×

Conteúdo

Comentário ao Evangelho do 1º Domingo da Quaresma (Mt 4,1-11) - 01/03/20

quinta-feira, 27 de fevereiro de 20 às 11:44

 

 

Naquele tempo, 1o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” 4Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. 5Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. 7Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” 8Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente a ele prestarás culto’”. 11Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

O que fica muito claro nesta passagem é que Jesus Se recusava viver um messianismo terreno. Não tinha intenção de dominar os poderes políticos do mundo. E podemos também observar que Ele teve de combater as forças do diabo desde o início de Sua missão.

 

Como forma de preparação para essa missão, por inspiração do Espírito Santo, Jesus Se isolou num lugar propício para a meditação e oração pessoal: o deserto. Local onde não havia nada que pudesse distrair a atenção e que convidava à reflexão. Assim como nos dias atuais, o jejum era prática comum na religião daquele tempo. Um exercício de autocontrole e favorável à interiorização.

 

O fato de Jesus sofrer tentações nesse lugar é significativo. Também o povo de Israel foi provado no deserto, enquanto caminhava para a terra prometida.

 

O inimigo começa sua fala usando algo que havia sido dito no batismo, que Jesus é o Filho de Deus. Foi como se o diabo dissesse: “se isso é verdade” ou “prove-me que isso é verdade”.

 

Chama atenção também o fato de Jesus não estabelecer qualquer forma de diálogo com o tentador. As respostas de Jesus eram sempre passagens da Escritura que derrubavam os argumentos do inimigo (Dt 8,3, 6,13 e 6,16).

 

Inicialmente, a tentação se relacionava a uma necessidade mais básica: fome. Jesus respondeu com uma citação da Escritura. Na segunda fala, o tentador argumentou também a partir da Escritura, mas com uma interpretação interesseira da proteção divina. Jesus respondeu com outra passagem que corrigia a interpretação deturpada. A proteção divina para os que O seguem não é uma resposta aos que a invocam como garantia de fé.

 

Na terceira tentação, o inimigo ofereceu algo que afirmava possuir: poder político sobre os reinos da terra, com a condição que Jesus o adorasse. Mais uma vez a resposta veio da Escritura.

 

Vendo que não teria sucesso ali, o diabo se afastou para voltar depois. O tempo oportuno de sua volta foi às vésperas da Paixão, durante a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. Situação onde novamente foi vencido. Nesta passagem das tentações no deserto, pode-se ver como que uma antecipação da vitória de Jesus sobre os planos diabólicos.

 

Os quarenta dias e noites de jejum e retiro espiritual de Jesus fazem lembrar outros períodos de purificação descritos no Antigo Testamento: Moisés no alto do monte (Ex 34,28; Dt 9,9.18), o povo de Israel no deserto (Nm 14,34), a caminhada de Elias (1Rs 19,8).

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

Notícias Relacionadas

26 dez 14
08 jan 16
27 mar 20
14 set 16

Parceiros