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Fráter Henrique fala da atual realidade da população Carcerária

quarta-feira, 23 de janeiro de 19 às 07:00 | Atualizado às 22:09
Fráter Henrique fala da atual realidade da população Carcerária

O preso precisa saber que existe alguém que se interessa pela sorte dele... Afirma Fráter Henrique Cristiano Matos, referindo-se ao seu trabalho nas unidades prisionais de São Joaquim de Bicas - MG.

 

Fráter Henrique é da Congregação de Maria Mãe da Misericórdia e trabalha, como religioso, na região de Igarapé. Faz algum tempo, atua na Pastoral Carcerária e encara esse trabalho com muita dedicação. Afirmou à nossa reportagem que esse trabalho mudou toda a sua vida e fez dele uma pessoa melhor. Ficou conhecendo uma realidade totalmente nova e pôde penetrar, com profundidade, na realidade de um seguimento marginalizado da sociedade. A realidade carcerária é uma incógnita, segundo ele, para a grande maioria dos católicos. Lamenta uma ausência significativa de católicos que possam atuar junto aos presos.


A realidade carcerária é muito cruel como os pobres, segundo Fráter Henrique. Ela denuncia nossa incapacidade de resolver muitos problemas atuais como, por exemplo, a questão das drogas. Se a pessoa é rica ela pode lançar mão de inúmeros recursos da lei para se livrar das penalidades. Mas, o pobre é abandonado à sua própria sorte. E, às vezes, é abandonado pela própria família. Outra coisa terrível é a ociosidade forçada do preso. Ele fica sem ter nada que fazer e acaba frequentando a escola do crime, saindo da prisão muito pior do que entrou.


Em São Joaquim de Bicas a situação do preso não difere muito do resto do país. Existe uma superpopulação carcerária; ociosidade forçada e um estado de quase abandono dos presos.  Na cidade, que fica próximo a Belo Horizonte, existem três unidades prisionais: Bicas 01, com cerca de 2.300 presos; Bicas 02, com, aproximadamente 2.200 presos e a penitenciária, com cerca de 500 presos. Se juntarmos toda essa gente com aqueles que trabalham no sistema podemos atingir um número de, aproximadamente, 10 mil pessoas! O detalhe é que a Cidade não foi preparada para isso. Se um preso adoece ele deve ser atendido num posto de saúde local. E os postos de saúde não foram adaptados para esse grande contingente de pessoas, pois, atrás do preso aparecem também seus familiares que acabam se mudando para a cidade.


Diante da realidade prisional não podemos evitar a pergunta: - A quem interessa tudo isso? Fráter afirmou que sempre faz esse questionamento. Mas, que a resposta a ele não é fácil de ser dada. No viés desse questionamento poderíamos abordar a polêmica tese de privatização do sistema. Pode ser que pequenos grupos lucrem e ganhe dinheiro com tudo isso. O preso, no entanto, é o mais prejudicado. Ele é prejudicado até quando uma experiência está dando certo. É transferido, constantemente, de unidade a outra, dificultando a vida daqueles que estão estudando. Esse é um lado bom segundo Fráter Henrique. Ele elogia o heroísmo das professoras e de todos que não medem sacrifícios para levar a educação aos presos. Mesmo não concordando com o sistema Fráter Henrique agradece à direção da penitenciária e dos presídios por não dificultarem o trabalho pastoral que acontece no local. Termina a entrevista dizendo que esse trabalho fez dele uma pessoa melhor e mais sintonizada com o carisma de sua própria congregação, ou seja, a misericórdia.

 

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