×

Conteúdo

Comentário ao Evangelho do 4º Domingo da Quaresma (Lc 15,1-3.11-32) - 31/03/19

quinta-feira, 28 de março de 19 às 11:55

Naquele tempo, 1Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.” 3Então Jesus contou-lhes esta parábola: 11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região, e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isto lhe davam. 17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. 20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o, e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. 31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado’”.

 

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

 

Este trecho do Evangelho de Lucas traz uma das parábolas mais conhecidas da Bíblia. Na verdade, junto com as duas outras que a antecedem, da ovelha e da moeda perdida, formam um só ensinamento a respeito do amor de Deus apresentado por Jesus em resposta às críticas feitas pelos fariseus e mestres da lei.

 

As pessoas pecadoras daquele tempo eram consideradas impuras. Assim, os outros que pretendiam permanecer no estrito cumprimento da religião evitavam o contado com eles, temendo se contaminar com sua impureza. Os publicanos eram os cobradores de impostos da época. Só isso já era motivo para que a maioria das pessoas não gostasse deles. Ainda mais pelo fato de lidarem com dinheiro, algo impuro, acabavam ficando em situação semelhante à dos pecadores. Ninguém queria se aproximar deles por medo da contaminação e também pela antipatia de sua função coletora.

 

Naquela sociedade, a refeição era considerada um momento sagrado do dia. Os fariseus e mestres da Lei ficavam indignados pelo fato de Jesus acolher pessoas impuras. E, pior ainda, fazer refeição com eles.

 

Diante disso, Jesus contou três parábolas: da ovelha, da moeda e do filho. Com as três histórias, quis ensinar sobre o amor de Deus. É interessante que, a cada história, há certa progressão. Primeiro, uma ovelha de um grupo de cem. Depois, uma moeda entre dez. E, finalmente, um de dois filhos. As três narrativas falam de perda, procura ou espera e reencontro alegre e festivo.

 

A terceira história é a mais profunda e é a que traz o principal ensinamento. “Parábola do Filho Pródigo” talvez não seja o nome mais adequado para essa história, porque o personagem principal não é o filho, mas o pai. Um pai amoroso e cheio de esperança no amor de seus filhos. Que quer ver todos vivendo em fraterna união e alegria. Disposto a perdoar e que, diante da decisão de retorno de quem se afastou, se alegra e vai apressadamente ao encontro. É possível que Jesus tenha se baseado em situações semelhantes que viu acontecer nas famílias daquele tempo.

 

Pode bem ser que o filho mais novo não tivesse realmente se arrependido. Sua volta poderia estar motivada mesmo por saber que um pai dificilmente renega um filho, mesmo que lhe tenha causado desgosto. Mesmo magoado, não lhe negaria ao menos o alimento, que ele não conseguia nas terras onde estava. Outro fato interessante é a compreensão que podemos ter da indignação do filho mais velho. A situação, vista de forma superficial, pode parecer injusta.

 

Entretanto, observando bem a parábola, entendemos que o filho mais velho também estava perdido. Ainda que vivesse em casa, na companhia do pai, ainda não tinha compreendido o amor paterno. Sua preocupação era voltada mais para questões materiais. E também não conseguia ver seu irmão de um ponto de vista amoroso.

 

O pai acolheu ambos. O que se perdeu fora de casa, em semelhança da ovelha da primeira parábola. E também o que se perdeu dentro de casa, como a moeda da segunda história. As três parábolas, no fundo, formam uma só. Jesus ensina para os fariseus e mestres da Lei daquele tempo, e também para os de hoje, que existem pessoas perdidas fora da comunidade de fé, a Igreja. E, mais preocupante ainda, também dentro dela. Muita gente que vive intensamente na Igreja ainda não compreendeu verdadeiramente o significado da misericórdia e do amor divino. Sentem-se no direito de julgar e até de excluir o semelhante, como se não fôssemos todos irmãos.

 

Poderíamos pensar em um nome melhor para essa terceira parábola. Nem “do Filho Pródigo” e nem “do Pai Misericordioso”, como se costuma dizer. Mais oportuno seria talvez “Parábola do Pai Pródigo”. O termo “pródigo” significa alguém que gasta o que tem com largueza, com generosidade e sem fazer economia. É assim que Deus dirige Seu amor a nós.

 

Há em todos nós um pouco dos dois filhos da parábola. E Jesus não contou qual foi a reação do filho mais velho depois da fala do pai e nem se o filho mais novo viveu uma conversão depois de ser recebido em casa. Isso fica por nossa conta, depende de nós. Viver nossa conversão, voltar para Deus e ter o coração aberto para acolher os semelhantes, seguindo o exemplo do Pai.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

Notícias Relacionadas

20 abr 18
14 set 17
06 set 18
03 mar 17

Parceiros