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Rio Paraopeba pede socorro!

sábado, 21 de setembro de 13 às 21:21

O Rio Paraopeba mede, aproximadamente, 500 km. Nasce em Cristiano Otoni e deságua no Lago de Três Marias, em Felixlândia. Em cada uma de suas regiões (alto, médio e baixo), revela características diferentes e sustenta distintas economias. Ele banha quase 50 municípios em Minas Gerais.

No Alto Paraopeba (Conselheiro Lafaiete, Congonhas, Ouro Branco, Jeceaba, Belo Vale), o rio  sustenta atividades mineradoras e siderurgias. A região se destaca pela extração de minério de ferro. No Médio Paraopeba estão os municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Betim,  parte de Contagem, Ibirité, Sarzedo, São Joaquim de Bicas, Igarapé, Juatuba, Mateus Leme, Florestal, Esmeraldas, Mário Campos, Brumadinho...). Nesse trecho, além de mineradoras, o rio é obrigado a suportar as grandes indústrias de automobilismo, petroquímico e alimentício. Além disso, o rio sofre com a ação de grandes mineradoras na serra de Igarapé e Itatiaiuçu. No Baixo Paraopeba estão os Municípios de Sete Lagoas, Paraopeba, Caetanópolis, Fortuna de Minas, Maravilhas, parte de Curvelo, Pompéu e Felixlândia... Nesse trecho, podemos salientar o prejuízo pela extração de ardósia e produção de eucaliptos e atividades ligadas ao agronegócio.

Frei Pedro fala sobre as dificuldades de algumas comunidades afetadas pela mineração

“Paraopeba” é uma palavra que vem da língua tupi e quer dizer: Rio das águas rasas.  Esse Rio, que sempre foi manso e benfazejo, agora pede socorro por causa da ação humana. Pelo menos isso é o que afirma Frei Pedro José de Assis – 63 anos, Franciscano que reside em Citrolândia e tem uma grande proximidade com o rio.
Fr. Pedro disse que foi despertando para a gravidade da situação do Rio Paraopeba após as enchentes de 2011 para 2012. Após a passagem das águas a população foi surpreendida pelo grande saldo de minério que sobrou das enchentes. O sinal era claro: O rio pedia socorro!

Então um grupo de 50 pessoas, provenientes de 15 instituições atuantes na bacia do Rio Paraobeba, reuniu-se, na Colônia Santa Izabel - Betim, para um debate público sobre a situação. O encontro foi promovido pelo Centro de Ecologia Integral de Betim (CEIB) em parceria com outras entidades locais.

Frei Pedro disse que, a partir de então, o grupo decidiu unir todas as entidades ambientais da região para somar forças  e enfrentar a situação. Em de junho de 2013, cerca de 40 pessoas representantes de diversas organizações reuniram-se, na Casa de Retiros São Vicente de Paulo, em Igarapé, para debaterem a situação sócio-ambiental da Bacia do Paraopeba. Constatou-se que, além de lutar contra as causas da degradação do rio, era preciso, também, fortalecer as inúmeras formas de vida presentes naquele espaço. O CEIB foi um dos organizadores desse encontro. Os participantes do evento denunciaram as empresas mineradoras da região pelos danos ambientais ao rio e pelo desrespeito aos direitos humanos. Revelaram, também, grande preocupação com o avanço das atividades predatórias dessas empresas.

O segundo encontro de defesa do Meio Ambiente no Médio Paraopeba, aconteceu recentemente, nos dia 24 e 25 de agosto de 2013 no CEPE, Clube dos Empregados da Petrobrás, entre Ibirité e Sarzedo. Desse encontro, brevemente, deverá surgir um manifesto. O desafio é grande, mas assim como o rio vai contornando os obstáculos, o grupo também caminha.  O poder econômico corrompe e fala alto. As empresas mineradoras vão se apropriando ideologicamente da cultura, educação política. Nosso minério é exportado a preço de bananas e o povo fica com o prejuízo. Todo nosso consumo de minério, no Brasil gira em torno de 4% e o restante vai tudo para fora do país, segundo afirmações de Frei Pedro. Mas,  é preciso formar opinião sobre o assunto, é preciso mostrar o impacto ambiental e social produzido pelas atividades mineradoras, afirma Frei Pedro.

Duas audiências públicas foram promovidas, ultimamente, pelas mineradoras. É claro, que isso, não ajuda a população. Mas, o grupo também pretende convocar uma audiência pública, se possível, em outubro próximo. Nessa audiência pública pretende convocar os donos das mineradoras, não para falar, mas para ouvir o que as vítimas desse processo tem à dizer.

Frei Pedro disse que existe uma área, próxima a Itatiaiuçu, que foi adquirida por uma grande mineradora com objetivo de construir uma lagoa de rejeitos. Por causa disso,  diversas casas dos moradores foram demolidas. Mas, aconteceram reações da comunidade e, por isso, o projeto está suspenso. Amanhã -22/09, inclusive, deverá ser celebrada uma missa próxima a esse espaço. É a “Missa da Primavera”.

Quem quiser participar dessa celebração e conhecer esse local, pode anotar o endereço:

Local: Cachoeira dos Pintos – Rodovia MG  431, Km 65 – Estrada que liga Itaúna à Itatiaiuçu. Referência: Entrada na ponte do Ribeirão os Pintos, na Pracinha ao lado da Rodovia, Km 65, depois do radar. Seguindo o calçamento aproximadamente 03 km.

Maiores informações: pjcbassis@hotmail.com

Por Pe. Gabriel

Edição de áudio: Margareth Reis

Fotos: Emerson Barbosa

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