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Comentário ao Evangelho do 3º Domingo do Tempo Comum (Lc 1,1-4;4,14-21) - 27/01/18

quarta-feira, 23 de janeiro de 19 às 14:55

1Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da palavra. 3Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. 4Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste.
Naquele tempo, 4,14Jesus voltou para a Galileia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga, no sábado, e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

No primeiro trecho do Evangelho, que vai do versículo 1 ao 4, Lucas escreveu uma espécie de introdução, na qual fala dos motivos que o levaram a escrever sua obra. Podemos tirar destes versículos algumas informações: Primeiro, que outras pessoas também se dedicaram a registrar, de forma escrita, os acontecimentos que ele começará a contar. Depois, que as informações sobre o que essas pessoas contaram, e também ele, vieram através da tradição oral.


Ele informa que fez alguma pesquisa a respeito do que aconteceu e resolveu escrever de uma forma organizada. O que se observa pela leitura da obra, principalmente na comparação com informações dos outros evangelhos e também de outras fontes, é que Lucas não conta os episódios conhecidos da vida de Jesus de forma totalmente cronológica. Sua preocupação é mais didática, vai contando conforme a importância e de maneira que o leitor possa conhecer bem quem é Jesus.


Também aparece o nome do destinatário do escrito, “Teófilo”, que parece tratar-se de alguém importante ou querido e que já havia sido iniciado nos ensinamentos de Jesus. Alguns estudiosos consideram que o significado deste nome de origem grega (Theo = Deus; philos = amigo de, amado de ou amado por) possa se referir não especificamente a uma única pessoa, mas talvez a alguém que tivesse já algum sentimento de amor ou atração por Deus através do que se podia experimentar nos ensinamentos de Jesus. Assim, esse escrito teria sido destinado a toda pessoa que tivesse vontade de conhecer e experimentar Deus em Jesus.


Lucas se apresenta como um escritor cristão e teólogo dedicado com uma intenção histórica respeitável de ajudar a conservar, para as pessoas da época e das gerações futuras, a possibilidade de caminhada para a salvação baseada em Jesus, que é Palavra de Deus aos homens.


No outro trecho, Lucas está contando que Jesus era levado pela força do Espírito que havia sido recebida em seu batismo, ocorrido pouco antes.


Como era costume da época, nas reuniões religiosas das sinagogas, após algumas orações, qualquer homem adulto poderia fazer a leitura de um trecho das escrituras e dar uma explicação para as pessoas. Jesus já tinha certa fama de mestre itinerante, sendo, inclusive, elogiado por isso. Assim, o chefe da sinagoga não opôs resistência que Ele fizesse a leitura e o comentário.


A leitura escolhida foi justamente um trecho do livro do profeta Isaías, que falava sobre o messias vindo da parte de Deus, que iria trazer a libertação de condições de sofrimento, pobreza e abandono. Pode-se dizer que Jesus disse que a promessa de Deus dos tempos antigos começava a se cumprir bem naquela hora, com Ele.


As reações que isso causou foram diversas. A partir disso, Jesus começou a ser mais observado e chamar mais atenção. Algumas pessoas acreditaram, outras não levaram a sério ou duvidaram. Houve, ainda, quem se indignasse. Começou, assim, o surgimento de desconfianças, pensamentos contrários e grande observação por parte de pessoas que se sentiam ameaçadas pelas coisas que aquele homem falava.


É interessante observar o evangelista deixando bem claro que o que movia Jesus era o Espírito de Deus. E, esse movimento era a realização do cumprimento das promessas divinas.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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