×

Conteúdo

Comentário ao Evangelho do Domingo da Ascensão do Senhor (Lc 24,46-53) - 02/06/19

quinta-feira, 30 de maio de 19 às 01:55

 

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 46“Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso. 49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. 50Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. 52Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. 53E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Estes são os versículos finais do terceiro Evangelho. A Igreja entende que Lucas é também o autor do livro dos Atos dos Apóstolos. Nas duas obras são descritos dois tempos distintos: o tempo de Jesus e o tempo da Igreja. Neste pequeno encerramento aparecem, como uma antecipação, todos os temas da pregação apostólica que aparecem depois no livro dos Atos: a importância das Escrituras; a pregação da conversão e do perdão; e o papel de testemunhas conferido aos Doze.

 

O ponto de partida da missão dos apóstolos e da Igreja é o encontro com o Senhor ressuscitado. A partir disso é possível se abrir para o futuro, tendo consciência da responsabilidade para com os semelhantes. O ponto de referência do cristão é Jesus e tudo que Ele ensinou a respeito do projeto salvífico de Deus. O Salvador passa a ser a chave de leitura das antigas Escrituras. Mas é preciso trazer para o presente o anúncio público que Ele fez. Anúncio capaz de mudar a história humana. Pela conversão e pelo perdão dos pecados é possível mudar de vida e vencer o mal. A vitória de Jesus sobre a morte abre novo horizonte para que o ser humano não tenha mais medo da morte que está, em última instância, na origem da situação do pecado.

 

O anúncio que os discípulos foram convidados a fazer não é uma simples propaganda ideológica ou mensagem teórica. Muito mais que isso, trata-se de um testemunho. Eles viram e experimentaram essa realidade nova de Jesus. Para essa missão, receberam a investidura do Espírito Santo, que é um sinal da presença permanente do Senhor ressuscitado.

 

O livro dos Atos apresenta, assim, esses elementos essenciais da missão cristã: o Senhor morto e ressuscitado; o olhar para as antigas Escrituras a partir do conhecimento de Jesus; o convite à conversão e perdão dos pecados; e a força do Espírito Santo, que impulsiona todos.

 

Jesus subiu para junto do Pai. Sua ascensão poderia ser encarada como afastamento, mas na verdade não era. Ele permanece entre os Seus. Por isso os discípulos sentiram alegria. A partir daí, continuaram contando com a presença de seu Mestre. Não mais como antes, mas de forma sacramental e na pessoa do semelhante. Sempre que dois ou mais ser reunirem em nome de Jesus, podem ter confiança nessa presença.

 

É interessante notar que foi um acontecimento no templo de Jerusalém que iniciou este Evangelho: Zacarias exercendo seu sacerdócio. Também é uma ação religiosa no Templo que encerra o relato: a bendição a Deus pelos discípulos.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira

Notícias Relacionadas

26 dez 15
27 abr 18
23 jan 19
07 nov 14

Parceiros