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Papa Leão: a fé dá ao cristão a força para interagir com o mundo

18 de abril de 2026

Com informações de Vatican News

Com a missa celebrada no Aeroporto Ville, em Iaundê, o Papa Leão concluiu sua viagem aos Camarões. O Papa convidou o povo camaronês a manter viva no coração a recordação dos lindos momentos que viveram juntos. “Ninguém deve ser deixado sozinho a enfrentar as adversidades da vida”, disse o Papa, ressaltando que “a Igreja camaronense é viva, jovem, rica de dons e entusiasmo, vibrante na sua diversidade e maravilhosa na sua harmonia”.

“Como ouvimos no Evangelho, a fé não nos poupa de agitações e tribulações e, em certos momentos, pode parecer que o medo prevalece”, sublinhou o Papa. “Sabemos, porém, que mesmo nessas circunstâncias, tal como aconteceu aos discípulos no mar da Galileia, Jesus não nos abandona”, ressaltou.

Durante os séculos a Igreja enfrentou tempestades

“O Salvador, caminhando sobre as águas, aproxima-se dos discípulos e diz: «Sou Eu, não tenhais medo!»”, e o Evangelista João, “sublinha que «já tinha escurecido»”. “Para a tradição judaica, as “águas”, com a sua profundidade e o seu mistério, evocam frequentemente o mundo dos infernos, o caos, o perigo, a morte. Evocam, juntamente com as trevas, as forças do mal, que o homem, por si só, não pode dominar. Ao mesmo tempo, porém, na memória dos prodígios do Êxodo, são também percebidas como um lugar de passagem, uma travessia através da qual Deus, com poder, liberta o seu povo da escravidão”, disse ainda o Papa.

“No seu navegar ao longo dos séculos, a Igreja enfrentou, tantas vezes, tempestades e “ventos contrários”; e também nós podemos identificar-nos com os sentimentos de medo e dúvida que os discípulos experimentaram durante a travessia do lago de Tiberíades.”

“É o que sentimos nos momentos em que, oprimidos por forças adversas, nos parece que estamos a submergir, quando tudo parece ser sombrio e nos sentimos sozinhos e fracos. Mas não é assim. Jesus está sempre conosco, mais forte do que qualquer poder do mal. Por isso, levantamo-nos após cada queda e não nos deixamos deter por nenhuma tempestade, mas seguimos em frente, com coragem e confiança, sempre”, sublinhou.

Criar e apoiar estruturas de solidariedade
Leão XIV recordou que “Jesus aproxima-se de nós, não acalma imediatamente as tempestades, mas vem ao nosso encontro no meio dos perigos, convidando-nos também a permanecermos juntos e solidários, nas alegrias e nas dores, como os discípulos, na mesma barca; a não olhar de longe para quem sofre, mas a aproximar-nos e a unir-nos uns aos outros”.

“Ninguém deve ser deixado sozinho a enfrentar as adversidades da vida, e, para tal, cada comunidade tem a tarefa de criar e apoiar estruturas de solidariedade e de ajuda mútua nas quais, perante as crises – sejam elas sociais, políticas, sanitárias ou económicas – todos possam dar e receber ajuda, de acordo com as suas capacidades e segundo as suas necessidades.”

“As palavras de Jesus, “sou Eu”, recordam-nos que, numa sociedade fundada no respeito pela dignidade da pessoa, a contribuição de todos é importante e tem um valor único, independentemente do status ou da posição de cada um aos olhos do mundo”, sublinhou.

A fé não separa o espiritual do social
De acordo com o Papa, “a exortação “não tenhais medo” assume, assim, uma dimensão ampla, também a nível social e político, como encorajamento para enfrentar problemas e desafios – particularmente aqueles ligados à pobreza e à justiça – em conjunto, com sentido cívico e responsabilidade civil”.

“A fé não separa o espiritual do social; pelo contrário, dá ao cristão a força para interagir com o mundo, a fim de responder às necessidades dos outros, especialmente dos mais fracos. Para a salvação de uma comunidade, não bastam os esforços individuais e isolados dos indivíduos: é necessária uma decisão comum, que integre a dimensão espiritual e ética do Evangelho no coração das instituições e das estruturas, tornando-as instrumentos para o bem comum, e não locais de conflito, de interesse ou palco de lutas estéreis.”

Coragem de mudar hábitos e estruturas
“O serviço diário aos pobres era uma prática essencial na Igreja primitiva e visava apoiar os mais frágeis, em particular os órfãos e as viúvas. Porém, era preciso completá-lo às necessidades do anúncio e do ensino, que também eram prementes, e a solução não era simples”, disse ainda Leão XIV, sublinhando que “os Apóstolos, então, reuniram-se, partilharam as preocupações, confrontaram-se à luz dos ensinamentos de Jesus e rezaram juntos, conseguindo superar obstáculos e incompreensões que, à primeira vista, pareciam insuperáveis”. “Ao escutarem a voz do Espírito Santo e ao estarem atentos ao clamor dos que sofrem, não só evitaram uma divisão interna na comunidade, como também a dotaram, por inspiração divina, de novos e adequados instrumentos para o seu crescimento, transformando um momento de crise numa oportunidade de enriquecimento e desenvolvimento para todos”, disse o Papa Leão, acrescentando:

“Por vezes, também a vida de uma família e de uma sociedade exige isto: a coragem de mudar hábitos e estruturas, para que a dignidade da pessoa permaneça sempre no centro e se superem as desigualdades e a marginalização.”