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Morreu Pe Humberto Neuwissen: grande missionário da Amazônia e de Minas Gerais

terça-feira, 16 de dezembro de 14 às 16:28 | Atualizado às 16:06
Morreu Pe Humberto Neuwissen: grande missionário da Amazônia e de Minas Gerais

A morte de Pe. Humberto  Neuwissen, na última segunda feira, dia 08 de dezembro de 2014, nos dá oportunidade de retomar um pequeno artigo que escrevi em homenagem à Congregação do Espírito Santo, por ocasião da celebração dos cinquenta anos de nossa Diocese de Divinópolis. Para mim, é motivo de gratidão e alegria, pois, como filho de Araújos, tive Pe. Humberto e outros missionários espiritanos como verdadeiros pais espirituais que me catequisaram e ensinaram-me a viver a minha fé e minha vocação.

 

Nossa diocese de Divinópolis há pouco completou 50 anos de história e evangelização. Uma história profícua, de grande riqueza, de profunda fidelidade às definições do Concílio Vaticano II. Uma diocese que marcou a história da Igreja no Brasil pela grande participação de fiéis leigos. Neste ponto é importante destacar o pioneirismo de missionários holandeses que vieram trabalhar em nosso meio, ainda no início de nossa diocese: os padres do Espírito Santo.

 

            As cidades que tiveram a graça da atuação destes missionários em nossa diocese foram: Divinópolis (Paróquia do Sr. Bom Jesus), Araújos ( Paróquia de São Sebastião), Perdigão ( Paróquia Nossa Senhora da Saúde), Itatiaiuçu (Paróquia São Sebastião), Mateus Leme (comunidade São Sebastião de Azurita) e Itauna (Colégio Sant’Ana, Paróquias Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora da Piedade). Itauna foi o berço desta congregação missionária em nossa diocese. Ali, construíram, inclusive, um seminário para a formação de missionários para as missões na Amazônia, que funcionou onde hoje funciona o Colégio Sant’Ana.

 

A educação foi uma das grandes preocupações destes missionários. É marcante o trabalho de Pe. Tiago Van Del Paul em Perdigão, Pe. Ludovicus Sontiens, em Araújos, construindo colégios e, de forma pioneira, dando às crianças e jovens destas cidades a graça de continuarem os seus estudos. Estas duas comunidades têm uma dívida de gratidão a estes dois grandes sacerdotes, pastores que se preocuparam, não apenas com a vida religiosa de seus paroquianos, evangelizando, celebrando os mistérios da salvação, mas, também, criando condições de vida digna para a juventude destas cidades, à epoca distantes de qualquer possibilidade de desenvolvimento. Além do trabalho como professores da escola média, na construção e direção dos colégios, incentivaram o esporte, a música, a vida cultural destas cidades. Um trabalho em profunda sintonia com a mentalidade do então Papa João XXIII, com sua encíclica Mater et Magistra ( Mãe e Mestra), do Papa Paulo VI, com sua encíclica Populorum Progressio ( O Progresso dos povos) e os sonhos de nosso primeiro bispo Dom Cristiano Portela. Pe. Tiago, depois de quase meio século de trabalho, aposentou-se e vive, atualmente, na Holanda, sua terra Natal. Depois do falecimento de Pe Ludovicus, os cuidados da paróquia de São Sebastião, de Araújos, foi entregue aos cuidados dos padres diocesanos (Pe. Olavo Cabral de Souza e Pe. Evaristo José Vicente) e do carmelita descalço, frei Ambrosio Heijnen. Depois, um outro espiritano holandês, Pe. Humbertus Neuwissen, assumiu com o mesmo zelo, os cuidados da paróquia, após longos anos em missão no Amazonas, na Igreja irmã de Tefé, vindo enriquecer, pastoralmente, a cidade e a diocese com sua longa experiência como missionário e catequista. Pe Humberto conheceu nossa cidade de Araújos em um tempo novo de sua história. Não mais a cidadezinha rural onde trabalharam Pe Brauer e Pe. Ludovicus, mas uma cidade marcada pela industrialização e pela urbanização. Não deixou de ser pequena e nem religiosa, mas uma cidade marcada pela presença de milhares de migrantes que ali aportaram buscando melhores condições de vida nas indústrias de calçados e confecções. Foi uma presença terna, tranquila, equilibrada. Um padre que cativou o povo pelo cuidado pastoral, pelo carinho, por uma palavra sábia, por seu programa de rádio diário, por um sorriso que a todos falava de Deus. Dedicou dez anos de sua vida à nossa cidade e diocese. Depois destes anos de profíquo apostolado em Araújos, enfermo, foi transferido para a Holanda, sua terra natal, onde terminou os seus dias, em convivência com Pe. Tiago Van Der Paul e outros missionários holandeses que dedicaram suas vidas à evangelização do Brasil, Indonésia e países africanos.

Em Divinópolis, além do seminário de Filosofia, vimos o grande trabalho social e evangelizador de Pe. Teodoro, na paróquia do Sr. Bom Jesus. Naquele bairro tão pobre da Divinópolis dos anos 60, os espiritanos fizeram-se também incentivadores do estudo, da cultura, da profissionalização. Um trabalho que marcou profundamente a vida da cidade de Divinópolis e região.

