×

Capela de Nossa Senhora das Dores

terça-feira, 14 de maio de 13 às 13:44 | Atualizado às
Capela de Nossa Senhora das Dores

Capela de Nossa Senhora das Dores

Comunidade Sucupira

 

Os documentos que registram a história desse pequenino templo se existem, ainda não foram localizados. Entretanto é possível, através de acontecimentos periféricos, tentar sugerir uma restauração dos fatos com toda a cautela que se nos obrigam situações pertinentes à indagação histórica pura e simples. Assim sendo o texto abaixo longe de ser uma afirmação é apenas uma sugestão para dar início na procura da história documentada.


Segundo registram Diogo de Vasconcelos, Waldemar de Almeida Barbosa, secundados por José  GOMIDE  BORGES em SERTÃO DE NOSSA SENHORA DAS CANDEIAS DA PICADA DE GOIÁS, 1992, pág. 23; nos primeiros tempos da colonização das Minas do ouro ou dos Cataguases, a Igreja Católica se permitia conceder aos Padres que se embrenhavam pelos sertões, licença para possuir um altar móvel e nele oficiar todos os ritos da Igreja na falta de um templo no local que reunisse as exigências necessárias.


O Padre Marcos Freire de Carvalho era possuidor desse privilégio. Em 1743 ele e mais 40 escravos faiscavam ouro no rio do Gama, sertão do Tamanduá.
A faisqueira não estava produzindo o desejado, agravando o fato que vários escravos haviam fugido para um quilombo próximo as nascentes do Rio Santo Antônio, local que ainda mantém nos dias de hoje o nome de Quilombo.


Padre Marcos, com os escravos que lhe restaram, desceu o rio Gama até um local conhecido como “ Pedras de Amolar”. Neste local estabeleceu uma fazenda e fundou um povoado.


A Ermida de Nossa Senhora das Dores e o respectivo povoado de Sucupira estão dentro da área pelo Gama velho ou rio velho ( junção do rio vermelho e gama). A região há muito foi conhecida pelos tropeiros, cremeiros e viajores furtivos como “Pouso das pedras de amolar”. É evidente que a comparação entre os dois locais,  onde Padre Marcos se retirou com seus escravos e o lugar identificado pela tradição oral estão dentro da mesma área geográfica, e por existir como bem cultural da Igreja um altar móvel dedicado a Nossa Senhora das Dores existe uma possibilidade muito grande que a ermida tenha sido construída para abrigar o altar móvel do Padre Marcos, que quando aqui chegou já havia minerado também no sertão da Farinha Podre. Também é preciso levar em consideração na Ermida, o estilo do segundo período colonial com formas mais arredondadas, principalmente nos portais, com duas sacristias laterais a exemplo da fachada original da Igreja do Rosário, a semelhança quase identidade de  arquitetura com  a extinta Igreja de São Miguel.  Observe-se o trabalho peculiar interno da Ermida, as divisórias de madeira que separam as sacristias da nave central, sugerem um certo luxo não visto em nossas capelas rurais que não possuem nem a idade, nem a identidade arquitetônica da Ermida. A debandada dos escravos aconteceu com o início da revolta desses mesmos escravos em 1741 e durou até 1765. Em qualquer espaço de tempo destes 24 anos ou durante este espaço a Ermida foi construída, e, se assim realmente aconteceu a constitui como um dos mais antigos templos, ainda existente, dos remotos sertões do Tamanduá. 


O Campanário, torreta que abriga o sino foi descaracterizado ao longo dos anos, tendo sido substituído por uma deformidade que nada tem a ver com a sublimidade do estilo colonial da Igreja.

 

Notícias Relacionadas

21 jan 14
25 abr 13
25 jun 13
17 out 14

Parceiros