×

Conteúdo

Comentário ao Evangelho do 17º Domingo do Tempo Comum (Lc 11,1-13) - 24/07/16

quinta-feira, 21 de julho de 16 às 00:00

1Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um dos seus discípulos pediu-lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos”. 2Jesus respondeu: “Quando rezardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. 3Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação’”. 5E Jesus acrescentou: “Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: ‘Amigo, empresta-me três pães, 6porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer’, 7e se o outro responder lá de dentro: ‘Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães’; 8eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. 9Portanto, eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. 11Será que algum de vós, que é pai, se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


Comentário do Padre Guilherme

 

Este trecho do Evangelho de Lucas descreve Jesus ensinando a oração do Pai Nosso. Logo, em seguida, incentiva a confiança, que é a atitude fundamental do discípulo que reza.
A oração sempre foi para Jesus oportunidade profunda de encontro com Deus Pai. A oração do Pai Nosso, que Ele ensinou aos discípulos, tem estilo semelhante ao das orações judaicas daquele tempo. Mas traz como novidades ser bem mais simples e de ser dirigida a Deus com muito mais intimidade e liberdade.


A parte inicial da oração apresenta súplicas pela intervenção de Deus para a realização de Seu Reino. E sem nenhuma menção a qualquer triunfo político ou de poder, que geralmente fazem parte das pretensões humanas.


Depois são feitos pedidos relacionados às necessidades dos discípulos. É marcante nessa segunda parte o uso de verbos na primeira pessoa do plural “nós”. Sinal da vida em comunidade que todo aquele que se dispõe a buscar Deus no caminho de Jesus é chamado a viver.


A descrição sobre o ensinamento dessa oração chega até nós pelos relatos dos evangelistas Mateus e Lucas. A versão de Lucas é um pouco menor, traz cinco pedidos, ao invés dos sete descritos por Mateus. É impossível saber qual das duas formas é a mais antiga. E a tradução dos textos originais, escritos em grego, apresenta algumas dificuldades. Os textos foram escritos bem carregados de maneirismos judaicos de se escrever. Algumas expressões exigem conhecimento da cultura dos tempos do Antigo Testamento para que possam ser bem interpretadas.


Mas é possível, com a ajuda dos estudos teológicos interpretativos feitos pela Igreja, alcançar uma compreensão melhor do texto dessa oração, que é tão importante para nossa fé.


Logo, no início, pode-se perceber uma grande novidade de Jesus. Ele não Se dirige a Deus como a um rei divino e distante. Mas como a um pai, figura familiar e próxima do ser humano.


O primeiro pedido, sobre a santificação do nome de Deus, conforme a maneira judaica de se pensar, deve acontecer pela obediência do ser humano aos mandamentos, reconhecendo, assim, a autoridade divina. E os profetas do Antigo Testamento, falando da salvação, anunciaram que Deus iria ser santificado quando Se manifestasse a todas nações como juiz e salvador (Is 5,16; Ez 20,41; 28,22.25; 36,23; 38,16.23; 39,27).


O pedido da vinda do Reino de Deus é para que esse Reino inaugurado pelo Messias seja reconhecido por toda a terra.


Para alguns estudiosos mais antigos, o pedido do pão se relaciona à Eucaristia e à Palavra de Deus. Diferente de Mateus, em Lucas o pedido é para cada dia, ou seja, traz uma confiança na providência divina, que acompanha a humanidade no decorrer da vida.


Lucas fala de perdão pelos pecados. Mateus, perdão de dívidas. No judaísmo, a pessoa que se encontra em situação de pecado é considerada devedora perante Deus. Mais uma vez o sentido comunitário aparece. Quem pede perdão a Deus deve estar disposto também a perdoar os pecados cometidos contra si pelos demais irmãos.


O pedido final na versão de Lucas não traz explicitamente o de ser liberto do mal que aparece na versão de Mateus. Mas podemos compreender que o pedido de força para vencer as situações de tentação já traz incluído o pedido por essa libertação. Afinal, toda tentação tem origem no mal.


Depois da oração do Pai Nosso, Jesus contou uma parábola falando de oração. Na parábola, ainda que o amigo não atendesse ao pedido pela amizade, acabaria cedendo pela insistência, a fim de ter paz e poder dormir. A conclusão, apresentada pelo próprio Jesus, é que se um pai comum da terra é capaz de atender o pedido de um filho em necessidade, muito mais é capaz o Pai do céu, que ama com amor infinito. O convite da parábola é à persistência na oração e à confiança na ação de Deus, que é bom e misericordioso.

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

Notícias Relacionadas

17 jul 15
12 mar 16
12 abr 15
01 jun 17

Parceiros