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175 anos da Paróquia de Sant'Ana, de Itaúna

quinta-feira, 07 de abril de 16 às 01:00 | Atualizado às 18:49
175 anos da Paróquia de Sant'Ana, de Itaúna

Em meio aos meandros e brumas de nossa História, pressupomos a presença do homem branco nessas terras desde o recuado ano de 1720.

Já é quase notória a aventura dos três portugueses, sócios e donos de datas  de mineração que aqui se fizeram presentes. O Sargento-mor, Gabriel da Silva Pereira, Thomás Teixeira e Manoel Neto de Mello, dentre outros possíveis residentes, posseiros e viandantes que por aqui aportaram junto às águas do rio São João.


Iniciou-se, a partir de  1739, a construção de um Oratório, erigido de taipa de pilão e coberto de capim, próximo a um cruzeiro já existente,  onde nele se depositou a imagem em cedro de Sant’ana, oriunda da cidade de Setúbal, Portugal.


Transcorrido alguns anos, os moradores da Passagem do São João requisitaram ao  Bispo de Mariana, Dom Frei Manoel da Cruz,  as devidas licenças para a ereção de uma  Capela pelos idos de 1750.


O  Bispo de Mariana, diocese a qual pertencia a Passagem do São João da Comarca do Pitangui ( Itaúna) ordenou que se levantasse a Capela de Sant’ana no mesmo local aonde estava o seu oratório.


Esta ficou pronta em 11 de outubro de 1765. Nesta data, o Bispo de Mariana, deu nome à nossa povoação: a  Passagem do São João seria a Povoação Nova de Sant’ana do Rio São João Acima. E nesta Capela (hoje Capela do Rosário) disse sua primeira Missa, o Pe. José Teixeira de Camargos, no ano de 1766. Ele era filho do sócio do Sargento-mor, Gabriel da Silva Pereira, Thomás Teixeira. Hoje, em sua homenagem, a Praça do Rosário leva seu nome: Praça Pe. José Teixeira de Camargos. Foi este o primeiro Capelão de Sant’ana ( padre que era o responsável pelos serviços da Capela e o atendimento espiritual do povo da região).


Feito um recenseamento em 1831, verificamos, no arraial de Sant’ana,  quatrocentas residências e 2.756 habitantes, dos quais 1728 livres e 1028 escravos. Na época, registrou-se o último Capelão de Sant’ana, Pe. José Bernardino de Souza, já octogenário.


Dez anos depois, dado o progresso da região, principalmente  o comércio que era realizado, pois nos encontrávamos no caminho de dois grandes pólos urbanos da época - Bonfim e Pitangui- o então Curato de Sant’ana foi elevado à categoria de paróquia. Estava, portanto, criada a nossa PARÓQUIA DE SANT’ANA, através da Resolução nº 209, assinada pelo Presidente da Província de Minas Gerais, Marechal Sebastião Barreto Pereira Pinto, a 07 de abril de 1841.
Itaúna, como município somente surgiria 60 anos depois.


E uma vez, sendo criada a Paróquia, a Capela de Sant’ana (hoje Igreja do Rosário) passou a ser a Igreja Matriz ( e assim permaneceu como Matriz até 1853, quando aconteceu a sua troca com a Igreja do Rosário, construída abaixo do arraial, em um grande pasto, pelos negros escravizados a partir do ano de 1840. Foi necessária a sua ampliação na época; sendo a antiga capela dos negros transformada em sacristia da nova Matriz).

 


Seguiram-se, ao longo destes 175 anos, a sucessão de seus Párocos:

  • Pe. Antônio Domingues Maia, de 1841 a 1849.
  • Pe. João da Cruz Nogueira Penido, de 1849 a 1852.
  • Pe. João Batista de Miranda, de 1852 a 1863.
  • Pe. Antônio Maximiano de Campos, de 1863 a 1902.
  • Pe. João Ferreira Alves da Silva, de 1902 a 1924.
  • Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, de 1924 a 1928.
  • Pe. José Joaquim Batista de Queiróz, de 1928 a 1931.
  • Pe. Ignácio Campos, de 1931 a 1934.
  • Pe. José Augusto Ribeiro Bastos, de 1934 a 1937.
  • Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira, de 1937 a 1943.
  • Pe. José Ferreira Netto, de 1943 a 1985.
  • Pe. Luiz Carlos Amorim, de 1985 a 1991.
  • Pe. Amarildo José de Melo, de 1991 a 2002.
  • Pe. José Carlos de Souza Campos, de 2003 a 2004.
  • Pe. Edilson Antônio Manoel, de 2005 a 2010.
  • Pe. Francisco Cota de Oliveira, atual Pároco, desde 2011.

 


Quando da criação de nossa Paróquia, governava a Igreja Católica o Papa Gregório XVI e seguiram-se Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI, Pio XII, São João XXIII, Paulo VI, São João Paulo II, Bento XVI e Francisco.


Pertencíamos à Arquidiocese de Mariana  e, em 1841, esta encontrava-se com a sede vacante pelo falecimento de Dom Frei José da Santíssima Trindade e posteriormente foram nossos bispos: Dom Antônio Ferreira Viçoso, Dom Antônio Maria Correia de Sá e Benevides, Dom Silvério Gomes Pimenta e Dom Helvécio Gomes de Oliveira. A partir deste bispo, criou-se a Diocese de Belo Horizonte, em 1922, e nossa Paróquia foi a esta incorporada. Passamos pelos Metropolitas de Belo Horizonte: Dom Antônio dos Santos Cabral e Dom João de Resende Costa.


Já no ano de 1959, uma vez criada a Diocese de Divinópolis, a nossa Paróquia de Sant’ana integrou-se a esta e  tivemos aqui os seguintes bispos diocesanos: Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, Dom José da Costa Campos, Dom José Belvino do Nascimento, Dom Tarcísio Nascentes dos Santos e hoje o nosso estimado conterrâneo,  Dom José Carlos de Souza Campos.


Contudo, além do Clero, incontáveis foram os leigos que atuaram em nossa veneranda Paróquia nestes 175 anos de feliz e profícua existência. Coroinhas, acólitos, catequistas, músicos, cantores, sacristães e, enfim, milhares de pessoas envolvidas nas mais diversas pastorais e serviços religiosos, desde os mais antigos, como as Filhas de Maria, o Apostolado da Oração, até as mais novas pastorais que refletem as demandas do tempo presente; como a de Comunicação Social.


Hoje, nesta significativa data dos 175 anos de nossa Paróquia de Santana, permanece para todos nós as palavras de Paulo: “Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor” (Efésios 2:19-21).
LAUS DEO!

 

 

Por Prof. Luiz Mascarenhas 

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