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Pastoral Missionária Diocesana celebra aniversário de 50 anos de evangelização

domingo, 22 de julho de 18 às 17:19

Na manhã deste domingo, 22 de julho, após a celebração de Abertura Diocesana do Jubileu de Diamante da Diocese de Divinópolis(Veja Aqui), aconteceu, no Centro Diocesano de Pastoral, em Divinópolis, a cerimônia de aniversário de 50 anos da Pastoral Rural Diocesana, hoje conhecida como Pastoral Missionária. A cerimônia contou com a presença do Núncio Apostólico, Dom Giovanni d'Aniello; de Dom José Carlos, Bispo de Divinópolis; de Dom Francisco Cota; Bispo Auxiliar de Curitiba; de Dom Hugo, Bispo Emérito de Almenara; do Padre Lúcio Camargos, Coordenador Diocesano de Pastoral; do Padre Everaldo Quirino, Coordenador da Pastoral Missionária; de diversos padres e seminaristas e de representates paroquiais da Pastoral Missionária.

 

Um dos principais trabalhos da Pastoral Missionária na Diocese de Divinópolis é a vigorosa presença dos missionários nas celebrações da Semana Santa, em todas as capelas (rurais e urbanas) de nossa diocese. Atualmente, a Diocese de Divinópolis conta com, aproxidamente, 480 missionários, que estarão distribuidos em cerca 220 comunidades rurais e urbanas, em toda as paróquias da diocese. O trabalho missionário destes homens e mulheres é, basicamente, promover uma intensa Semana Santa nas comunidades, onde os padres não vão conseguir estar presentes.

 

Padre Everaldo está à frente da Pastoral Missionária desde o ano de 2014. Em entrevista, ele falou da grande importância da Pastoral Missionária em nossa diocese: 

 

 

A cerimônia de aniversário da Pastoral Missionária contou com o lançamento de um revista comemorativa, que conta um pouco da história destes 50 anos de evangelização da pastoral. Em entrevista, um dos organizadores da Revista Comemorativa, junto ao Mário Leão, Marcos Sávio, mais conhecido como Becão, falou um pouco da história da Pastoral: 

 

 

O bispo da época da criação da Pastoral confiou a dois presbíteros recém ordenados, Padre Ordones e Padre Demóstenes, a coordenação de todo esse trabalho e, evidentemente, além de uma equipe, logo no início de 1969, eles puderam contar com a participação integral do leigo Hamilton Gregório, que passou a trabalhar como funcionário da Diocese e que, com certeza, tinha a Pastoral Rural como a “menina de seus olhos”. Durante a cerimônia, ambos falaram um pouco da história da Pastoral: 

 

Padre Ordones:

 

 

Padre Demóstenes: 

 

 

A cerimônia foi encerrada com um almoço fraterno. 

 

CLIQUE AQUI PARA VER AS FOTOS DA CERIMÔNIA DE ANIVERSÁRIO DA PASTORAL MISSIONÁRIA.

 

 

A PASTORAL MISSIONÁRIA

 

Um aspecto que seria decisivo e que marcou profundamente a vida de nossa Igreja foi o fato de que Dom Cristiano, três anos após tomar posse, participou ativamente do Concílio Vaticano II e, depois de voltar de Roma, se empenhou para colocar em prática, principalmente as Decisões Conciliares referentes à nova visão e o papel que os leigos deveriam ter na Igreja e, como cristãos, agindo na sociedade.

 

São palavras de dom Cristiano, nosso 1º bispo: “Estou plenamente convencido de que, mais tarde, ao estudarem a História da Igreja, o Concílio Vaticano II brilhará como o grande acontecimento do século XX, um dos marcos mais luminosos da trajetória do Povo de Deus, através de todos os tempos. E, no plano do Altíssimo, uma das grandes tarefas do Concílio Vaticano II foi destacar a ação do laicato na Igreja. Durante séculos, os leigos tinham ficado bastante inertes, muito parados, mesmo. Deixavam o apostolado para os sacerdotes e religiosos. Agora, começava um novo período, a era dos leigos. Direi melhor: um recomeço. Pois na Igreja Primitiva foi intensa a ação do laicato. A leitura dos Atos dos Apóstolos, assim como das cartas de S. Paulo, mostra, claramente, como a constituição das primeiras cristandades se fazia especialmente por meio de homens e mulheres das mais diversas condições sociais, todos leigos”.

 

Assim, sendo, foi pensada a Pastoral Rural e, para a sua efetivação e os primeiros trabalhos, foi imprescindível o apoio e a participação dos Vicentinos, já que as Conferências eram uma realidade em uma infinidade de Comunidades espalhadas pelo território diocesano.

