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Santuário de Santo Antônio

quarta-feira, 22 de maio de 13 às 11:44 | Atualizado às 09:25
Santuário de Santo Antônio

Santuário de Santo Antônio

Centro

 

 

O enorme prédio construído na esquina da Avenida 21 de Abril e Rua Minas Gerais, de acordo com projeto de Frei Ladislau Bax, OFM  foi destinado a ser o Convento de Santo Antônio, que também abrigaria o Comissariado e a Faculdade Teológica. E recebeu os cinco primeiros clérigos holandeses em 25 de outubro de 1931, os quais se ordenaram sacerdotes três anos depois na matriz do Divino Espírito Santo.
O convento de Divinópolis tornou-se, ao longo dos anos, importante ponto de convergência do Comissariado e brilhante centro teológico um dos mais importantes do Brasil cujos mestres eram formados em universidades européias, com elevado nível Cultural.

Toda a história do trabalho dos Franciscanos começa com Frei Hilário Verhey, OFM que se mudara para Divinópolis a fim assumir a Paróquia do Divino Espírito Santo, em 11 de agosto de 1924, e incumbir-se de edificar uma nova igreja na cidade, ao lado do colégio seráfico.

 


Primeiramente veio a publicação “O Santuário de Santo Antônio”  jornal; depois, editado como revista elemento importante para fomentar a devoção antoniana e motivar os fiéis a ajudarem na conclusão do novo templo.

 

Pelo Decreto nº 149, de 30 de dezembro de 1944, o arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Antônio dos Santos Cabral, criou a Paróquia de Santo Antônio de Divinópolis.   Ao   segundo   vigário   da   Paróquia   de   Santo   Antônio,   Frei   Carlos   Schep, OFM empossado em 17 de junho de 1945, coube à conclusão do Santuário, tendo sido ele o responsável pela vinda do frade artista holandês Frei Humberto Randag, OFM com formação nas Academias de Arte de Tilburg e Amsterdam, para pintar os deslumbrantes painéis que ornamentam o interior do templo, que foram festivamente inaugurados em novembro de 1949, ao ensejo das comemorações do 25º aniversário da chegada dos franciscanos a Divinópolis. Pela sua importância estética e histórica, essa monumental obra foi tombada pela Lei Municipal no 2.459, de 15 de dezembro de 1988, o que significa que seu entorno, conforme orientação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA- MG), fica também protegido.

 

Em 16 de novembro de 1949, o Comissariado dos frades, cuja sede estava em Divinópolis, foi elevado à condição de “Província Franciscana da Santa Cruz no Brasil”, cuja   instalação   solene   ocorreu   em   8   de   janeiro   de   1950.   Com   o   fato,   Divinópolis consolidou-se   como   importante   centro   franciscano,   que   coordenava   os   trabalhos apostólico-missionário e cultural de 156 padres, 44 clérigos e 28 irmãos leigos, distribuídos em 20 paróquias de Minas Gerais, 8 do Rio Grande do Sul, 1 paróquia da Bahia e 2 paróquias do Rio de Janeiro; no curso de teologia de Divinópolis; no noviciado e curso de filosofia em Daltro Filho (RS); no seminário menor dos colégios   seráficos de Santos Dumont (MG) e Taquari (RS); e nos ginásios das cidades mineiras de São João Del Rei, Pará de Minas, Belo Horizonte e na cidade gaúcha de Não-Me-Toque. A sede da Província ficou em Divinópolis até 1959.

 

Há  que   se   destacar   que   muitos   frades   que   estudaram   ou   lecionaram   no convento de Divinópolis têm desempenhado importantes papéis na hierarquia eclesiástica:


o cardeal Aloísio Lorscheider foi bispo de Santo Ângelo (RS), secretário¬geral e, depois, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal arcebispo de Fortaleza (CE) e, em seguida, cardeal arcebispo de Aparecida (SP); o cardeal Cláudio Hummes foi bispo de Santo André (SP) e é o cardeal-arcebispo de São Paulo; e o arcebispo Dom Frei José Belisário da Silva, de São Luiz (MA). Outros frades, ligados a Divinópolis, que se tornaram bispos são: Dom Frei Filipe Tiago Broers (Caravelas-BA), Dom Frei Diogo Reesink (Teófilo Otoni-MG), Dom Frei Hugo van Stekeleburg (Almenara¬MG), Dom Frei Célio de Oliveira Goulart (Cachoeiro do Itapemirim-ES) e Dom Frei Dario Campos (Araçuaí-MG). Outro ex-aluno do convento é o brilhante professor e escritor José Murilo de Carvalho, membro da Academia Brasileira de Letras.

