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Jubileu de ouro do Cristo Redentor, em Pará de Minas

25 de agosto de 2013

Domingo,25/08, Pará de Minas estava em festa. Comemorou 50 anos do "Cristo", um monumento erguido no alto da Serra de Santa Cruz.

Sônia Vilaça, neta de Joaquim Xavier Vilaça, idealizador da obra, veio do Rio de Janeiro para participar da missa solene que foi celebrada às 08h. Ela veio representando sua mãe, Dona Lurdes Vilaça.

Sr. Vicente Pereira Duarte – Vicente Brás, pedreiro que  ajudou a construir a imagem também estava presente na celebraçao.

Monsenhor Paulo Pereira presidiu a Santa Missa que foi concelebrada por todos os padres da cidade.

Luciano Pereira, Secretário Municipal de Cultura, falou sobre a importãncia dessa comemoração.

Geraldo Magela de Almeida, Vice-Prefeito, disse que vai lutar para que esse espaço no alto da Serra de Santa Cruz esteja sempre voltado para a espiritualidade e para a fé.

Pe. Ydecy, foi o encarregado de fazer a homilia. Ela ficou muito bonita. O texto de sua reflexão pode ser lido em seguida:

 

HOMILIA NA FESTA DOS 50 ANOS DA BÊNÇÃO DO MONUMENTO

 