 

Em Mateus Leme, na comunidade de Azurita, o nosso Dom Mário Clemente Neto, (bispo emérito de Tefé) ainda como o Pe. Mário, viveu com muita fecundidade o seu ministério presbiteral. Marcou profundamente a vida desta comunidade. Dali partia para um trabalho evangelizador da juventude de nossa diocese, um trabalho que foi base para a instalação do TLC e mais tarde, da pastoral da Juventude.

 

Na cidade de Itatiaiuçu, além do Pe. Mário Clemente, vimos grande atuação dos padres Luis Turkenburg e Giovanni Van De Laar. Foi nesta cidade que a nossa diocese conheceu os primeiros ministros extraordinários do Batismo e as primeiras testemunhas qualificadas para o Sacramento do Matrimônio, fruto do pioneirismo destes missionários holandeses, que no espírito do Concílio Vaticano II, tiveram a coragem de enfrentar e superar preconceitos sociais, atender às necessidades espirituais desta comunidade, que por vários anos vinha tendo uma assistência religiosa muito frágil, em razão da falta de padres que ali residissem e assistissem ao povo. Deram este passo que marcou profundamente a história de nossa diocese, em especial a história do desenvolvimento e atuação do laicato da diocese de Divinópolis. Acolheram e fizeram frutificar em vida para esta comunidade as conclusões do Concílio Vaticano II, neste ponto, as conclusões da Constituição Dogmática Lumen Gentium, recentemente aprovada pelos padres conciliares e promulgada pelo Papa Paulo VI.

 

O Trabalho destes missionários, em profunda sintonia com as novidades do Concílio Vaticano II, marcou toda a nossa diocese, mas foi em Itauna, onde o seu trabalho alcançou maior relevância social e eclesial; Se de um lado vimos o Pe. José Weltzles dedicar-se totalmente à educação no Colégio Sant’Ana, transformando-o numa das melhores instituições de ensino do Estado e do país, vimos os já mencionados Pe. Luis Turkenburg e Pe. Geovanni Van De Laar mergulharem, de forma muito profunda, na vida pastoral da cidade. A preocupação social que tanto marcou a história dos missionários já citados, continuou sendo prioridade na ação destes dois sacerdotes. Na paróquia Nossa Senhora da Piedade, Pe. Geovanni marcou a vida eclesial de Itaúna com um grande cuidado e carinho com a Liturgia, trazendo à luz, as definições da já citada Constituição Lumen Gentium e da Sacrosanctum Concilium. Também foi marcante o zelo na formação de catequistas, com a escola “O Barquinho”, a instituição e formação de Ministros Extraordinários da Palavra e da Comunhão Eucaristíca, um trabalho que influenciou a vida litúrgico-celebrativa de toda a cidade e região. No cuidado com a saúde, incentivou as "enfermeiras do lar", um trabalho que em muito influenciou a política pública dos postos de saúde e os médicos da família. Também é marcante, ainda hoje, o seu trabalho social na Creche Betânia, dando um salto de qualidade no acolhimento e assistência à infância nesta terra, que tanto tem se destacado na preocupação e desenvolvimento social. Também em Itaúna é digno de todo reconhecimento o trabalho de Pe. Luis Turkenburg. Este, inclusive, fez-se cidadão brasileiro. Pe. Luis foi o homem da cultura. Compositor sacro, músico foi um marco na vida cultural da juventude itaunense em sua época. Além da linda matriz de Nossa Senhora de Fátima, uma das primeiras matrizes construídas a partir das conclusões do Concílio Vaticano II em nossa diocese. Ele mesmo projetou-a e trabalhou na sua construção, inclusive assumindo os trabalhos mais duros, na participação plena dos muitos mutirões encabeçados por ele nesta maravilhosa obra, da arquitetura eclesiástica moderna da diocese. A construção desta igreja foi oportunidade de revelar o espírito empreendedor deste missionário, mas sobretudo a sua preocupação com o desenvolvimento do homem todo. A história desta construção registra um fato interessantíssimo, revelador do espírito humanitário de Pe. Luis Turkenburg. Durante a construção desta matriz, percebendo que no bairro Pe. Eustáquio e imediações não existia ainda uma escola, não conseguindo que as autoridades municipais e estaduais a construíssem, dando condições de escolaridade para a infância e juventude desta região, paralisou a construção da matriz, e encabeçou o mutirão para a construção da escola ( hoje, Escola Estadual Sant’Ana); iniciativa que depois se espalhou por todas as comunidades de sua paróquia.

 

Na celebração dos 50 anos de nossa diocese de Divinópolis, a presença dos Padres Espiritanos merece um capítulo especial. Atualmente, dos muitos missionários que aqui trabalharam, resta apenas um, o Pe. Giovanni Van De Laar, que há pouco celebrou os seus cinquenta anos de ministério presbiteral, todo ele vivido em nossa diocese e em Itaúna. Pe Giovanni e seus companheiros de missão, grandes homens, cristãos, cidadãos, holandeses que assumiram o Brasil e a nossa diocese como lugar de vida e missão. A eles, o nosso reconhecimento e a gratidão de toda a diocese, em especial, do povo das cidades e paróquias onde trabalharam e trabalham.

 

 

Por Pe. Amarildo José de Melo

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