 

Com a desativação da Capela da Santa Cruz para os serviços religiosos, esse espaço tornou-se importante centro de cultura de Divinópolis; como espaço alternativo, serviu de palco para diversas manifestações culturais tais como: shows musicais, peças teatrais, mostras de cinema, debates e ensaio de coral, além de ter sido ocupado em 1985 pela 21ª Delegacia Regional de Ensino para almoxarifado.

 


Enquanto isso, na Paróquia de Santo Antônio, o trabalho dos franciscanos expandiu-se em várias frentes. Muitas associações foram criadas e floresceram, no decorrer da história: a Ordem Terceira, Pia União de Santo Antônio, Liga Católica, Apostolado da Oração, Filhas de Maria, Sociedade de São Vicente de Paulo, Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, Cruzada Eucarística, Círculo Operário, Juventude Operária Católica (JOC),   Juventude   Estudantil   Católica   (JEC),   Juventude   Franciscana   (JF),   Movimento  Familiar Cristão (MFC), Servas do Santuário, Legião de Maria, entre outros. O “Pão de Santo Antônio”, que se distribuía às terças¬feiras para as pessoas carentes, ganhou uma nova dinâmica com a criação das Obras Sociais da Paróquia de Santo Antônio.

 

A partir do trabalho dos frades novas paróquias vieram a ser criadas: Paróquia de Nossa Senhora da Guia (1959), Paróquia de São Cristóvão (1972), Paróquia de São José Operário (1975), além   da   construção   das   Igrejas   de   Nossa   Senhora   da   Imaculada   Conceição e de São Geraldo.

 

Em   artigo   na   revista   Santa   Cruz,   o   divinopolitano   Frei   Antônio   do   Prado, OFM mostrou a extensão das atividades dos frades, que transformaram o Convento de Santo Antônio em centro de fé, cultura e assistência social. Ele descreveu esse centro religioso como um “convento com teologado, escola profissional, curso de canto gregoriano, música e   encadernação,   círculo   operário,   atelier   de   paramentos,   editora   e   tipografia,   livraria, biblioteca, orquestra, escola cantorum, teatro e departamento catequético”.

 


Muitos divinopolitanos envolveram¬se com as atividades culturais promovidas pelos freis. Entre essas atividades destacaram-se: os corais infantis Pequenos Cantores de Divinópolis e Pequenos Cantores da Cruz de São Damião, o Coral Santo Antônio e o CoroMarupiara (adultos), a Orquestra Tabará, os cineclubes Vanguarda, Humberto Mauro e Branca de Neve.

 


A Gráfica Santo Antônio, construída na Rua São Paulo, além de propiciar empregos a vários profissionais, foi durante muitos anos importante centro de publicações e de difusão da fé e da cultura, por meio de livros, jornais, revistas e folhetos diversos. Por meio dela, muitos escritores divinopolitanos foram revelados à comunidade intelectual, alguns com destaque internacional.

 

O   Convento   original,   cujas   linhas   arquitetônicas   encantavam   as   pessoas   e motivo   de   orgulho   dos   divinopolitanos,   foi   demolido   na   década   de   60,   por   graves problemas   em   sua   estrutura;   em   seu   lugar   foi   construído   novo   edifício,   que   abriga atualmente a Biblioteca Provincial dos Franciscanos e o Centro Ecumênico de Formação e Espiritualidade (CEFESP), na Rua Minas Gerais.

 

O rico acervo da Biblioteca Provincial é composto de milhares de obras sobre os   mais   diversos   temas:   são   livros   de   arte,   direito,   filosofia,   pedagogia,   geografia, sociologia, ciência da religião, teologia e franciscanismo, entre os quais, obras raras do século XVII, todas à disposição da cidade. O CEFESP desenvolve intenso trabalho com a promoção de variados eventos, como palestras, encontros de reflexão, retiros, debates e outras atividades.

 

O Salão Paroquial de Santo Antônio, na Rua São Paulo, há vários anos tem sido a sede de diversos movimentos religiosos, culturais e comunitários, além de realizar eventos de lazer, ao lado do qual vários frades falecidos foram sepultados em área própria.

 


Com relação ao patrimônio natural daquela área, há que se lembrar que durante décadas o pomar com dezenas de árvores frutíferas e a horta ali plantadas abasteceram a mesa dos frades e de inúmeros munícipes. O trabalho evangelizador dos franciscanos, aliado ao estímulo das artes e das ciências que os frades têm despertado nos divinopolitanos nos últimos 85 anos justifica a entrega dessa moção e vem a engrandecer ainda mais os objetivos dessa casa.

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