Vaticano II e Papa Francisco foi tema no XII Encontro Cultural Franciscano no dia 13
Nossa noite do dia 13 de setembro de 2013 foi aberta com o Quarteto Vox Ars Domini, sendo regente Sebastião Bispo, interpretando as obras: “Ave Verum Corpus” de Mozart; “Alma de Cristo” de Marcos Frisina; “Jesus, alegria dos homens” de Sebastian Bach; “Fratello Sole, Sorella Luna” de Benjamin Consete e “A ti ó Deus” de Willian Henry Monk.
Após a belíssima interpretação, compuseram a mesa: Padre Ordones e Frei Carlos Josaphat OP. Os trabalhos foram coordenados pela professora Romilda Mourão Gontijo, com o tema: “Vaticano II e o Papa Francisco: renasce a esperança.”
Relembrando sua chegada em Divinópolis, uma “cidade grande”, Pe. Ordones começou a sua partilha. Lembrou ainda que no dia de sua chegada, estava a passeio com seu irmão numa praça, que hoje não mais existe, com objetivo de começar a conhecer esta cidade grande e por coincidência uma tropa de militares descia do caminhão por ocasião da greve dos ferroviários, o que por prudência o fez retornar ao hotel e adiar seu passeio.
Segundo ele, o Bispo da época, Dom Cabral tinha por tradição, a todo primeiro de janeiro publicar as nomeações e transferências e foi assim, que teve inicio o seu contato com Dom Cristiano, pois naquela época fora recrutado a distribuir os convites para a recepção do então Padre Cristiano a Divinópolis, convites estes impressos no sistema de mimeógrafo à base de gelatina, algo muito moderno para a época [risos].
Em 1959 Padre Cristiano torna-se Bispo de Divinópolis, sendo que durante sua fase como seminarista, Pe. Ordones tinha a função de auxiliar o então Bispo nas celebrações das 6h30 da manhã. Assim foi estreitando os laços com Dom Cristiano e em 1968 o jovem Ordones é ordenado sacerdote. Ordenado continuou exercendo junto a Dom Cristiano vários serviços pastorais, como pároco, coordenador das pastorais e das obras sociais.
Por ocasião do centenário da cidade de Divinópolis, numa pesquisa feita por uma emissora de TV, Dom Cristiano foi eleito a personalidade do centenário. O livro “Dom Cristiano, apostolo do amor de Cristo” está organizado da seguinte maneira:
Parte I = textos e pregações de Dom Cristiano
Parte II = roteiros homiléticos e retiros pregados por Dom Cristiano
Parte III = testemunhos de amigos
Parte IV = textos variados
O conjunto do livro se formou a partir dos laços afetivos e testemunhos-históricos, o que tornou a obra preciosa. A motivação do livro foi o centenário do nascimento de Dom Cristiano e destacou dentre vários, o texto de Carlos Altivo.
Categoricamente, o melhor presente que a cidade de Divinópolis recebeu nestes cem anos, é o Hospital São João de Deus através da participação de Dom Cristiano e Dom Leres Lara. Lembra que o hospital brotou do sonho de Padre Matias Lobato, que sendo filho de médico, desejou uma Santa Casa, que hoje é o asilo e que Dom Cristiano, também filho de médico, empenhou-se para que o sonho tornasse realidade. Infelizmente a realidade do hospital não corresponde com a sua história.
Finalizando, Padre Ordones apresentou o trabalho hermenêutico sobre o registro teológico da história da Catedral do Divino Espírito Santo, de autoria de Antonio Miguel Maia, que gentilmente distribuiu a cada presente um exemplar, doando o valor corresponde ao Hospital do Câncer, que é o objeto social desta obra.
A professora Romilda Mourão Gontijo, fazendo uso da palavra, apresentou a biografia de Frei Carlos Josaphat OP, classificando-o “como um menino de 91 anos. Carlos Josaphat fala de um lugar que emana a sua própria vida”.
Frei Carlos Josaphat OP, saudou a todos e afirmou que existe um direito humano para todos. Todas as minhas presenças, todos esses encontros são na perspectiva da esperança, que é um traço de luz do Concílio Vaticano II ao Papa Francisco.
Comemorar um jubileu é fazer com que o povo de Deus se volte para a aliança e concretizar juntos aquilo que é o ideal de Deus para seu povo. O jovem ancião João XXIII lança seu lema “obediência e paz” para realizar as exigências do amor, e começa o Vaticano II.
O Vaticano II quer voltar a Igreja ao Espelho do Evangelho, às comunidades, assim como no tempo dos apóstolos. É uma volta ao amor de Deus que deveria transformar a Igreja levando-a à perfeição evangélica. A Igreja aposta no amor universal é isso que estamos vivendo hoje, sendo o mistério da presença transformadora do amor de Deus.
O Concílio Vaticano II vai buscar o sentido, a idéia mestra, o paradigma que ele vai assumir para disser qual é a Igreja ideal. A Igreja ideal é aquela capaz de despertar o seu povo. A grandeza do Papa é não falar o que a Igreja deve fazer, mas despertar para sua razão de ser.
O Concílio Vaticano II deve ser comemorado, pois este Concílio não declara tais e tais dogmas, mas diz que a Igreja é a igreja da humanidade de Deus, ame a Deus e ame a humanidade.
O que vale no Concílio não é quem diz, mas aquilo que é dito pelo diálogo. O Concílio Vaticano II lançou a Igreja em estado de diálogo. Em 20 de novembro de 1962 a Igreja entrou na aventura do diálogo, de uma super democracia. O Papa queria um Concílio eclesiológico, mas não dogmático, legalista e muito menos eclesiocentrico. No Concílio a Igreja se tornou uma Igreja eclesiológica- teocêntrica, à luz do amor de Deus.
Para entender o Concílio Vaticano II precisamos entender a Igreja como Dom de Deus que se revelou por amor a fim de nos transformar em dom de amor. A Igreja se define como uma sociedade que ama tudo o que Deus ama e por excelência ama a Deus.
A Igreja, comunidade amada plenamente por Deus não para se separar confecionalmente, mas para se unir e fazer compreender o grande amor de Deus. Esta é a grande revolução de Deus. O Concílio Vaticano II realiza de fato este milagre de Deus.
Para entrar no espírito do Concílio Vaticano II precisamos ter claro que a Igreja crê e aposta no amor universal. Precisamos tornar real este amor e entender que o outro também esta a procura da verdade e por isso nos encontramos no amor de Deus, pois neste encontro nos completamos.
O Concílio Vaticano II é um Dom de Deus com uma exigência enorme e viver o amor. Isto é a esperança do mundo, é aqui que renasce a esperança!
Então, o que é a esperança?
Paulo diz: “a nossa esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado pelo Espírito Santo que está em nós.” A esperança é o elã entre o FILHO de Deus e a comunidade dos Filhos de Deus. Ela, a esperança, é ao mesmo tempo dom e doação, por isso o dialogo é uma necessidade e uma exigência.
Frei Carlos Josaphat terminou respondendo algumas perguntas da platéia e em seguida finalizamos a noite, saboreando deliciosas empadinhas de Abaeté. Lembramos que nosso XII Encontro Cultural Franciscano se encerra neste dia 14 de setembro, na Celebração da Exaltação da Santa Cruz, a se realizar às 19h no Santuário de Santo Antônio.
Por: Frei Laercio