×

Conteúdo

A tal Via-Sacra

quarta-feira, 31 de janeiro de 18 às 10:40

Conversando, recentemente, com um senhor que gosta de saber das coisas fui surpreendido com a seguinte pergunta:

- Padre, de onde vem a tal da Via-Sacra?

Fui pego de surpresa porque eu mesmo nunca havia parado para perguntar a origem dessa celebração. Sabia, conforme o próprio nome já indica que Via-Sacra significa Caminho Sagrado. Mas, qual caminho foi considerado sagrado primeiramente? Aí temos que remontar à paixão de Cristo. 

A Via-Sacra recorda os últimos passos de Jesus dados do pretório de Pilatos ao Santo Sepulcro, passando pelo Monte Calvário. Já no Séc IV, os romeiros que iam à Terra Santa ( Jerusalém), visitavam, de maneira informal os principais lugares pisados por Jesus durante sua paixão (prisão, julgamento e morte). Os antigos romeiros percorriam em Jerusalém a “via dolorosa” em sentido inverso, indo do Santo Sepulcro ao pretório romano. Segundo uma antiqüíssima tradição, a Virgem Maria visitava, diariamente,  o cenáculo, a casa de Anás e Caifás, o Calvário,  o Santo Sepulcro, o pretório, o horto de Getsêmani e a fortaleza de Antônia, em Sião.


No Séc XIII, os franciscanos reforçaram essa tradição, em Jerusalém. Colocaram algumas capelinhas e marcas de pedras na Via Dolorosa. A Via-Sacra começou a tomar sua forma atual no tempo da crescente devoção para com os sofrimentos de Jesus. Para aqueles que não podiam visitar a Terra Santa, os franciscanos se encarregaram de divulgar as “estações” da Via- Crucis substituída por quadros pintados.  As 13 estações e a 14ª  surgiram no Séc XIV junto com as imagens dos sete passos: Jesus na coluna, Ecce Homo, imagens da procissão do encontro, o corpo do Senhor Morto numa sepultura aberta.  Aquilo que já era um costume dos romeiros dos tempos antigos acabou se transformando na Via-Sacra que rezamos, sobretudo, durante o tempo quaresmal.


Desde o Séc XVIII, são contadas 14 estações, que vão da casa do julgamento até o santo sepulcro:


1, Jesus e condenado à morte,
2, Jesus leva a cruz aos ombros,
3, Jesus cai pela primeira vez,
4, Jesus se encontra com sua aflita mãe,
5, Simão Cirineu ajuda Jesus a carregar a cruz,
6, Verônica enxuga o rosto de Jesus,
7, Jesus cai pela segunda vez,
8, Jesus anima as filhas de Jerusalém,
9, Jesus cai pela terceira vez,
10, Jesus é despojado de suas vestes,
11, Jesus é pregado na cruz,
12, Jesus morre na cruz,
13, Jesus é descido da cruz,
14, Jesus é depositado no sepulcro.
A Via-Sacra moderna acrescentou, ainda, uma última estação: Jesus ressuscitou!


O hino tradicional da Via-Sacra: “A morrer crucificado...” é uma melodia brasileira. Antigamente, era cantada em latim (Stabat Mater). Já foi  cantada em diversas festas religiosas populares. A música também é chamada de “Pranto de Nossa Senhora”.


No Brasil, atualmente, a Via-Sacra, contempla os cantos da Campanha da Fraternidade, que é celebrada na quaresma.  O texto meditado preserva as estações da Via-Sacra  mas, também, os temas da Campanha da Fraternidade que mudam a cada ano. Em alguns lugares, a Via-Sacra é encenada. O sofrimento do povo brasileiro não fica de fora. Assim, Cristo, ainda sofre, no rosto do desempregado, morador de rua, menor abandonado, etc. Algumas Campanhas foram preparadas não apenas pela Igreja Católica, mas por um conjunto de Igrejas. O Ecumenismo e o diálogo inter-religioso são importantes na superação dos grandes problemas de nosso tempo.


Em Pará de Minas, existe uma grande celebração da Via-Sacra durante todos os Sábados da quaresma. Ela teve início em 2010 e vem crescendo a cada ano. A concentração dos fiéis tem início às 06 da manhã e a subida às 6h30. A oração é transmitida pelas Rádios Santa Cruz e Stilo FM. Um grupo de peregrinos sai do Bairro Santos Dumont, mais precisamente da Igreja Nossa Sra. Aparecida. Outro grupo sai do início das escadarias. O grupo que sai do Bairro Santos Dumont recebe também os peregrinos dos Bairros adjacentes. Tudo se encerra com a bênção final, que acontece às 08h. Sendo assim, todos podem participar da Via-Sacra e ainda seguir para o trabalho. É muito grande o número dos peregrinos que seguem a Via-Sacra ou acompanham pelas rádios e internet. Isso mostra que essa celebração penitencial, que remonta aos tempos primitivos da Igreja está mais viva do que nunca.

Louvado seja Deus!

 


Fonte consultada: Dicionário da Religiosidade Popular – de Frei Chico

Fotos: Arquivo de Pe. Gabriel

Video da Via-Sacra de 2017

 

 

Notícias Relacionadas

13 abr 18
27 out 14
05 nov 15
26 out 15

Parceiros