Caríssimos irmãos e irmãs, nosso Povo de Deus querido, autoridades civis e eclesiásticas,
Sem dúvida, estamos diante de uma grande festa. Em primeiro lugar, a Eucaristia, memorial da ação de Deus na história, a entrega de Cristo na cruz, salvando a cada um de nós. E depois, fazemos memória dos 50 anos da bênção do monumento, a cujos pés estamos numa atitude de gratidão e amor à nossa querida cidade de Pará de Minas. Hoje faz exatamente 50 anos daquela bênção, que hoje queremos renovar.
O hino da cidade de Pará de Minas assim nos encanta: Há nas montanhas do Oeste uma terra altaneira e feliz, onde serena e agreste toda a natureza encanta e bendiz. Seus filhos cantam vitória, trabalham e lutam com ardor varonil. Sempre nimbada de glória dos homens ilustres que dá ao Brasil. Pará de Minas, cidade rainha, vestida de verde, do verde das serras douradas de sol. Teu peito encerra a fé que é sacrário de um divo arrebol. Sinos, teares entoam festivos sublime canção. És minha terra encantada e feliz, orgulho do meu coração. Seu coração não descansa, trabalha incessante, imitando o tear, sempre guardando a lembrança das velhas cantigas à luz do luar. E a doce mãe da Piedade escuta dos filhos poemas de amor, guarda em seu manto a cidade que cresce e prospera em virtude e valor.
Uma das categorias de leitura dos textos da missa de hoje é a mensagem da pequenez, a teologia da pequenez. E estamos todos aos pés de uma grande imagem do Cristo Redentor, que nos mostra também a grandeza divina e a pequenez humana. E ainda percebemos que a cidade de Pará de Minas está toda ela também aos pés de tão bela imagem – e com isso tínhamos de ser todos – cada um na sua função e na sua profissão – capazes de refletir sobre essa mensagem. E diz-nos o evangelho de hoje: Fazei todo o esforço possível para entrar pela porta estreita. Só quem tiver dado a vida como Jesus poderá entrar na sala e sentar-se à mesa. A tradição, o parentesco de nada adiantam para a salvação, nem as palavras, nem a cultura ou a pertença à Igreja …. Nada. Somente a dedicação à construção de um mundo que manifeste visivelmente a realidade do reino.
Há uma única maneira para entrar pela porta estreita: tornar-se pequeno. Lembro-me da mensagem de Aparecida: a busca dos pescadores pobres. Tanta fome e poucos recursos. Os homens partem sempre das suas carências, mesmo hoje. Eles tinham um barco frágil, inadequado, redes decadentes, danificadas e insuficientes. E quando foi da vontade de Deus, comparece Ele mesmo no seu mistério. E ele chegou de surpresa; paciência posta à prova, e chegou de uma maneira nova, porque Deus é surpresa: uma imagem de barro frágil, escurecida pelas águas do rio, envelhecida também pelo tempo. Deus entra sempre nas vestes da pequenez. O resto da historia do evento de Aparecida todos nós sabemos: os pescadores não desprezaram o mistério encontrado no rio; levaram aquele mistério para casa e para a vida. Os pequenos, os pobres e os simples sempre tem espaço para albergar o mistério. Às vezes queremos reduzir o mistério a uma explicação racional, mas sabemos que o mistério entra sim pelo coração. Essa é uma mensagem de pequenez.
O PEIXE GRANDE vivia dizendo ao PEQUENO:
– Cresça e apareça, cabeça. Com a sua pequenez nunca terá vez.
O PEQUENO sentia-se um “peixinho fora d’água”, com a estima extremamente abalada. Triste, preferia a profundidade das águas.
Certo dia, uma boia colorida chamou a atenção de ambos os peixes. No anzol, uma suculenta isca. O GRANDÃO, sem demoras, provocou o PEQUENO:
– E aí, “coisinha insignificante”? Boia curta! Com o seu tamanho, jamais alcançará o alimento. Vai definhar, peixinho.
Sentindo-se desafiado, sem perceber a tamanha cilada, o PEQUENO saiu em disparada e abocanhou a suculenta isca.
– Fui fisgado! – gritou.
Lá no fundo, o GRANDÃO era só sorriso. Gritou:
– O peixe morre pela boca, trouxa!
Subindo à superfície, o GRANDÃO festeja ao ver o PEQUENO ser retirado do anzol – e gargalha. Porém, de súbito, como um raio, surge uma enorme rede e apanha o GRANDÃO, sem comiseração. Este, preso à rede de pesca, olha para o PEQUENO e diz:
– É o fim, coisa desprezível. Com a sua pequenez, olha o que fez!
Foi então que um dos pescadores disse ao outro:
– Peixes pequenos não têm serventia, José. Lance o “pequeno” novamente ao mar. Sem se conter, o PEQUENO saltou diversas vezes sobre as mãos do pescador. Já na água, desabafou:
– Pois é, GRANDÃO, você aprendeu a nadar como peixe, mas não aprendeu a viver como irmão. Nadou, nadou – e morreu na praia.
Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita.
