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Comentário ao Evangelho do 3º Domingo do Advento (Mt 11,2-11) - 15/12/19

quinta-feira, 12 de dezembro de 19 às 12:41

 

 

Naquele tempo, 2João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, 3para lhe perguntarem: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?” 4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!” 7Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões sobre João: “O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti’. 11Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Na pergunta de João Batista pode-se ver que havia entre as pessoas daquele tempo, até da parte do próprio precursor, certa dúvida que Jesus fosse mesmo o Salvador que esperavam. A figura messiânica que ocupava o imaginário de fé daquele povo não era exatamente do jeito que Jesus se apresentou. Eles esperavam um messias cheio de poder, político inclusive, que chegaria, dominaria a sociedade com força física e faria um grande julgamento.

 

Havia desproporção entre a maneira de agir do juiz que havia sido anunciado por João e a maneira de Jesus. Por isso o questionamento, que talvez até tivesse como intenção fazer Jesus começar a agir. Poderia ser mesmo uma intenção pessoal. O povo esperava um Messias que, entre outras ações, libertaria os prisioneiros. E, nessa altura dos acontecimentos, João estava preso e não parecia que Jesus fosse fazer algo para libertá-lo.

 

Na resposta de Jesus aparece um apanhado de trechos das profecias de Isaías, confirmando que era sim o Messias, mas que não era um juiz final. Ele anunciava a mensagem do Reino aos pobres, curava pessoas enfermas, expulsava demônios. Mas julgamento é uma ação que somente acontecerá no fim. E o fim ainda não chegou. Mesmo considerando que no versículo 6 já apareça algo como que um critério de julgamento: a tomada de posição a favor ou contra Jesus.

 

Todo esse contraste entre o Messias que o povo esperava e o Messias real mostra a diferença que existe entre a ambição humana e a ação real divina.

 

As falas que se seguem deixam claro que o reino é inaugurado com Jesus. João Batista não era o messias, como muitos pudessem pensar, apenas preparou o caminho para Jesus.

 

Não se trata de confronto entre duas pessoas, mas entre duas épocas. O tempo de João Batista é o da espera e da preparação. E nessa preparação, a figura do profeta no deserto, trajando roupas simples, vivendo de forma austera e realizando um batismo de arrependimento e perdão dos pecados, é um convite para que o ser humano repense suas ambições e egoísmos. Para poder acolher o Reino de Deus, que tem início em Jesus, é preciso conversão.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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