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CF/2016: Casa comum, nossa responsabilidade

sexta-feira, 05 de fevereiro de 16 às 10:16

Vale sublinhar três pontos de grande importância: o primeiro refere-se ao fato de ser uma campanha ecumênica, sob a direção de todas as Igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC).Não é a primeira nem será a última com as tintas do ecumenismo. Convém salientar que isso, sem dúvida, lhe confere maior eficácia e maior raio de ação. Além de aproximar os cristãos de um objetivo comum, num momento delicado em que religião e fundamentalismo radical parecem termos sinônimos.

 

Em segundo lugar, o tema da CF/2016 – Casa comum, nossa responsabilidade – chama a atenção não apenas para o direito à moradia ou à casa própria, sonho de todos e de cada família em particular. Mas também para os problemas ligados ao saneamento básico. Problemas que, como bem o sabemos, estão na raiz e uma série de doenças vinculadas à falta de estrutura, seja no fornecimento de água potável, seja no tratamento do esgoto.

 

Como se pode ler no texto-base, boa parte da população brasileira ainda se encontra à margem desses direitos fundamentais, reservados aos privilegiados que habitam os andares superiores da pirâmide social.

 

E por falar em "pirâmide social”, chegamos ao terceiro ponto. Aqui nos deparamos com o lema da CF/2016 – "Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24). Estas palavras bíblicas indicam a meta para a qual convergem todos os esforços dessa campanha de reflexão e ação pastoral durante o tempo da Quaresma. Tais esforços comportam uma dupla conversão: retorno pessoal ao encontro com Deus e compromisso social com os pobres.

 

Extraída do contexto do movimento profético, no Antigo Testamento, a frase traz à tona o tríplice apelo dos profetas: memória, denúncia e anúncio. A memória lembra ao povo de Israel que "foste escravo no Egito, de onde o Senhor te libertou e te conduziu à Terra Prometida”. Por isso, toda e qualquer forma de escravidão deve ser banida do projeto de Deus, em especial a privação dos direitos básicos que envolvem tanto a casa própria quanto a nossa casa comum que é o planeta Terra.

 

Está em jogo a experiência do êxodo, a qual deve ser retomada no contexto da monarquia e da opressão no interior do próprio Povo de Deus.

 

No sentido amplo da CF, se a casa é "comum”, também o deverá ser a nossa responsabilidade sobre sua conquista e preservação. Daí a necessidade da denúncia sobre uma política econômica globalizada que, longe de contribuir para o acesso de todos os povos a uma existência justa e digna, não raro expulsa populações inteiras da terra ou pátria que as viu nascer.

 

No âmbito nacional, as coisas não são diferentes. Muitos brasileiros e brasileiras se veem excluídos de condições reais de vida, relegados a uma espécie de cidadãos de segunda categoria. Favelas, cortiços e periferias longínquas, sem qualquer tipo de infraestrutura convivem, lado a lado, com bairros de luxo e condomínios de alto padrão.

 

O anúncio, enfim, é o complemento da denúncia, a outra face da mesma moeda. O "direito e a justiça” constitui uma das expressões mais comuns do vocabulário profético. Sua defesa faz parte do profetismo de ontem e de hoje. Como traduzir para os dias atuais esse tríplice apelo profético, vivificando-o diante das condições degradantes em que vive boa parte da população mundial e nacional?

 

A resposta exige o empenho de todos os cristãos e pessoas de boa vontade no sentido de trabalhar para que todas as pessoas sejam acolhidos na "casa comum”. Aqui a conversão pessoal complementa-se com a ação eclesial em favor do bem comum. A fé, tanto mais viva quanto mais ativa, desdobra-se no compromisso social para com os empobrecidos.

 

A CF/2016 nos propõe para o tempo quaresmal, entre outras coisas, o retorno ao vigor e à coragem do profetismo de todos os tempos. As Igrejas do CONIC entrelaçam na reflexão e na ação evangelizadora a memória do passado libertador, a denúncia de um presente que contradiz os planos divinos e o anúncio do futuro simbolizado na Terra Prometida ou no Reino de Deus.


 

Pe. Alfredo J. Gonçalves
Assessor das Pastorais Sociais

Fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=87945

 

Ouça, abaixo, o Hino da Campanha - Portal Kairós

 

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