Comentário ao Evangelho do 4º Domingo da Quaresma (Jo 3,14-21) – 11/03/18

Sexta-feira, 9 de março de 2018 às 7h 45  - Atualizado às 21h 09

Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: 14“Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, 15para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê, não é condenado, mas, quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito. 19Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. 20Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. 21Mas, quem age conforme a verdade, aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

Comentário do Padre Guilherme

 

 

Os temas principais desta passagem são dois: sinal e crença. O discurso de Jesus fala de duas questões conflitantes: 1- a revelação de Deus (sinal); 2- a incapacidade de compreender (crer) do ser humano. Deus apresenta um sinal (Jesus). E, ao ser humano, resta oferecer uma resposta decisiva a esse sinal, que pode ser ou sim ou não.
Nos tempos do Antigo Testamento, ocorreu um episódio onde, no deserto, as pessoas eram atacadas por serpentes venenosas. Diante daquilo, Moisés rezou ao Senhor. Foi inspirado a erguer num poste uma serpente feita de bronze. Todas as pessoas que fossem mordidas, olhando para essa serpente de bronze viveriam (Nm 21,6-9).
De modo semelhante, Jesus levantado na cruz, na Sua morte redentora, é ocasião de salvação para todas as pessoas que, muitas vezes, se encontrem como que num deserto (situações de provação).


A condição exigida para se alcançar o bem que é trazido de Deus aos homens, através de Jesus, é unicamente a fé. É preciso acreditar porque a fé é condição para a salvação. Com Jesus, crer ou não crer passa a ser o critério de julgamento para se alcançar ou não a salvação.


Interessante é o fato de o evangelista dizer no versículo18 que se deve acreditar no nome de Jesus. O nome “Jesus” tem o significado “Deus salva”. Designa, assim, qual a ação que a pessoa do Filho de Deus realiza. É necessário acreditar que Deus realiza a salvação do ser humano através de Seu Filho Jesus Cristo.


Acolher ou rejeitar a fé que em Jesus está salvação dos homens é o que pode determinar uma divisão entre a humanidade. Há os que creem e os que não creem.


Normalmente, quem está acostumado à prática de ações ruins não se sente muito à vontade diante da luz, ou seja, do que é bom, das ações boas. Porque sente medo que o mal que comete seja percebido pelas outras pessoas. No fundo, quem vive fazendo o mal sabe que não está certo e sente temor de ser descoberto.


Fazer o bem é já caminhar nesta vida em certa comunhão com Deus, que é o que se espera para a vida eterna, no encontro definitivo com o Senhor.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.