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Comentário ao Evangelho do 22º Domingo da Tempo Comum (Mt 16,21-27) - 03/09/17

quinta-feira, 31 de agosto de 17 às 08:19

Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

Neste trecho, vemos Jesus anunciando aos discípulos, pela primeira vez, Sua paixão. E também ensinando a eles que tipo de messias Ele é. Não seria difícil para Jesus prever que Seu fim seria trágico. Primeiro, porque já era dito em passagens da Escritura que o Messias ia ser incompreendido, sofrer, morrer e depois ressurgir. Além disso, nos últimos dias da Sua vida terrena, as autoridades e os mestres da Lei demonstravam claramente uma forte resistência contra Ele.


A morte de Jesus não foi apenas consequência de Suas ações, mas é parte de uma ação maior de Deus com um objetivo específico: a salvação dos homens.


Este episódio é mais um passo na caminhada de revelação da identidade de Jesus a Seus discípulos.


Diante dessas revelações, Pedro, que era decidido e firme a ponto de poder servir de “pedra de alicerce” para a Igreja, ao mesmo tempo, em sua humanidade, teve dificuldades para compreender os desígnios divinos. Não concordou, portanto, com a morte sofrida que Jesus estava anunciando para Si mesmo. O chefe dos apóstolos assumiu, então, um papel de ser contrário ao projeto de Deus. Por isso, ele agiu como o tentador: com intenção de desviar Jesus de Sua missão. Ele estava enxergando Jesus apenas com a perspectiva humana. O Mestre o repreendeu e convidou a procurar ver a situação de um ponto de vista mais espiritual.


Também nós somos inclinados a enxergar a vida apenas pelo lado humano. E, para alguém que contemple a história de Jesus com uma lógica puramente humana, a cruz parece uma loucura, como diz São Paulo (1Cor 1,17-3,4).


Longe de diminuir ou desvalorizar a figura de Pedro, esta passagem mostra a sua humanidade na tendência de pensar fora da lógica mais espiritual, como a maioria das pessoas também fazem. A contrariedade dele expressa bem o jeito humano de ser que, inicialmente, não consegue penetrar na lógica do espírito.


O povo daquele tempo era oprimido pelas autoridades, sofrido, carente. Assim, eles esperavam a vinda de um messias guerreiro, um herói que chegaria tomando o poder político de Israel e estabelecendo na terra o Reino de Deus. Pedro fazia parte desse povo. Jesus teve que lidar com essas esperanças heróicas, de poder e triunfo, que não fazem parte do projeto divino. Não é com violência e poder político que o Reino se torna realidade.


A fala de Pedro é expressão de uma vontade humana, colocada acima dos desígnios de Deus.


Jesus passa a ensinar, então, qual o caminho de Seu seguimento. A fidelidade a Deus deve ser tanta a ponto de ser mais valorizada que a própria vida. Quem quer seguir Jesus deve procurar se igualar a Ele nesta fidelidade.


O acúmulo e apego às riquezas e poderes terrenos não são garantias de vida plena. Pelo contrário, conduzem mais a um caminho que leva à perdição.


O esforço de quem deseja seguir Jesus deve ser de enfrentar as dificuldades, buscar o desapego material e manter a esperança no amor de Deus.


No final, citando o versículo 13 do Salmo 62, Jesus ensina que a retribuição ao final da vida de cada um será de acordo com o jeito que viveu.


Devemos buscar nossa conversão, examinando nossa vida e mudando nosso jeito de agir, especialmente nas ocasiões em que agimos como pedra de tropeço para que a vontade divina seja realizada em nossa vida e na de nossos semelhantes.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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