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PARÁ DE MINAS ENFRENTA GRANDE RACIONAMENTO DE ÁGUA

sábado, 21 de setembro de 13 às 22:23

Por unanimidade, a população de Pará de Minas desistiu do bolo de aniversário na comemoração dos seus 154 anos. O cancelamento da festa, em 20 de setembro, se deveu ao medo das pessoas em não conseguir lavar as mãos, meladas de doce.

O município mineiro, localizado há 76 kms da capital, Belo Horizonte, enfrenta um sério racionamento de água há mais de um mês e o problema pegou mais de oitenta mil consumidores desprevenidos. Embora a comunidade soubesse da falta d’água mundial, provocada pelo desrespeito do homem à natureza, ninguém esperava por isso.
A Copasa é apontada como responsável pela situação e se defende dizendo que nada disso estaria acontecendo, caso o contrato de prestação de serviços no município tivesse sido renovado há 3 anos. De fato o impasse dura todo esse tempo porque as negociações entre o município e a estatal têm esbarrado na falta de consenso.

No entendimento dos ambientalistas e até mesmo do Ministério Público da Comarca, através da Curadoria do Meio Ambiente, os termos propostos pela concessionária atendem muito mais a ela do que aos interesses do município. A sociedade cobra mais clareza nas obrigações contratuais e não aceita a imposição da elevação da tarifa de esgoto de 50% para 90%. Outro ponto polêmico é o sigilo em torno do lucro decorrente da prestação de serviços em Pará de Minas, no caso, abastecimento de água e esgotamento sanitário. “Deve ser uma fortuna, por isso tanto segredo”, dizem as correntes populares.

As divergências desaguaram na Câmara Municipal onde já foram realizadas algumas audiências públicas e diversas reuniões com a diretoria da empresa. Os vereadores também têm recebido inúmeras manifestações de repúdio, daí a cautela com o projeto que já passou por muitas revisões textuais e deve fomentar novos debates quando voltar ao legislativo.

Certo mesmo é que o problema só cresce de tamanho e as soluções, até então apontadas, não agradam nenhuma das partes. Para a Copasa, só há um jeito de manter o abastecimento pleno de Pará de Minas: buscar água em regiões próximas, por isso a necessidade do aumento da tarifação. Já o Ministério Público tem aconselhado ao prefeito e vereadores a não ceder, sob o argumento de que o faturamento da empresa cobre com folga os investimentos. A população continua apreensiva e, assim como há 30 anos, quando foi assinado o primeiro contrato, promete ir às ruas se for preciso.

Até o fim do impasse como fica a questão da água? Os consumidores têm invocado muito a ajuda de São Pedro mas já descobriram que evitar o desperdício é tão importante quanto as bênçãos divinas. O pequeno volume que tem chegado aos domicílios – muitas vezes com auxílio de caminhões pipa – precisa ser poupado a todo custo, pois na periferia, devido às questões topográfica e populacional, as torneiras estão secas.

DESCASO EM OUTROS MUNICÍPIOS – A insatisfação com a prestação de serviços da Copasa também está acontecendo no Norte de Minas e na Grande Belo Horizonte. As acusações vão desde propaganda enganosa, pelo atraso de obras, até a responsabilidade pela poluição de ribeirões. Alguns prefeitos buscam amparo jurídico para suspender os contratos, mesmo reconhecendo a dificuldade de encontrar outra solução imediata. A Copasa, por meio de sua assessoria de imprensa, nega as falhas afirmando que se trata apenas de uma má interpretação dos fatos.

Por: Myrtes Pereira - Jornalista (Rádio Santa Cruz)

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