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Paróquia Sagrada Família - Divinópolis

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Padre, deixe a Liturgia falar!

segunda-feira, 06 de fevereiro de 17 às 00:00 | Atualizado às 16:13
Padre, deixe a Liturgia falar!

Tive uma oportunidade singular...participando de um curso de pós graduação  em São Paulo, pude participar da eucaristia presidida por outro padre...oportunidade rara...porque na regra sou eu que ocupo o lugar da presidência...foi muito bom para que eu pudesse avaliar o modo como eu exerço este ministério...à noite, antes de dormir, fiquei pensando em tudo que vivi e experimentei naquela liturgia...me lembrei deste pequeno texto de uma grande liturgista...compartilho o mesmo. (Padre Carlos Henrique Alves)

 

PADRE, DEIXE A LITURGIA FALAR!
Ione Buyst

 

Há alguns meses atrás, participei de uma missa e fiquei agradavelmente surpresa com a maneira de o padre presidir, concentrando-se em seu papel de presidência, sem interromper a toda hora a ação ritual com explicações ou introduções, ‘homiliazinhas’, brincadeiras, ou reclamações, como tantas vezes se vê por aí, banalizando a liturgia, impedindo o mergulho no mistério celebrado. Depois da missa, fui agradecer pelo momento espiritual simples e profundo que nos havia proporcionado. E ele respondeu: “Aprendi com uma comunidade religiosa da qual fui capelão. Um certo dia, me chamaram e disseram: Padre, não fale. Deixe a liturgia falar!”


Deixe a liturgia falar! Entre no seu ritmo ritual, dialogal! Não interrompa o diálogo da Aliança entre a comunidade e o seu Senhor. Sinta-se incorporado na assembléia, como parte dela, em toda simplicidade e autenticidade, objetivamente, tranqüilamente, sem autoritarismo e sem se preocupar em ‘agradar’ ou ‘motivar’ a ‘plateia’ e ser aceito por ela.


Assuma o papel da presidência de uma comunidade, orante, ouvinte, cantante…, celebrando com ela e não para a mesma. Deixe que a pessoa do Cristo transpareça por você, lembrando as palavras de João Batista: É necessário que ele cresça e que eu diminua… (Cf. Jo 3, 30). O momento é sagrado! A ação é decisiva para nossa vida. Estamos em contato com a seiva de nossas raízes, estamos sorvendo o sentido de nossa vida e de nossa morte, de nossos amores e desamores, de nossos empenhos, êxitos e fracassos… Estamos diante do Senhor, para sermos transformados/as ‘pascalmente’ por seu Espírito.


Acredite profundamente naquilo que está realizando. Aprenda de cor os pequenos diálogos que fará com a assembléia, como a saudação inicial, a introdução ao evangelho, o diálogo inicial do prefácio, o convite à oração do pai-nosso, a apresentação do pão e do vinho eucaristizados, a bênção final…


Não leia orações; mas ore, de verdade, ainda que use as palavras prescritas no missal. Não copie sua homilia da internet ou de algum subsídio, mas tome seu tempo para debruçar-se sobre as leituras bíblicas, procurando qual a Palavra viva do Senhor hoje para esta comunidade (da qual você faz parte!); não faça da homilia um discurso, mas uma conversa familiar em tom pessoal.


Não corra durante a oração eucarística, recitando-a de uma forma impessoal, numa corrida desenfreada a ‘cento e vinte por hora’, como se não tivesse valor nenhum, como se não fosse um diálogo com o Pai!  Não destaque de repente as palavras da narrativa da última ceia, mudando o ritmo e o tom de voz, como se somente estas palavras valessem a pena a serem proclamadas e ouvidas. E lembre-se de que não se trata de uma fala dirigida à assembleia, mas ao Pai, lembrando o que seu querido Filho nos mandou fazer!
Não descuide dos preciosos silêncios previstos no decorrer da ação litúrgica, como um dos elementos essenciais para podermos descer até o fundo do coração e ouvir aí a voz do Pai. Deixe-se ‘contaminar’ pela fé e o fervor da comunidade. Sintonize com o Sopro de Deus, o Sopro de Jesus, o Espírito Santo, que ora e canta em você e em toda a comunidade. Ele nos une, a todos e todas, num só corpo e num só Espírito.


Tudo o que foi dito até agora certamente vale também para os outros ministérios litúrgicos: por favor, não interrompam a ação litúrgica com comandos e explicações; deixem a liturgia falar por si.

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