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No mar de dor, um mar de fé...

terça-feira, 02 de abril de 19 às 14:13

“O Senhor cura os corações atribulados; ele enfaixa as feridas” (Sl 147,3). A verdade proclamada pelo salmista se concretizou, de uma forma muito real, em nosso clero diocesano. 


No dia 01 de abril, alguns dos padres da diocese de Divinópolis tiveram a oportunidade rica e fecunda de visitar a cidade de Brumadinho, envolta em meio a uma tragédia ambiental e humana sem precedentes em nossa região. Trinta e quatro padres saíram, logo na manhã de segunda-feira, para uma missão especial: visitar as famílias que, de alguma forma, foram atingidas pelo rompimento da barragem que vitimou mais de trezentas pessoas na cidade Brumadinho, na Arquidiocese de Belo Horizonte.


Por volta das 10 horas da manhã, chegamos à pequena cidade que vive dias de grandes tribulações e fomos acolhidos pela equipe da paróquia São Sebastião, liderada pelo pároco padre Renê. 
No primeiro momento, depois de um saboroso café, o pároco nos falou um pouco da sua experiência de ter que lidar com esta situação limite que está sendo vivida por ele como pastor do rebanho daquela cidade, há dois meses derramando rios de lágrimas pela catástrofe ambiental e humana ali experimentada. O padre nos falou do empenho dos leigos de lá e de outros lugares para diminuir um pouco  a dor daqueles que vivem na cidade, sobretudo aqueles que diretamente perderam seus entes queridos e amigos. 


Raquel, uma das voluntárias responsável pela coordenação dos trabalhos de arrecadação das doações, nos falou do desespero dos moradores diante daquilo que viviam, retratando a situação de um mar de dor. Falou-nos do drama de mães que acorriam a igreja chorando a perda de seus filhos. Em um dos seus relatos, emocionada, Raquel recordou uma experiência vivenciada no primeiro dia da tragédia: uma mãe, aos prantos, suplicava a Virgem Maria, que pudesse ajudá-la a encontrar seu filho vivo, como a própria Mãe de Jesus encontrou seu divino Filho no templo de Jerusalém. Mostrou-nos que o trabalho voluntário dos leigos naquela realidade é de acolhimento e cadastramento de famílias que foram atingidas de forma direta ou indireta pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão. Todos que lá se apresentam são acolhidos com amor e fortalecidos pela oração e presença de tantas pessoas que se solidarizam. Encontram forças para viver na fé, convictos de que aqueles que permanecem com Deus, depois da dor experimentam a alegria. A visita de tantas pessoas, padres, religiosos ou leigos são força de Deus que revigoram a esperança daqueles que têm os corações despedaçados pela dor. 


O nosso bispo Dom José Carlos, dirigindo-se aos padres de nossa diocese que lá estavam presentes, salientou que quem nos auxiliaria neste caminho seria o próprio Espírito Santo. Naquela missão, se preciso fosse, usaríamos palavras. Deveríamos pensar nesta missão como um recomeço. Recomeçar a partir de Deus, ajudando as famílias visitadas a não perder a fé, mesmo marcadas pela dor. Recomeçar juntos, apoiando-nos uns nos outros. Recomeçar com um outro olhar. Em nome de nossa Diocese, Dom José Carlos agradeceu a hospitalidade da paróquia nesta missão, em que se propõe uma igreja em saída. 


O vigário paroquial, Padre Tiago, nos deu os encaminhamentos para as visitas às famílias e para o atendimento das confissões. Assim, acompanhados por leigos da cidade, os padres de nossa diocese puderam levar uma palavra de fé e de conforto aos familiares e amigos das vítimas da grande tragédia que tomou conta da cidade de Brumadinho. 


Muitos foram aqueles que contaram as suas histórias de dor, por saber que aqueles que tanto amavam foram levados e ceifados pelo mar de lama. Algumas das histórias muito comoveram os nossos padres: uma senhora que não pode se despedir de sua irmã e que encontrou força na fé; um pai que se mantém forte mesmo não tendo a oportunidade de dar um sepultamento digno para seu filho, já prestes a se casar; uma tia que desolada fica à porta de casa à espera do sobrinho que nunca foi encontrado; uma idosa que busca manter a alegria mesmo sendo obrigada a lidar com a perda de seus quatro afilhados de batismo. 


Enfim, várias histórias e uma mesma dor: não poder dar aquele último adeus a quem tanto amam. Àqueles que lá estiveram para levar uma palavra de fé e esperança, saíram de lá, após a missa presidida pelo nosso bispo diocesano, revigorados para assumirem o compromisso de, a cada dia, curarem os corações feridos do rebanho do Senhor.

 

Padre Philipe Fernandes Nogueira

 

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