e ajuda o discernimento da vontade divina.
Da escuta da Palavra, a reflexão conduziu naturalmente à liturgia, apresentada como oração pública da Igreja e expressão da comunhão do povo de Deus. Foram retomados os elementos essenciais da participação dos fiéis, com ênfase na participação consciente, ativa e plena, conforme o ensinamento conciliar. A Liturgia das Horas foi destacada como “escola de oração”, capaz de santificar o tempo e manter viva a centralidade da Palavra no cotidiano. A Santa Missa, por sua vez, foi sublinhada como o coração da vida cristã, atualização do Mistério Pascal e lugar privilegiado para a Igreja rezar com o Cristo que age e se oferece.
Outro momento significativo do retiro foi a espiritualidade beneditina, com base nos ensinamentos de São Bento. Os seminaristas refletiram a oração como caminho de humildade, paciência e simplicidade, amadurecida na vida comunitária. A imagem da escada da humildade ajudou a compreender que o crescimento espiritual acontece no encontro com Deus e também com os irmãos, tornando a oração uma experiência concreta de transformação pessoal e compromisso com a comunidade.
O percurso prosseguiu com os ensinamentos de Santa Teresa de Jesus, mestra da oração e doutora da Igreja. Sua experiência foi apresentada como uma escola de amizade com Deus, onde a humildade, a alegria e a perseverança sustentam a fidelidade. Ressaltou-se a atitude teresiana expressa na “determinada determinação”, isto é, a firme disposição interior para buscar e cumprir a vontade de Deus com perseverança.
Como etapa final, os seminaristas foram conduzidos à espiritualidade de Santa Teresinha do Menino Jesus, na “pequena via”, marcada pela confiança filial, simplicidade e abandono nas mãos de Deus. Relembrou-se que a santidade se constrói nas pequenas ações do cotidiano, feitas com amor e fidelidade, e que a humildade e a simplicidade são fundamentos para uma oração autêntica.
Ao longo dos três dias, os seminaristas renovaram a experiência de encontro com Deus e aprofundaram a convicção de que a missão nasce da oração. O retiro foi uma oportunidade valiosa de crescimento espiritual e fortalecimento vocacional, reafirmando que o discípulo missionário é aquele que, alimentado pela Palavra, pela liturgia e pelo exemplo dos santos, faz da oração a fonte permanente da própria vida e do serviço na Igreja.