 

Não se pode deixar de ressaltar que o “embrião” da Pastoral Rural foi um movimento criado nos anos 50-60, chamado CODAR - Conselho Divinopolitano de Assistência Rural, que se fez presente em muitas comunidades rurais no entorno da cidade, tendo à frente o frade franciscano Pe. Frei Bernardino, O.F.M. e toda uma equipe de apoio, que contava com a participação de educadores, psicólogos, assistentes sociais, técnicos em saúde e agricultura. A atuação desse grupo pode ser identificada de forma direta, pois o modo como desenvolvia sua ação educativa e política nas comunidades deixava transparecer o objetivo fundamental que era estimular as pessoas à autonomia e à responsabilidade em relação às suas próprias vidas.

 

Afirmava o religioso franciscano: “O que precisamos fazer é levar esse povo a fazer as coisas por si mesmo. Não interessa que tipo de assistência que a gente dá, porque o povo tinha de desenvolver suas qualidades. O centro era o povo e o desenvolvimento do povo por seus próprios talentos”.

 

Muitos iriam perguntar se realmente era necessária tal assistência, se eles sozinhos não seriam capazes de encontrar seu próprio caminho. Diante da situação em que o homem rural se encontrava, referindo-se ao atraso em todos os níveis, sendo lembrado apenas como “gente” em vésperas de eleições, o religioso tinha convicção de que era preciso uma presença de “fora” que lhes estendesse a mão. Sem nunca duvidar de sua capacidade e talento, visualizava que, naquele estágio, para o homem rural buscar sozinho uma saída, alcançar um nível digno de vida e o lugar que verdadeiramente mereceria enquanto ser social, “seria acreditar em um milagre muito difícil de se realizar, para não dizer, impossível”.

 

Foram visíveis as conquistas, não só em termos materiais, mas também na construção de escolas, melhoria nas condições das estradas, aproveitamento das modernas técnicas agrícolas; houve também significativos ganhos no que se refere a mudanças no comportamento individual e coletivo, o que se pôde visualizar com a maciça participação nas campanhas de higienização, trabalho médico preventivo e, sobretudo, nos próprios moradores acreditando em si mesmos.

 

Na sede da Diocese foram realizados diversos momentos de formação, chamados de Cursos para Dirigentes, onde, como foi salientado acima, os participantes recebiam Catequese, além de serem preparados para animar as celebrações dominicais, juntamente com toda uma orientação sobre técnicas agrícolas, orientação de saúde e de organização sindical. De fato, acontecia o princípio “de se pensar o homem todo e todo o homem”.

 

   

Com toda uma organização montada, foi dado um segundo passo que era possibilitar que os moradores das Comunidades um pouco mais estruturadas não precisassem se deslocar para a Matriz quando da celebração da Semana Santa. Foi, então, que a Diocese pôde revelar para a Igreja do Brasil um trabalho pioneiro: a formação de Equipes Missionárias Leigas para presidirem as celebrações na Semana Maior da Cristandade. E não só as Celebrações eram de responsabilidade da Equipe, mas todo um trabalho envolvendo casais, jovens, crianças, intercalado com momentos de encenações (com destaque para o “Plano de Salvação”), caminhadas penitenciais, visitas aos doentes e enfermos.

 

Aos poucos, essa ação que teve início oficialmente no ano de 1969, foi se espalhando para muitas outras Comunidades. Um verdadeiro batalhão de colaboradores do Reino passou pelos momentos de Preparação (identificados como “Retiros da Semana Santa”), sempre com a atenção preciosa dos nossos bispos, pois sabiam eles da importância de tal trabalho. Era o “sonho”, um “pedacinho” do Concílio se realizando e se concretizando: Leigos sendo verdadeiramente Igreja!

 

A realidade cada vez mais desafiadora e exigente fez com que o trabalho também fosse sendo moldado para dar respostas às indagações de cada tempo. Assim, vale destacar uma observação de Pe. Ailson, que colaborou imensamente durante um bom tempo na coordenação da Pastoral. Ele diz: “A Pastoral Missionária concentrou esforços no sentido de formar e motivar os Missionários da Semana Santa para que atuassem como Ministros da Palavra, e os Ministros da Palavra que se abrissem para os trabalhos missionários durante a Semana Santa. Foram períodos de grandes experiências missionárias onde equipes atuavam fora das Paróquias e algumas celebrando em outras Dioceses”.

 

De um trabalho inicialmente pensado para atender ao ambiente rural, a necessidade o fez estar presente em diversas Comunidades nas periferias urbanas, e até mesmo em outras Dioceses. Assim, não se podia mais pensar só em contar com o chamado “Missionário da Semana Santa”. Também, buscando estar em sintonia com as diretrizes diocesanas, a partir de 1993, o trabalho de preparação e a formação da maioria das Equipes foi para atender, de modo específico, às Foranias, sem evidentemente perder a ligação com o que é sabiamente orientado pela Equipe da Coordenação Diocesana, atualmente sob a responsabilidade do Pe. Everaldo.

 

Chegamos aos 50 anos e, contemplando todos os frutos, fica a certeza de que a Pastoral Rural/Missionária faz um bem para nossas Comunidades. Ao fazermos memória do caminho trilhado e diante de todo o legado, só aumenta a responsabilidade de quem hoje se oferece para registrar novas páginas no livro desta bonita e significativa história.

 

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