Na Sagrada Escritura, Deus escolheu os judeus para revelar-se a eles. Um país pequeno, sem recursos, sem aparato militar, sem grandes expoentes culturais… Ao escolher o menor país, Deus escolheu todos os outros. Davi era o caçula de sua família e foi ele justamente o escolhido para ser ungido como rei e foi reconhecido como maior rei de Israel, descrito na Sagrada Escritura como tendo muitos dons, como o da música, da poesia e dos salmos. No relato da multiplicação dos pães, havia somente alguns pães e alguns peixes. A pequenez se fez abundância. Em Caná, a água virou vinho, vinho que não termina nunca, que borbulha sempre. A minha taça transborda.
O homem tem limites, não nos esqueçamos disso.
O homem consegue, por exemplo, pôr em um pequeno buraco uma semente, que amanhã crescerá e dará frutos, produtos de Deus, formados por Suas mãos do pó da terra, mas o homem jamais conseguirá criar a semente, que amanhã se tornará em uma árvore e dará muitos frutos, isso nunca vai acontecer. Estou falando de mais uma prova da pequenez do homem e da ciência perto da grandeza de Deus. Steven Paul Jobs, co-fundador e presidente e diretor executivo da Aple, magnata da informática, um crânio da informática, homem inteligentíssimo, criou máquinas que revolucionaram o mundo, criou recentemente o Iphone, o Ipad, o IPod, criou meios para combater vírus nessas máquinas poderosas, mas com toda sua ciência não conseguiu criar meios para debelar, nesses 6 anos de sofrimento, o vírus que contaminou sua máquina maior, a máquina formada por Deus; ele morreu em 2011, aos 56 anos, numa parada respiratória, depois de lutar 7 anos com um câncer pancreático.
No próximo dia 05 de setembro, iremos completar 16 anos do falecimento de Madre Teresa de Calcutá, que morreu aos 87 anos. Logo após sua morte, as freiras encontraram em seu quarto apenas um prato e um copo, um par de sandálias, uma escova de dentes, um colchão, um pedaço de sabonete e suas três mudas de roupa. Algumas semanas antes de morrer, Madre Teresa estava em Nova Iorque e puxou das ruas com o auxílio de algumas freiras, um rapaz aidético de 17 anos, jogado na sarjeta, todo sujo e ensanguentado e doente e com um bilhete no bolso da camisa, escrito pelos seus familiares: Não nos procure mais. Madre Teresa lhe deu, na portaria do pronto socorro, banho, curativos, roupas, afeto, respeito, etc. Passando por ali um repórter e vendo aquela cena, disse à Madre: Irmã, eu não faria isso nem por um milhão de dólares. Madre Teresa respondeu-lhe: Eu também não, eu estou fazendo isso por amor. A mensagem da pequenez. Na homilia da beatificação de Madre Teresa, o Papa João Paulo II disse que a grandeza de Madre Teresa consistiu na sua capacidade de doar sem calcular o custo, de se doar até doer.
E a pergunta surge para nós: Por que afirmar que a porta é estreita e que muitos tentarão entrar e não conseguirão? Será que Deus nos preparou uma armadilha? Claro que não. A porta é estreita porque nós nos tornamos grandes demais, autossuficientes demais, prepotentes demais, demasiadamente cheios de nós mesmos. A porta é estreita porque nossas mazelas são largas. E portanto, há um combate a ser travado e se seguirmos nossas lógicas, nossos instintos e nossas paixões, não entraremos. Não entraremos.
Um famoso economista, chamado Ernani Lopes, que salvou Portugal da bancarrota em 1983, deu, numa certa ocasião, sugestões para vencer momentos de crise. Não apresentou números ou fórmulas para resolver a crise, mas atitudes, valores e padrões de comportamento, que, segundo ele, são a base essencial de toda a atividade econômica. Dizia ele:
Onde existe jeitinho para tudo, deve haver uma real exigência.
Onde está a vulgaridade, colocar a beleza.
Onde estão os acomodados, colocar responsabilidade.
Onde está o brincar de trabalhar, colocar seriedade.
Onde está a malandragem no expediente, colocar trabalho.
Onde estão as falcatruas, colocar honestidade.
Trata-se o desperdício com sobriedade e onde se lê direitos adquiridos, deve-se ler deveres assumidos.
O evangelho de hoje é ou não é uma PEC – programa espiritual dos católicos?
Já quase encerrando: porventura, se conhece algo de mais forte que a força escondida na fragilidade do amor, do bem, da verdade, da beleza, da simplicidade e da pequenez?
A busca do que é cada vez mais rápido atrai o homem de hoje: internet rápida, carros velozes, aviões rápidos, relatórios rápidos, missas rápidas, reuniões rápidas….E, todavia, se sente uma necessidade desesperada de calma, de serenidade, de paz, de pequenez. Recuperemos, meus caros irmãos e amigos, a calma de saber sintonizar o passo com as possibilidades dos peregrinos, a capacidade de partilhar na pequenez dos gestos a grandeza de amar e de servir.
Termino, na verdade, pedindo a todos que olhem para duas pessoas, entre tantas de Pará de Minas, que nos ajudaram a passar pela porta estreita do amor, da partilha e da generosidade. Padre Hugo, que por quase 50 anos morou conosco; deu a vida por nós. Não nos esqueçamos de todos os frades franciscanos que semearam esperanças e abriram  portas onde às vezes havia a estreiteza do egoísmo e do coração fechado. A eles a nossa gratidão.