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Comentário ao Evangelho do 18º Domingo do Tempo Comum - (Lc 12,13-21) - 04/08/19

quinta-feira, 01 de agosto de 19 às 00:30

 

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. 14Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” 15E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”. 16E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17Ele pensava consigo mesmo: ‘O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita’. 18Então resolveu: ‘Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e fazer maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!’ 20Mas Deus lhe disse: ‘Louco! Ainda esta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?’ 21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

No tempo de Jesus era muito comum que se pedisse ajuda a pessoas que ensinavam sobre a fé, como os mestres e rabinos, para arbitrar a divisão de uma herança. Diante de um pedido que realizasse essa tarefa, Jesus recusou. Não era essa Sua missão no mundo. E aproveitou para dar um ensinamento a respeito do valor dos bens materiais, que não são garantia de vida verdadeira.

 

A parábola ensina sobre qual a riqueza deve ser buscada nesta vida. A maneira de pensar do personagem da história reflete bem o egoísmo humano: diante de uma produção excessiva da sua lavoura, não chegou sequer a cogitar a possibilidade de dividir seus excessos com alguém que passasse necessidade.

 

O que Jesus convida a pensar não é em uma renúncia total dos bens materiais, como se eles fossem impedimento para se alcançar a vida eterna. O grupo de Jesus mesmo fazia uso de bens para se manter, contando mesmo com doações de pessoas amigas. Esses bens se prestavam para que a missão pudesse ser realizada. O alerta foi para a tendência do ser humano de querer acumular, muitas vezes de forma excessiva e desnecessária, com a ilusão de que isso venha a oferecer segurança ou garantia de vida.

 

A parábola contada por Jesus pode ter inspiração em uma passagem do Antigo Testamento, que chama atenção sobre a ilusão de segurança fundada no acúmulo de bens materiais (Eclo 11,18-19). O homem da parábola, que raciocina bem no esquema do egoísmo humano, preocupa-se mais em conservar seus excessos. É capaz de empregar esforços para isso, inclusive, pensando em derrubar seus celeiros e construir maiores. A ganância e a ilusão da segurança material tornam-no cego a outras pessoas que não tiveram a mesma sorte de uma produção farta.

 

Quem se fecha aos outros também está se afastando de Deus. Por isso, é insensato. A finitude da vida surge como situação que dá sentido ao viver: de que valem os bens materiais diante da morte? Eles não são capazes de evitá-la.

 

Em uma passagem mais adiante no Evangelho de Lucas, Jesus mesmo deu o caminho do bom uso dos bens materiais: colocá-los a serviço do bem, que pode ser alcançado pela partilha solidária, sobretudo das coisas que se têm em excesso.

 

Ademais, além de alimentar e conservar o egoísmo, todo acúmulo dificulta a vida, uma vez que quem tem excesso de bens materiais precisa realizar mais esforço e trabalho para a conservação deles. Quem tem pouco, quem faz pouca conta de seus pertences materiais é mais livre. E também mais aberto para acolher as coisas relacionadas à vida espiritual.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

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