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Comentário ao Evangelho do Domingo da Epifania do Senhor (Mt 2,1-12) - 05/01/2020

quinta-feira, 02 de janeiro de 20 às 11:47

 

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”. 7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. 9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Um dos assuntos principais que Mateus trata em seu relato do Evangelho é o confronto que surgiu entre Jesus e os judeus daquele tempo. Nesta passagem pode-se perceber que a chegada do Salvador preocupou o rei Herodes. Ele fazia parte do grupo das pessoas que viam a chegada de um Messias como ameaça ao poder que detinham e do qual se beneficiavam, oprimindo e escravizando o povo.

 

Os sábios que buscavam visitar o Messias vinham de terras distantes. Sua origem é sinal de que o Salvador veio para todos os povos. O amor divino que se pode experimentar em Jesus é uma possibilidade aberta a todas as pessoas, mesmo as que pertençam a outras crenças ou religiões. A estrela que serviu de guia para esses forasteiros mostra que também na natureza, fruto da criação divina, há possibilidades de se perceber sinais que indiquem a presença e o amor de Deus.

 

Os magos acreditaram no que Herodes disse e continuaram sua viagem seguindo a estrela. Quando chegaram ao local onde Jesus estava com seus pais, ofereceram presentes tradicionais da região de onde vieram, que parece ser do oriente, mais precisamente da Arábia. Os presentes também referências sobre o futuro da vida do Menino Jesus: O ouro é sinal da realeza, poder de rei que tem o Filho de Deus. O incenso é um material próprio para ser utilizado em momentos de oração: sua fumaça e perfume preenchem todo o espaço, como que recolhendo as intenções e, depois, sobe ao céu, chegando a Deus. Assim é a missão de Jesus, que veio para ajuntar todos os seres humanos e os levar ao Criador. E a mirra trata-se de um material que costumava ser utilizado no embalsamamento, isto é, na preparação do corpo de alguém que morreu. É prefiguração da ação através da qual Jesus trouxe a salvação ao mundo: Sua morte redentora.

 

Os magos foram, entretanto, avisados em sonho para não voltar a Herodes. Deus intervém na história para garantir a salvação daqueles que Nele creem.

 

Diferente do Evangelho de Lucas, Mateus não descreve como o nascimento aconteceu, mas se preocupa mais em contar que é Jesus o Salvador esperado. E a confirmação disso aparece na profecia que anunciava o nascimento do Messias em Belém. Os chefes religiosos da época sabiam disso e, nesta passagem, pode-se perceber isso na resposta que eles deram quando Herodes perguntou sobre o local do nascimento do Salvador.

 

Tudo nessa profecia mostra certa semelhança entre Jesus e Davi: mesma cidade de nascimento, mesma descendência e mesma missão de chefe do povo. A esperança era que Deus enviaria um Messias que seria tão bom governante como foi o rei Davi. Entretanto, Jesus não encontrou boa acolhida entre todos os israelitas. Ao contrário, foi mais reconhecido por pessoas de origens distantes, de outras terras e religiões. Mateus quer deixar isso bem claro: Jesus foi mais bem recebido pelos pagãos que pelo povo de Israel.

 

Essa é ainda uma questão presente em nossa religião. As pessoas que se deixam apegar em excesso aos esquemas, normas e poderes da fé correm risco de enxergar menos a presença de Jesus que as pessoas que talvez nem tenham muita prática religiosa. Isso serve de alerta a todos os que vivem a fé: preocupação exagerada com normas e sistemas religiosos podem levar ao afastamento da verdadeira vontade de Deus.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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