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Comentário ao Evangelho do 5º Domingo da Quaresma (Jo 8,1-11) - 07/04/19

quinta-feira, 04 de abril de 19 às 05:30

Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Colocando-a no meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés, na lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?” 6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. 9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho com a mulher que estava lá, no meio do povo. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu também não te condeno. Podes ir e, de agora em diante, não peques mais”.

 

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Essa passagem conta mais uma das vezes que os mestres da lei e fariseus tentaram fazer armadilha para terem argumento para acusar Jesus. No fundo, interiormente, eles já O haviam  condenado. Sabiam que Ele era amigo dos pecadores e cobradores de impostos, sempre pronto a lhes perdoar. Apresentaram-Lhe, então, uma mulher adúltera. Caso Ele a perdoasse, teriam o argumento para acusá-Lo de contrariar a lei de Moisés, que prescrevia mesmo o apedrejamento em caso de adultério (Lv 20,10; Dt 22,22-24). E, se Jesus concordasse com o apedrejamento, estaria contrariando os princípios que anunciava.

 

Não apresentando nenhuma das duas respostas que eles esperavam, Jesus abaixou-se e começou a fazer traços no chão. Possivelmente, escreveu nomes de pecados que essas pessoas haviam cometido.

 

Na verdade, a lei indicava também o apedrejamento para as pessoas que tivessem cometido algo que fosse mal aos olhos de Deus (Dt 17,2-5). Provavelmente, entre o grupo dos que julgavam a mulher havia pessoas que já tinham cometido atos ruins. E foram saindo, um a um, talvez constrangidos de ver suas faltas enumeradas no chão.

 

A reação de Jesus em não responder parece ser também sinal de que aquelas pessoas não mereciam ser ouvidas, porque não procuravam a verdade. Quando insistiram, Jesus respondeu colocando o problema em uma situação inesperada por eles, porque os envolvia no assunto. Jesus não negou o juízo de Deus, mas convidou cada um ali a aplicar primeiro a lei a si mesmo. Adúlteros ou não, todos os seres humanos são pecadores, necessitados de perdão e conversão. Como aqueles homens se colocavam no direito de julgar, uma vez que também podiam ser julgados?

 

Ao final, Jesus fez também um juízo, porque tinha direito a fazer, já que é o Filho de Deus. Disse para a mulher que ela estava livre, mas era necessário que não pecasse mais. É um juízo de perdão e convite à conversão. Embora a mulher tivesse incorrido em uma falta grave, ainda estava viva, ainda havia possibilidade de mudar de vida, de converter-se. Assim é o juízo de Deus. Enquanto há vida, nada está acabado. Há ainda esperança de reconciliação.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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