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Comentário do Evangelho do 28º Domingo do Tempo Comum (Jo 2,1-11) - 12/10/14

domingo, 12 de outubro de 14 às 00:01

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente.

2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento.

3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”.
4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isto a mim? Minha hora ainda não chegou”.
5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”.
6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca.

8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram.

9O mestre-sala experimentou a água que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água.
10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!”
11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.



Comentário do Padre Guilherme

 

Esta passagem conta o que aconteceu nas Bodas de Caná. A transformação da água em vinho marca o início da missão de Jesus. Foi o primeiro dos sinais realizados por Ele. Para João, Jesus se revela não só pelas palavras de Seus ensinamentos, mas também através dos sinais prodigiosos que realizava.

O episódio apresenta profundas informações sobre toda a missão salvadora de Jesus. O milagre acontecer em uma festa, na comemoração de um casamento, é muito significativo porque as figuras de banquete e núpcias são referências claras às promessas messiânicas do Antigo Testamento (Is 54,4-8; 62,4-5).
Jesus fez surgir vinho em talhas de pedra que eram utilizados para as purificações rituais da religião judaica. Há mudanças no sentido religioso a partir de Jesus. Um vinho abundante e melhor mostra que algo velho devia dar lugar para o novo. Também o vinho de boa qualidade quando já se esperava um vinho pior é indicação de que, mesmo que aparentemente não exista mais possibilidade de esperança, vale a pena esperar de Deus. Ele surpreende as expectativas humanas com muito mais do que se espera.
Não há como ignorar a participação da Virgem Maria. No Evangelho de João, esta é uma das duas situações fundamentais onde ela aparece junto de Jesus. A outra é aos pés da cruz. Maria aparece, portanto, no início e no final da missão pública de seu filho. E esses dois momentos têm traços semelhantes como, por exemplo, Jesus chamando sua mãe de “mulher”. Isso não era uma falta de respeito ou algum jeito estranho de um filho se dirigir à sua mãe. Era comum na linguagem grega (na qual os Evangelhos foram escritos) esse tratamento entre filhos e pais. Era um jeito mais formal de tratamento.


A tradução literal da expressão grega dita por Jesus, quando responde ao comentário de Maria, é: “Que há para ti e para mim?” Nessa fala percebe-se a diferença de planos entre eles. Mais que solucionar uma situação de embaraço para os anfitriões da festa, a ação de Jesus tem um objetivo muito mais profundo.
A palavra “hora” geralmente é utilizada por Jesus para se referir ao momento definitivo da manifestação da glória divina através d’Ele. Esse momento é a cruz, que marca a passagem de Jesus para a glória. Todos os sinais realizados por Ele antes, isto é, os milagres, são antecipações dessa manifestação plena da cruz. O certo distanciamento entre Jesus e sua mãe quando se dirige a ela com um tratamento mais formal pode ter interpretação de que a manifestação da glória em Jesus acontece somente pela vontade de Deus.
Maria se dirigiu aos serventes da festa e pediu que eles obedecessem ao que Jesus mandasse. Esta ação dela mostra uma confiança profunda de que a manifestação da glória de Deus traz o bem. Embora pareça que Jesus não quisesse interferir, Maria confiava que seu filho tinha condições de solucionar a situação difícil.
O pedido de Maria tocou o coração de seu filho para que Ele antecipasse Seus planos. A fala de Maria aos serventes é um convite para todos que querem permanecer na fé: “Fazer o que Jesus disser”.
Jesus não só resolve a situação, mas revela já um pouco de Sua glória, como em todos os milagres que realiza. E há destinatários certos para essa ação. Até porque nem todas as pessoas presentes ficaram sabendo que foi graças a Ele que surgiu um vinho novo.
As talhas somavam uma grande quantidade: 600 litros. O vinho sempre foi sinal de alegria, era servido em festas e ocasiões especiais. A enorme quantidade significa uma alegria muito grande. E, ainda mais, um vinho de qualidade muito boa. Jesus inicia Sua missão com um sinal que indica a grande felicidade que deve ser sentida da parte dos homens. Com Ele a salvação começa a chegar.

 

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*Padre Guilherme da Silveira Machado é vigário paroquial na Paróquia de N. Sra. do Carmo, em Carmo do Cajuru. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14:00 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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