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Histórico da Paróquia de São Joaquim - São Joaquim de Bicas

A Paróquia de São Joaquim foi criada pela lei n 3.141,  em 18 de outubro de 1883, integrando a diocese de Mariana.
A região  era formada por muitos fazendeiros que  davam sustentação à Igreja, com ofertas em produtos cultivados  em suas terras. A família  Silva Couto, moradora da região, decidiu doar uma grande quantia de terras para compor o patrimônio do padroeiro São Joaquim,   com escrituração lavrada no dia 10 de novembro de 1902. Todo esse terreno doado pela família Silva Couto até hoje conhecido como Campo de São Joaquim. Posteriormente foi desapropriado pela Prefeitura Municipal e constitui hoje o Distrito Industrial Aristides Mendonça.
Em 29 de agosto de 1903, a nova Igreja de São Joaquim de Bicas recebe a abono de Deus pelas maos do Pe. Francisco de Paula Ferreira Palhares e Pe. Ozório de Oliveira Braga, autorizadas pelo Revmo. Pe. Joaquim Paula Vieira, vigário de Mateus Leme. Apos a bênção, seguiu-se procissão  abrilhantada pela banda musical  Santa Cecília, ... essa solenidade se reveste da mais santa beleza, enchendo de júbilo a quantos a presenciaram.
Após a bênção um grupo de fiéis formou a  Sociedade Progressista  e comprometeu-se em conservar a igreja e dotá-la de paramentos, vasos sagrados e o necessário para o Culto Divino. Esse grupo era coordenado por Pedro do Amaral Bambirra (secretario), Ovidio de Oliveira Aguiar (tesoureiro).
Pedro do Amaral Bambirra nasceu em 29 de junho de 1864 e faleceu em 26 de marco de 1905. Líder do pequeno povoado, idealista de profundo espírito cristo, Bambirra ajudou na construo da Igreja matriz, idealizou a coroação de Nossa Senhora das Graças, com a coroa sendo carregada pelo Espírito Santo em forma de pomba; tradição mantida até hoje nas festas do Mês de Maio. Seus restos mortais estão sepultados dentro da Igreja Matriz.
A Paróquia tem como padroeiro o avô de Jesus, São Joaquim, cujos festejos em sua honra eram celebrados, tradicionalmente, no mês de agosto e  que, nos últimos anos, passaram a acontecer, juntamente com a festa de Santana , no dia 26 de julho.
A igreja erguida no alto da colina era motivo de orgulho para todos os fiéis. Famílias inteiras viajavam quilômetros, ora nos lombos dos animais, ora de carro de boi e a pé para participarem das missas e da festa do padroeiro que aconteciam sempre no  mês de agosto. Moradores mais velhos da região descrevem a igreja como sendo de grande beleza.  Construída com adobem apresentava molduras bem talhadasm com nomem das pessoas que ajudaram na construção, e um grande candelabro suspenso no teto. O altar era separado da assembleia por graciosas colunas de madeira. Existia também o lugar específico para os sacerdotes fazerem as pregações nos dias especiais do calendário cristão.
Quando não tinha padre residente no lugar os devotos recebiam assistência espiritual do pároco de Mateus Leme, que vinha  a cavalo e quando se aproximava dos arredores do arraial, soltava foguetes para que a comunidade se preparasse para as celebrações. Ao que tudo indica, São Joaquim de Bicas perdeu o “status” de paróquia em data imprecisa, pois foi elevado a curato por Dom Silvério Gomes Pimenta, bispo de Mariana, no  27 de fevereiro de 1909.  Em 09 de março de 1909 já reuniam na Igreja Matriz um grupo de confrades da Sociedade de São Vicente de Paulo.  Com a arrecadação,  era possível ajudar as famílias carentes da região.
Existia na comunidade o Conselho da Fábrica. O fabriqueiro tinha a responsabilidade de zelar pelos paramentos e alfaias, imagens, patrimônio de terras e gados. Competia-lhe fazer todos os pagamentos e os recebimentos. Foi criado pelo Capelão-cura, Pe. Arcângelo Ordine, em 04 de julho de 1921 e  a primeira deliberação tomada  pelo conselheiro foi a reconstrução do cemitério local, que foi reinaugurado no dia 28 de agosto de 1921.
