ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE MINAS GERAIS REALIZA AUDIÊNCIA PÚBLICA EM SÃO JOAQUIM DE BICAS PARA DEBATER IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS POR MINERADORAS
Atendendo ao requerimento de autoria da deputada Maria Tereza Lara (PT), foi realizada, na tarde da última terça-feira, (22/11) uma audiência pública em São Joaquim de Bicas, no distrito de Nossa Senhora da Paz (Farofa), para discutir os impactos ambientais causados pelos grandes empreendimentos de mineração na região do Médio Paraopeba. Mais de 300 pessoas, de diversos segmentos, de várias cidades da região, participaram da audiência.
Os recursos minerais são de extrema importância para o desenvolvimento de um determinado local. Os minerais são utilizados como matéria-prima para diversos segmentos do setor industrial, construção civil, além de serem aproveitados como fontes energéticas. No entanto, a extração dos minerais desencadeia uma série de problemas socioeconômicos, afetando diretamente a natureza e a qualidade de vida da população. Isto é o que vem ocorrendo em várias cidades da região centro-oeste de Minas Gerais, com a ação de mineradoras, como explica a deputada Maria Tereza.
Apesar de existirem normas ambientais para a realização das atividades mineiras, as áreas exploradas sofrem modificações irreversíveis. A abertura de imensas crateras para a extração mineral altera o relevo e retira a cobertura vegetal, podendo causar grandes erosões. Depois de exploradas, algumas áreas são abandonadas sem o devido cumprimento das normas ambientais. Segundo Maria Tereza Lara com a participação do poder público e com a mobilização da sociedade civil ainda pode haver um desenvolvimento sustentável.
Outro grande problema causado pela mineração é a poluição hídrica, do solo e sonora. A utilização de produtos químicos contamina o solo, alterando suas propriedades. As chuvas arrastam esses produtos químicos para os rios, que também se contaminam. Durante o processo de infiltração da água, o lençol freático é atingido por essas substâncias. E a comunidade de Farofa já está sofrendo essas consequências, como esclarece José Luis Rodrigues, diretor do Sindi-UTE (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação) de São Joaquim de Bicas.
Além do terreno propriamente dito, a mineração pode afetar também a água, o ar, a flora e a fauna de toda uma região. Em todas as etapas da extração mineral é consumido um grande volume de água. Esse aspecto é preocupante, visto que a água é um bem essencial para a manutenção da vida na Terra e deve ter seu consumo racionalizado, garantindo, assim, água em quantidade e qualidade para as outras gerações. Em entrevista, o Frater Henrique:
Um dos grandes problemas de ordem social é o remanejamento de comunidades para a realização das atividades mineradoras. Muitas famílias são obrigadas a mudar de moradia para que uma determinada região possa ser explorada. Outro aspecto negativo é a grande quantidade de poeira causada pelos caminhões que transportam o minério, como está acontecendo no município de Itatiauçu, segundo informações de Helberte Ângelo Marques, presidente da Associação dos Moradores de Ponta da Serra.
Em São Joaquim de Bicas, o intitulado projeto Serra Azul atraía gente do mundo inteiro para atuar na extração do itabirito (minério de ferro de baixo teor). Canadenses, norte-americanos e japoneses se misturavam aos cerca de 30 mil moradores da cidade. O declínio do projeto, no entanto, fez com que o município acompanhasse o fluxo, deixando de sonhar com o paraíso para viver em uma realidade amarga de prejuízos, dívidas e investimentos sem retorno. Frei Pedro Assis, da Colônia Santa Isabel de Betim, fala sobre esse assunto e do problema da falta d’água em nossa região e da importância dos meios de comunicação nesse processo.
Para que as questões ambientais sejam solucionadas, é necessário que haja uma fiscalização mais eficiente nas mineradoras, proporcionando desenvolvimento econômico com menos impactos ambientais e sociais, como acontece na cidade de Igarapé, que sofre as consequências das atividades minerarias. As informações são de Padre Francisco da Paróquia Santo Antônio de Igarapé.
Além de todos esses problemas citados, a Comissão Extraordinária das Águas enfrentou mais uma grande dificuldade, na região de São Joaquim de Bicas. Apenas duas pessoas da comissão tiveram a permissão para acompanharem as atividades dentro das mineradoras. Essa informação é de Reginaldo Silva assessor parlamentar do deputado federal Padre João.
Durante audiência pública, várias pessoas da sociedade civil tiveram a oportunidade de expressar suas opiniões sobre as consequências deixadas pela exploração mineraria na região. Uma das representantes da população de São Joaquim de Bicas foi a advogada e comerciante Doutora Ângela, que foi ovacionada durante a sua participação que cobrou investimentos, no município e atitudes do poder público.
Ao fim da Audiência, nossa reportagem conversou com Padre Amarildo de São Joaquim de Bicas, que foi um verdadeiro anfitrião, recebendo nossa equipe em sua casa, oferecendo um delicioso almoço e ainda nos acompanhando durante todo o nosso trabalho. Padre Amarildo fez um pequeno balanço sobre a audiência pública e também explicou o porquê da escolha do local.
Texto e edição de áudio: Fernando Cezar
Fotos: Germano Santos, Gilmar Souza