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Comentário do Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum (Jo 2,1-11) - 19/10/14

sexta-feira, 17 de outubro de 14 às 10:37

Naquele tempo, 15os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra.

16Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências.

17Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?”
18Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha?

19Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda.
20E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?”

21Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 


Comentário do Padre Guilherme

 

 

Na época de Jesus, toda a região da Judeia estava sob o domínio de Roma. Entre as obrigações financeiras que os povos submetidos ao império romano tinham que pagar, como pedágios, taxas de alfândega e muitas outras, havia um imposto específico ao qual toda pessoa, menos crianças e anciãos, eram obrigados. Era um sinal de reconhecimento da submissão a Roma. Esse imposto era sentido por todo o povo de Israel com uma humilhação. Por isso, havia um sentimento de revolta a respeito dessa obrigação.


Ter que pagar esse imposto mexia com o sentimento religioso daquele povo. Fazia parecer uma submissão também de ordem religiosa, espiritual. Para eles, somente Deus poderia ser reconhecido como um Senhor e nunca o imperador de uma nação estrangeira que os dominava.


Podemos entender então que dever ou não pagar esse imposto era um assunto que levantava polêmicas. Assim, os adversários de Jesus se aproveitaram dessa questão para Lhe fazer uma armadilha. Se Jesus dissesse que o imposto deveria ser pago, ficaria numa posição contrária à religiosidade do povo. Seria considerado traidor. Se dissesse que o imposto não deveria ser pago, estaria indo contra as determinações do império romano, podendo ser denunciado por desobediência.


Jesus responde à questão dizendo algo que eles não esperavam ouvir. Por estarem sob o domínio de Roma, os judeus faziam uso das moedas romanas, que traziam a figura e a inscrição do imperador. Era uma demonstração simples dessa dominação estrangeira. Assim, mesmo que não concordassem, as pessoas pagavam o imposto porque não tinham outra escolha. E o poder do imperador romano era um poder terreno e não divino. Assim como as moedas têm um valor terreno, material e não espiritual. O reconhecimento como divindade, a veneração espiritual, a adoração só caberiam em relação a Deus e nunca ao imperador que, embora tivesse poder e autoridade política, não passava de outro ser humano como todos os outros.


A resposta de Jesus mostra que as relações do povo com Deus e com o imperador são de ordens diferentes: espiritual e humana. O poder do imperador não tem nenhum traço de divindade. Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus significa jamais dar a um ser humano tratamento que só é devido ao Criador.


A obrigatoriedade do pagamento do imposto é uma questão terrena e incômoda. Mas, mesmo não podendo ser evitada, não era impedimento para uma adesão espiritual total a Deus, já que, para aqueles que acreditam, não existe outro Senhor.

 

 


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*Padre Guilherme da Silveira Machado é vigário paroquial na Paróquia de N. Sra. do Carmo, em Carmo do Cajuru. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14:00 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

 

 

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