Na medida que São Joaquim de Bicas foi crescendo a igrejinha já não comportava mais o grande número de fiéis. Era preciso construir uma nova igreja. Para erguê-la era necessário a bênção da pedra fundamental por uma autoridade eclesiástica: o Bispo de Mariana. O povo se mobilizou em constantes peregrinações a Mariana, até que o sonho se realizou. A comunidade se organizou e iniciou a reforma  da Igreja Matriz, sob a liderança do Sr. Álvaro de Sales Barbosa. O material foi doado pelos fiéis e transportado em lombo de animais e carro de boi. A reforma foi concretizada.
Em março de 1962 o Pe. Frei Bruno Goettins pediu ao bispo de Divinópolis, Dom Cristiano de Araujo Pena, para que desse permissão aos padres franciscanos do Convento de São Francisco de Chagas, de Belo Horizonte, para cuidar da paróquia. O fato de ser uma paróquia tipicamente rural levou, em julho de 1962 a organização da Festa da Colheita, com jogos cênicos pelos rapazes e moças, exposição dos produtos da região, danças folclóricas e concurso da Rainha da Colheita, cuja renda ficava em benefício da igreja.
O trabalho franciscano atingia  toda a comunidade. Foi registrada a intensa participação masculina nas missas e o fervor das conferências vicentinas. Para atender os jovens foram fundados dois núcleos (feminino e masculino) da JAC – Juventude Agrária Católica.
Apesar da pequena distância de Belo Horizonte, a paróquia tinha características rurais e estava sujeita às mais diversas influências da capital mineira. Os franciscanos empreenderam uma renovação da paróquia para que se tornasse uma comunidade cristã viva e autêntica, desenvolvendo um Plano de Ação Pastoral. Conseguindo envolver todos os paroquianos  surgiu a necessidade de construir um salão Paroquial.  No dia 04 de abril de 1965 acontece, solenemente, o lançamento e bênção da pedra fundamental do Salão Paroquial, cuja finalidade seria as reuniões das diversas associações da paróquia,  festas da comunidade e catecismo paroquial.
Em 1969, a mitra diocesana doa o terreno do Patrimônio de São Joaquim (57 hectares) para a sociedade do Movimento dos Focolares com a finalidade de se fazer aqui a Mariápolis do Brasil. Dez anos depois, em visita pastoral, D. José Costa Campos  anuncia a devolução do terreno à Paróquia já que  as cláusulas do contrato não foram cumpridas pelos Focolarinos.
Em 1977, o bispo diocesano em reunião com o conselho paroquial aprova os lotes para o início da construção da Capela de São Vicente de Paulo, no bairro Tereza Cristina. Os paroquianos se mobilizam com a realização de quermesses no mês de maio para angariar fundos para as obras.  Em janeiro de 1984 a torre da Matriz é revestida com pedras São Tomé e posteriormente toda a parte externa da igreja.
Pe. Carlinhos  desenvolveu aqui sua missão evangelizadora e buscou, com seu jeito simples, dar uma resposta, em forma de testemunho e de serviço, ao chamado de Deus. Mobilizou a população para a construção da Creche São Tarcísio, projetou e iniciou as construções da casa paroquial, Centro Catequético e nova Igreja. Deus nos agraciou com a presença do Pe. Carlinhos para que vivesse aqui no meio de nós e nos ensinasse que fomos criados para a eternidade. E no dia 05 de julho de 1.998, Deus o chamou de volta ao Reino Celestial. Mas aprendemos com ele que a morte não é o fim, mas o início da nova e definitiva vida. E que a vida não é tirada, mas transformada. A alegria dos momentos vividos junto ao Pe. Carlinhos nesta comunidade permanecerá e sua lembrança jamais cairá no esquecimento. As sementes espalhadas  por suas mãos sacerdotais brotaram e nós, paroquianos, nos responsabilizamos pelo cultivo.

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