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Compaixão + Pão = Banquete da Fraternidade / Multiplicação dos Pães

sexta-feira, 31 de julho de 20 às 18:40 | Atualizado às
Compaixão + Pão = Banquete da Fraternidade / Multiplicação dos Pães

Enredo da narrativa: Mateus narra o episódio emoldurando-o entre duas expressões de transição, nas quais diz que Jesus se retira “à parte” das multidões, dos discípulos e até da barca (vv. 13-14; 22-23). O v. 13 não serve apenas de transição, mas oferece o motivo pelo qual Jesus vai a um lugar desértico. Esta estratégia serve para ambientar o cenário onde acontece o sinal miraculoso. O evangelista faz com que o foco do relato recaia sobre a multidão e sobre a atitude de Jesus em relação à mesma multidão. Jesus se comove (enche-se de compaixão em seu interior). No momento em que Jesus chega se encontra com a multidão que o espera. Ao vê-la se comove e cura os que estavam enfermos (v. 14). É uma multidão “cansada e abatida como ovelhas sem pastor” (cf. Mt 9,36; 20,34). O verbo que expressa a compaixão de Jesus é muito expressivo: deixa Jesus de coração em pedaços; corresponde ao verbo hebraico que expressa o amor visceral da mãe ("hamal") (cf. Mt 9,36; 14,14; 15,32; 18,27; 20,34; Mc 1,41; 6,34; 8,2; 9,22; Lc 7,13; 10,33; 15,20; 12x em 7940 versículos do NT). A compaixão é o aspecto subjetivo da experiência de Jesus que se faz efetiva com o dom do pão.

 

O dom do pão: este relato se abre com a expressão “ao entardecer” (v.15) que também introduz o relato da última ceia (cf. Mt 26,20) e o da sepultura de Jesus (cf. Mt 27,57). Pela tarde, pois, Jesus convida aos discípulos a dar de comer à multidão. No meio daquele deserto distante, Jesus e seus discípulos se encontram diante de um grande problema humano: dar de comer aquele grande número de pessoas. Porém, eles não podem aliviar a necessidade material da multidão sem o poder de Jesus. A resposta imediata dos discípulos é despedi-la. Diante do limite humano, Jesus intervém e multiplica o pão. Dar de comer é a resposta de Jesus, de seu coração que se despedaça diante da necessidade humana muito concreta. No v. 19, Mateus dá o significado eucarístico ao episódio da multiplicação dos pães: “tomou os pães e os peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção, partiu os pães e os deu aos discípulos, e os discípulos os distribuíram às multidões”. Os gestos que acompanham o portento são idênticos aos que Jesus adotará na noite da última ceia (noite em que foi entregue): levanta os olhos, bendiz o pão e o parte. Daqui se deduz o corte simbólico do relato: pode ser considerado uma antecipação da eucaristia. Ademais, dar de comer à multidão é um sinal de que Jesus é messias e de que prepara um banquete para toda a humanidade (cf. Ap 2,17).

 

Aspecto eclesiológico: o papel dos discípulos é muito evidente: função de mediação entre Jesus e à multidão. Os discípulos aprendem de Jesus o valor da partilha. É um gesto simbólico que contém um fato real que vai além do episódio mesmo e se projeta para o futuro: a ceia eucarística que a Igreja celebrará pelos séculos, em vista do banquete messiânico no Reino dos Céus! Aspecto profético-cristológico-messiânico-eucarístico: duas passagens do AT são recordadas ao ler esta passagem de Mateus. O fornecimento de pão num “lugar deserto à parte” (literalmente: deserto), leva à recordação do maná de Ex 16. E todos os particulares do episódio lembram o milagre realizado por Eliseu quando alimentou cem homens com 20 pães (cf. 2Rs 4,42-44). Nos dois casos, um profeta providenciou o alimento, e Jesus, o profeta por excelência, fez a mesma coisa, no entanto, numa escala muito maior em comparação com Eliseu. Ora, até a morte de João Batista (narrada nos versículos anteriores), o que Jesus fez? Ensinou (sermão da montanha – Mt 5-7) e curou (relatos de milagres – Mt 8-9). E o que não fez ainda até agora? Não preparou ainda as multidões para o banquete messiânico. Assim, a narrativa da multiplicação dos pães, pode ser lido como um sinal profético, aos moldes de Moisés e Eliseu e como uma prefiguração da ceia eucarística (cf. Mateus 26,20-30). Mas, ainda, além destes significados – sem excluí-los – a narrativa é uma profecia do banquete messiânico. A figura de Davi – apesar de não mencionada – aparece em primeiro plano. Davi que abençoou todo o povo no nome do Senhor e distribuiu pão a toda multidão de Israel (cf. 2Sm 6,19). A tarefa do rei, do Messias, é assegurar o pão ao povo: é o que Jesus faz agora, depois da morte de João, demonstrando não com palavra, mas com um gesto messiânico quem ele é. A expectativa judaica de um retorno do maná, quando da vinda do Messias (cf. Ap 2,17) faria pensar que se trata de um ato messiânico. Assim, Jesus é o profeta, mestre-messias que ensina por palavras (montanha), cura e expulsa o maligno (milagres) e multiplica os pães, prepara para o banquete messiânico.

 

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