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Comentário ao Evangelho do Domingo da Assunção de Maria (Lc 1,39-56) - 19/08/18

quinta-feira, 16 de agosto de 18 às 12:52

Naqueles dias, 39Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judeia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre! 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu. 46Então Maria disse: “A minha alma engrandece o Senhor, 47e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, 48porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, 49porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, 50e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o temem. 51Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. 52Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. 53Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias. 54Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, 55conforme prometera aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.” 56Maria ficou três meses com Isabel; depois voltou para casa.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

Comentário do Padre Guilherme

 


Neste trecho, Lucas descreve um encontro entre a Virgem Maria e sua prima Isabel. Podemos dizer que é também o primeiro encontro entre os dois filhos, Jesus e João Batista, ainda no ventre materno.


No estremecimento da criança no seio de Isabel podemos ver, já, João Batista iniciando sua missão de anúncio da vinda do Messias.


A alegria domina todo o episódio: por parte de Isabel, da criança em seu ventre e de Maria. Uma felicidade diante da constatação de que as esperanças do povo estavam se cumprindo. Valeu a pena ter acreditado e esperado do Senhor. Ele agiu na história e a salvação estava para chegar.


Além de se sentir feliz, Isabel também ficou cheia do Espírito Santo. Proferiu a exclamação que passou a fazer parte de nossa oração à Virgem Maria: “Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre!” Mais tarde, outras pessoas também ficaram cheias do Espírito Santo diante da presença do Salvador, como o profeta Simeão, na ocasião da apresentação do Menino Jesus no Templo. A alegria e as exclamações podem ser consideradas anúncios da futura glorificação de Jesus ao derramar o Espírito sobre todos, em Pentecostes.


A pergunta de Isabel sobre a visita de Maria é semelhante à feita por Davi, no tempo do Antigo Testamento, quando a arca da Aliança foi trazida de volta a Jerusalém, depois de ter sido tomada pelos filisteus: “Como poderia vir à minha casa a arca do Senhor?” (2Sm 6,9). Enquanto a arca da Aliança trazia uma presença espiritual do Deus de Israel, Maria, a “nova arca”, trazia em seu ventre a presença real e verdadeira de Deus em Jesus Cristo.


Isabel bendisse Maria por ter acreditado: “Bem aventurada aquela que acreditou”. A confiança e a fé em Deus são garantias de felicidade, porque possibilitam a ação d’Ele na vida do ser humano. Ele, em Seu respeito à liberdade da fé, somente age e interfere na vida de quem acredita. Não se impõe e quer nossa aproximação por nossa própria vontade.


Em seguida, Maria entoou um cântico que ficou conhecido como “Magnificat” por ser esta a primeira palavra dita em sua versão, em latim. É uma oração de ação de graças, onde se encontram várias citações de passagens do Antigo Testamento que falam sobre a vinda do Messias. O início do cântico apresenta a ação de graças de Maria ao Criador. Em seguida, fala da gratidão de todo o povo de Israel pelo cumprimento das promessas da Aliança.


Esse cântico de Maria expressa a oração do pobre que confia no Senhor. É também convite a todos que estejam em alguma condição de pobreza material, espiritual, de amor, de esperança ou de fé, para voltarem suas orações e esperanças ao Deus que jamais abandona Seus filhos. Maria sentiu em sua própria carne, testemunhou em seu ventre e com sua vida, que a promessa de Deus se cumpre para aqueles que têm fé. Se Ele fez por Maria também fará para todos os seres humanos que acreditarem.
Maria permaneceu com Isabel durante os três últimos meses da gravidez da prima e depois voltou para casa. Lucas fez questão de deixar bem claro o afastamento de Maria depois do nascimento de João Batista. É um indicativo de que as missões de João Batista e de Jesus são distintas. João foi aquele que veio antes do Messias, preparando-Lhe o caminho e anunciando Sua chegada.


Além do início da missão do precursor, vemos, nesse episódio, duas mães louvando a ação divina em suas vidas. Devemos nos ater, de maneira especial, à figura da Virgem Maria. Ela é a serva fiel, aquela que se colocou a serviço. A partir do momento em que disse seu “sim”, passou a ser caminho de chegada de Jesus até a humanidade. Mulher simples, humilde e solidária. Sendo a mãe de quem foi muito esperado para trazer a salvação, não se considerou superior aos demais. Mesmo carregando o Salvador em seu ventre, colocou-se a serviço da prima que estava numa gravidez de risco pela idade avançada. Essa atitude nos ensina que o caminho da salvação é o do serviço ao irmão necessitado, da pobreza, da humildade, da fé e da confiança no amor de Deus.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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