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Homilia de Dom Geovane na celebração de 50 anos da Pastoral Vocacional

8 de fevereiro de 2026

Homilia proferida por Dom Geovane na Celebração dos 50 anos da Pastoral Vocacional em Divinópolis

“Uma vez chamados, para sempre amados”, Bendito seja o nosso Deus, pois ele nos chamou, nos escolheu e nos envia em missão. Amados irmãos e irmãs, hoje nos reunimos na Catedral do Divino Espírito Santo, igreja mãe de nossa amada Diocese e nos unimos a tantos irmãos e irmãs, que nos acompanham através da transmissão desta celebração eucarística na qual rendemos graças pelos 50 anos da Pastoral Vocacional, pelo testemunho de religiosos e religiosas em nossa diocese, e também agradecidos, porque nestes dias acolhemos as relíquias de São Vicente de Paulo, o apóstolo da caridade, testemunho vivo do seguimento a Jesus Cristo. Aqui nos reunimos irmãos e irmãs desejosos de acolher em nosso coração, a Palavra de Deus, poderosa, porque ela pode transformar a nossa vida e nós que anunciamos o Evangelho, ministros ordenados, devemos saber que estamos sempre aquém deste ministério tão grande e que nem sempre conseguimos expressar com palavras a riqueza que está no Evangelho de Jesus. São Mateus nos fala de Jesus, anunciando a todos um verdeiro Programa de Vida, as bem-aventuranças. Podemos contemplar Jesus sobre o monte e ali Jesus se assenta como verdadeiro mestre, que transmite aos seus discípulos um conhecimento, um ensinamento, que se fundamenta nos seus testemunhos, nos seus gestos de amor. Jesus sobre o monte nos faz recordar o grande patriarca Moisés, que também sobre o monte, recebeu a Lei Divina, os mandamentos para que o povo de Israel, permanecesse fiel à aliança. Jesus é o novo Moisés e dali ele ensina a todos, do alto do monte ele vê e contempla a todos. É assim a nossa vida meus irmãos, Deus nos vê, nos olha com misericórdia, nos abraça com seu olhar, por isso para Deus ninguém está perdido. Nós muitas vezes olhamos para nossos irmãos e irmãs e julgamos que este ou aquele está perdido, mas para Deus, ninguém está perdido, seu olhar abraça a todos, Ele nos abraça com misericórdia. Jesus sentou-se e chamou os discípulos e nos diz o Evangelho que os discípulos se aproximaram de Jesus, eis aqui uma orientação, para todos nós, ministros ordenados, vocacionados, religiosos e religiosas, famílias, jovens: aproximemo-nos de Jesus, cultivemos uma grande amizade com Ele, porque a cada um de nós Ele diz ‘não vos chamo servos, mas amigos’. A vida cristão se constrói na amizade com Jesus. Jesus anuncia um caminho de realizações e felicidade e podemos perceber claramente que nas bem-aventuranças, o horizonte de Jesus é bem diferente do horizonte do mundo. Porque Jesus nos diz assim: felizes os pobres, felizes os aflitos, felizes os famintos, felizes os que são perseguidos. Essas bem-aventuranças, meus irmãos e irmãs, se referem a situações diversas na nossa vida, bem-aventurados os pobres em espírito, eis aí a condição para seguir Jesus. São Paulo apóstolo como ouvimos hoje, na sua carta aos Coríntios, tinha a consciência clara de que havia sido chamado e escolhido porque era fraco. O nosso Deus é o Deus que escolhe os fracos, os pobres, essa é a vontade dele, ele escolhe os frágeis. E através da nossa fragilidade, ele nos ajuda para que cresçamos em santidade, tenhamos sede de justiça. Justiça é também santificação. Bendito seja Deus que escolhe os fracos, na fraqueza está a nossa força, porque assim nos gloriamos, não em nós mesmos, não nas nossas conquistas e méritos, mas naquele que nos chama por amor. Jesus nos convida a ter um estilo de vida simples. Que a pobreza não seja algo acessório na nossa vida, mas que sejamos homens e mulheres despojados, confiando unicamente no amor daquele que nos chamou. Recentemente o Papa Leão, na exortação apostólica Dilexi te, elenca os vários tipos de pobreza: espiritual, moral, econômica. Portanto, meus irmãos tenhamos coração de pobre, mas não podemos dar trégua para a pobreza, como diz o Papa em sua exortação apostólica, isso porque onde há fome devemos levar a partilha, alimentando os pobres e onde existe o desconhecimento do amor de Deus, onde há pobreza espiritual somos chamados a estar ali para anunciar o Evangelho. Quem deseja seguir Jesus Cristo deverá abraçar a vida como ela é, com seus desafios. Mas, uma coisa é certa: onde há aflição, Deus mesmo se faz presente para nos consolar. Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados. Dom Luciano, um grande bispo – existe até um processo de beatificação para reconhecer sua santidade – assim dizia: ‘quando rezamos nos aproximamos de Deus, mas quando sofremos é Deus quem se aproxima de nós’. Em toda aflição Deus se faz presente. Alegromo-nos é Ele quem nos consola. É o Deus que sabe também enxugar as lágrimas. Felizes os aflitos, felizes os que choram porque são humanos e serão consolados. Não há como seguir Jesus e não sofrer, porque existem duas bandeiras – a de Cristo e a do Mundo – quem estiver sob a bandeira de Cristo, que é a cruz, será sempre perseguido. A bandeira do mundo nos atrai, a bandeira do mundo é riqueza, enquanto a bandeira de Cristo é pobreza, a bandeira do mundo é uma vida tranquila, a bandeira de Cristo é aflição. Estejamos sempre ao redor de Cristo, à sua sombra! A bandeira de Cristo é a cruz, por isso, Ele mesmo diz: bem-aventurados os que sofrem perseguição. Santo Inácio de Loyola, grande santo da nossa Igreja, assim rezava ‘quero e dezejo senhor, imitar-vos e passar todas as injúrias, todas as humilhações, toda a pobreza, material e espiritual, se vossa Divina Majestade me quiser, para o Vosso Serviço’. Bem-aventurados os mansos, o mundo precisa acolher a mansidão do cordeiro pascal, pois vemos aqui e ali muitos sinais de violência. As pessoas se irritam facilmente, não nos deixemos levar pelo espírito do lobo voraz, que é o demônio. Nós ministros ordenados e todo o povo de Deus, sejamos homens e mulheres mansos, cheios de ternura. O mundo não precisa da voracidade do lobo, da raiva, mas da mansidão dos cordeiros. Bem-aventurados os que promovem a paz! Muitos governantes se esquecem dessa bem-aventurança! Não podemos nos acostumar com a injustiça social. Quem deseja seguir o Cristo deve deixar-se modelar pelo Espírito Santo. O senhor é minha luz, que quem eu terei medo, diante de quem eu tremerei. Sejamos mansos, misericordiosos e sedentos de Justiça e Paz!”