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Comentário ao Evangelho do 29º Domingo do Tempo Comum (Mt 22,15-21) - 18/10/20

sexta-feira, 16 de outubro de 20 às 15:07

 

Naquele tempo, 15os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. 16Então mandaram os seus discípulos, junto com alguns do partido de Herodes, para dizerem a Jesus: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências. 17Dize-nos, pois, o que pensas: É lícito ou não pagar imposto a César?” 18Jesus percebeu a maldade deles e disse: “Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha? 19Mostrai-me a moeda do imposto!” Levaram-lhe então a moeda. 20E Jesus disse: “De quem é a figura e a inscrição desta moeda?” 21Eles responderam: “De César”. Jesus então lhes disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

No tempo de Jesus, toda a região da Judeia estava sob o domínio de Roma. Entre as obrigações financeiras que os povos submetidos ao império romano deviam pagar, como pedágios, taxas de alfândega e outras, havia um imposto específico ao qual toda pessoa, menos crianças e anciãos, eram obrigados. Era um sinal de reconhecimento da submissão a Roma e, por isto, tido como humilhação pelo povo de Israel.

 

Essa imposição mexia com o sentido religioso daquele povo. Pois parecia ser também uma submissão de ordem espiritual. Para eles, somente Deus era seu Senhor e nunca um governante de nação estrangeira que os dominasse.

 

A questão de dever ou não pagar esse imposto já era um assunto polêmico. Os adversários de Jesus se aproveitaram da questão para Lhe armar uma cilada. Se Jesus dissesse que o imposto era devido, estaria contrariando a religiosidade do povo. Se dissesse que não deveria ser pago, iria contra as determinações do império romano, podendo ser denunciado por desobediência.

 

Mas Jesus deu uma resposta que eles não esperavam. Como estavam sob o domínio de Roma, os judeus faziam uso das moedas romanas, que traziam a figura e a inscrição do imperador. Mesmo que não concordassem, as pessoas pagavam o imposto porque não tinham outra escolha. E o poder do imperador romano era terreno e não divino. Assim como as moedas têm valor terreno, material e não espiritual. O reconhecimento como divindade, veneração espiritual e adoração só eram devidos a Deus e nunca a um imperador que, mesmo detendo autoridade política, não passava de outro ser humano como todos os outros.

 

A resposta de Jesus mostrou que as relações do povo com Deus e com o imperador são de ordens diferentes: uma espiritual e a outra humana. O poder do imperador não tem teor de divindade. Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus significa jamais dar a um ser humano tratamento que só é devido ao Criador.

 

A obrigatoriedade do pagamento do imposto é uma questão terrena e incômoda. Mas, mesmo não podendo ser evitada, não impedia uma adesão espiritual total a Deus, já que, para quem acredita, não existe outro Senhor.

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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