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Comentário ao Evangelho do 21º Domingo Comum (Jo 6,60-69) - 26/08/18

quinta-feira, 23 de agosto de 18 às 18:48

Naquele tempo, 60muitos dos discípulos de Jesus, que o escutaram, disseram: “Esta palavra é dura. Quem consegue escutá-la?” 61Sabendo que seus discípulos estavam murmurando por causa disso mesmo, Jesus perguntou: “Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subindo para onde estava antes? 63O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. 64Mas entre vós há alguns que não creem”. Jesus sabia, desde o início, quem eram os que não tinham fé e quem havia de entregá-lo. 65E acrescentou: “É por isso que vos disse: ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai”. 66A partir daquele momento, muitos discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele. 67Então, Jesus disse aos doze: “Vós também vos quereis ir embora?” 68Simão Pedro respondeu: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. 69Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o Santo de Deus”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

Comentário do Padre Guilherme


Este trecho do evangelho de João aparece como o encerramento da atividade de Jesus na Galileia. É um final que traz um aparente fracasso, porque algumas pessoas, discípulos, inclusive, não conseguiam acreditar e acabavam desistindo. No final da missão terrestre de Jesus, quando morreu na cruz, aconteceu algo semelhante: não foram muitos os que permaneceram diante da cruz sem perder a fé.


Nesta passagem, aparece, mais uma vez, ato da murmuração entre aqueles que começam a duvidar. E se eles desanimavam diante das palavras que exigiam uma postura mais radical, qual seria a reação quando vissem Jesus morrendo na cruz? Ele já havia anunciado que era através da crucificação que iniciaria seu retorno para junto do Pai, de onde tinha vindo. Somente a fé pode fazer enxergar glória na cruz. Sem fé, a cruz é apenas o instrumento de uma derrota.


Jesus fala de espírito e de carne. A carne representa o ser humano por si só, incapaz de compreender o sentido dos sinais e palavras de Jesus. O espírito é a força de vida que ilumina e abre os olhos para perceber a presença divina na Palavra de Jesus.


Para Jesus não era difícil perceber pessoas que permaneciam na superficialidade da fé, apreciando somente os milagres e curas e não se deixando penetrar pelo sentido mais profundo que Ele queria levar nessas ações. Nem seria preciso fazer uso do conhecimento que tinha na Sua divindade. Os que se impressionavam apenas com os gestos sobrenaturais em si deixavam de aproveitar e saborear o que Jesus oferecia de melhor: a esperança na salvação e a confiança na presença e ação de Deus em favor do ser humano.


Essa possibilidade de compreender o sentido verdadeiro da vida e da obra de Jesus não é dada a qualquer pessoa. É dom de Deus. Somente quem assume esse dom, vivendo uma verdadeira conversão de vida, é capaz de alcançar o que Jesus oferece.


Diante das exigências, algumas pessoas foram desistindo. Porque o caminho oferecido por Jesus exige renúncias, gratuidade, abandono do egoísmo e abertura para o dom de Deus.


A resposta de Pedro mostra a pobreza que ele e os outros discípulos tinham. Não somente a pobreza material, que já era parte da vida deles, em sua maioria pessoas simples. Mas a pobreza do desapego das coisas passageiras deste mundo. Pobreza que é exigência para que se possa contemplar a presença divina de Jesus. A partir do momento que o ser humano experimenta o amor de Deus, onde mais poderá encontrar felicidade? Que outra coisa, situação ou circunstância da vida poderá dar a alguém sentimento de completude, paz no coração, enfim, a felicidade plena que só pode ser sentida com Jesus?

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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