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Comentário ao Evangelho do 28o Domingo do Tempo Comum 13/10/2019 (Lc 17,11-19)

quinta-feira, 10 de outubro de 19 às 11:22

 

11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam à distância, 13e gritaram: “Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” 14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”.

 

No tempo de Jesus, existia um pensamento comum de que as pessoas com doenças contagiosas, como a lepra, adoeciam por castigo divino. Tinham de viver isoladas do resto da sociedade, não somente pelo risco de contágio, mas porque eram consideradas indignas. Unindo-se pela condição, viviam às margens das cidades, mesmo que tivessem origens diferentes. Nesta passagem, os leprosos que se dirigiram a Jesus encontravam-se entre a Samaria e a Galileia. Por isso, havia entre eles tanto samaritanos como judeus.

 

Nessa altura, muita gente já sabia do poder de Jesus de curar doenças. O grupo de leprosos clamou pedindo cura. Conforme a lei religiosa daquele tempo (Lv 14,2), somente os sacerdotes poderiam determinar se um leproso estava curado e assim pudesse voltar ao convívio social. Jesus parece ter recomendado que eles procurassem os sacerdotes por dois motivos: Primeiro, porque Ele não queria Se colocar contra a lei religiosa. Segundo, mostrar a importância da fé e da obediência.

 

Mas somente uma das dez pessoas curadas voltou para agradecer a Jesus. E justamente alguém que tinha origem dos samaritanos, grupo adversário dos judeus por motivos religiosos. Dos dez curados, somente um, pertencente ao grupo rival do grupo de Jesus, é que mostrou gratidão.

 

As perguntas de Jesus ao final da passagem indicam o mais importante que essa narração quer fazer pensar. Os dez leprosos confiaram na fala de Jesus porque entenderam que nela havia promessa de cura. E foram curados. Somente o samaritano (considerado pagão pelos galileus) voltou agradecendo e louvando a Deus. Esse louvor no agradecimento mostra o reconhecimento da presença divina na ação de Jesus. Além da cura física, passou também por uma transformação espiritual. Iniciou uma caminhada de salvação, que implica o reconhecimento da divindade de Jesus.

 

Pode-se entender deste episódio que a graça divina está aberta a todos que se abrem ao amor de Deus. Não é privilégio de só um grupo. E nem sempre quem se considera religioso praticante tem mais capacidade de reconhecer a presença e a ação divina que as pessoas que estão afastadas da religião.

 

O homem samaritano curado agiu muito mais como os pobres e pequenos para quem está destinado o reino de Deus. A salvação é dom que se destina a todos, sobretudo aos mais humildes. Importante também lembrar que é necessário cuidar não só da saúde do corpo, mas também do espírito.

 

 

*Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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