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Homilia de Dom Geovane na despedida da Irmã Gertrudes: “a mais bela vocação do ser humano é rezar e amar, quem ama reza e quem reza ama”.

8 de setembro de 2025

Homilia proferida por Dom Geovane Luís na Missa de Exéquias da Irmã Gertrudes.

Conceição do Pará, 08 de setembro de 2025:

“Amado povo de Deus, essa é a nossa fé, Deus está conosco, Emmanuel, e a sua presença enche de alegria e de esperança a nossa vida.

Deus está conosco e a partir de agora, nossa querida irmã Gertrudes participa desta certeza, porque através da morte, somos imersos no oceano da misericórdia divina! Este é nosso destino, o oceano do amor de Deus, é ali que somos mergulhados quando passamos pelo sofrimento e pela morte.

Na vida dessa mulher simples, aparentemente frágil, resplandece a força e o poder de Deus, na vida dela se concretizou aquilo que disse São Paulo aos Romanos: ‘tudo contribui para aqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados à salvação de acordo com o projeto de Deus’.

A irmã Gertrudes nasceu no Norte de Minas, Montes Claros, dali ela segue para Belo Horizonte, atraída por um grande desejo de servir a Deus na vida religiosa, consagrada, na clausura, na família carmelita. E permanece muitos anos devotando sua vida a Deus, nessa família religiosa. Mas, depois na vida dela, um marco que é divisor de águas é justamente quando ela escolhe a vida eremítica, viver na solidão… uma solidão sonora, cheia da presença de Deus. Uma solidão que a levava também ao encontro dos sofredores.

Na vida da irmã Gertrudes, cumpriu-se aquilo que Paulo diz: tudo contribui para aqueles que amam a Deus, de acordo com o projeto de Deus. Se a irmã, depois de ter sido priora na congregação, lá permanecesse, ela estaria desobedecendo a Deus, porque na vida temos que aprender antes de tudo isso, a obediência à vontade soberana à Deus, à Cristo, que se fez obediente até a morte e morte de cruz. Ela viu que sua vida seria mais plena não numa vida comunitária, mas na solidão, num combate consigo mesma e ao mesmo tempo servindo os irmãos mais necessitados. Portanto, ela viveu plenamente o voto da obediência. Obedecendo a vontade de Deus, sua casinha simples, aqui em Conceição do Pará, que se tornou uma tenda luminosa, que irradiava o amor e a ternura de Deus para com todas as pessoas.

Estou aqui, nesta amada Diocese há dois anos, desde que aqui cheguei, ouço tantas pessoas dizer da bondade, da ternura, do cuidado, que ela tinha para com muitas pessoas. Muitos a procuravam, mas poucos a encontravam. Mas, parece que ela tinha uma sensibilidade muito grande e ela que aparecia na vida das pessoas na hora do sofrimento, ela que ia ao encontro, certamente por Deus. Não me esqueço no dia que fui celebrar na Comunidade Fazendinha, salvo engano Jubileu de Prata da comunidade, todos aqui representados, beneficiados pela vida da irmã Gertrudes…e naquele dia, foi feita uma homenagem à irmã, uma pequenina, uma criança vestida como carmelita entrou e fez a homenagem. Eu fiquei pensando quanto bem essa querida irmã fez na Terra. E quanto bem, a presença dela junto a Deus poderá fazer por nós, na comunhão dos santos. Nós rezamos a eles e eles junto de Deus rezam e intercedem por nós, é isso que rezamos na profissão de fé creio na comunhão dos Santos, creio na vida eterna.

Aqueles que Deus contemplou com seu amor, são imagem de seu filho. Nos ultimos anos, de sua vida, a irmã Gertrudes teve que se defrontar com a fragilidade de seu corpo, com o sofrimento e ela foi acolhida e recebeu todo o cuidado necessário de suas irmãs no Carmelo. Disso eu mesmo posso dar testemunho, todas as vezes que fui ao Carmelo, pude ver o cuidado, não lhe faltou nada, alimentação, atendimento espiritual, o devido tratamento médico. A Eucaristia que lhe era ofertada na cela para que ela pudesse nutrir sua vida de amizade com Jesus Cristo.

A vida cristã é uma conformação à Cristo Jesus e seremos mais e mais parecidos com ele se dedicarmos às pessoas, à exemplo da nossa irmã. Assim, recordamos o que nos diz João Maria Vianney: “a mais bela vocação do ser humano é rezar e amar, quem ama reza e quem reza ama”. E assim, viveu a irmã, no silêncio, na oração, no amor. Ela se tornou mendicante do amor para os pobres. Procurava as pessoas com melhor condições de vida para pedir pelos necessitados que ela conhecia. O bem que fazemos na Terra não passa despercebido a Deus. Deus nos colocou no mundo para ser uma irradiação do seu amor que ilumina e transfigura. Aqueles que Deus predestinou, também chamou, e aos que chamou também os tornou justo. E aos que tornou justo também os glorificou.

A morte na perspectiva cristã é uma glorificação, pois voltamos para a fonte da vida. Deus mesmo, o Deus conosco, o Emmanuel. Feliz coincidência sepultar o corpo da irmã Gertrudes, neste dia luminoso,  dia do nascimento da Virgem Maria, a Mãe de Jesus. Gertrudes morreu numa tarde de sábado, num dia dedicado a Nossa Senhora, a mãe da Esperança e é sepultada no dia que celebramos essa data! Essa providência, esse grande apreço para com Maria, a Mãe de Jesus, é porque somos devedores a ela, porque através dela chegou-nos a salvação.

Estamos aqui no Santuário de Nossa Senhora da Conceição, que se tornou verdadeiramente um templo divino. Somos chamados a ter uma vida fecunda, como foi a vida de Maria e da irmã Gertrudes. Uma fecundidade marcada pelo amor. Pela graça podemos gerar Cristo e oferecê-lo aos irmãos. A irmã viveu uma vida religiosa fecunda! Que esta nossa querida irmã descanse em paz e junto a Deus interceda pela nossa amada diocese, pelas vocações religiosas, pelas comunidades onde são acolhidos os dependentes químicos, por todo o povo amado dessa paróquia. Assim seja!