Comentário ao Evangelho do 30º Domingo do Tempo Comum (Mt 22,34-40) - 29/10/17

Sexta-feira, 27 de outubro de 2017 às 7h 52  - Atualizado às 14h 41

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” 37Jesus respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”.

 

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 



Comentário do Padre Guilherme

 

Nessa passagem, vemos, mais uma vez, que os fariseus tentaram entrar em conflito com Jesus. Mateus vai descrevendo no evangelho que a perseguição dos mestres da lei em relação a Jesus foi aumentando, cada vez mais.


E por mais que eles armassem ciladas com o objetivo de ter motivos para poder denunciar Jesus (e aqui, Mateus deixou isso bem claro, quando disse que um dos fariseus, após ter se reunido com seu grupo para combinar, fez a pergunta a Jesus “para experimentá-lo” – conforme o versículo 35), todas as vezes essas ciladas não alcançavam êxito. Jesus, em Sua sabedoria, dava respostas que deixavam os fariseus confusos e sem saber o que pensar. Na verdade, Jesus mostrava estar muito mais a favor da lei religiosa que os próprios fariseus, que se julgavam perfeitos cumpridores dessa lei.


Foi essa série de conflitos que acabou causando a morte de Jesus. Não tendo como calá-Lo, porque Suas palavras eram certas e mostravam como as autoridades judaicas viviam de forma errada, o grupo dos que dominavam os poderes político-religiosos resolveram eliminar Jesus antes que os Seus ensinamentos originassem alguma revolta que os fizesse perder esse poder.


Esta passagem do Evangelho apresenta uma dessas discussões onde os fariseus perderam na argumentação.


Os debates sobre qual seria o mandamento mais importante eram muito comuns para o povo de Israel daquele tempo. Como existiam muitos mandamentos religiosos, as pessoas se preocupavam em saber qual deles seria o mais importante. Porque, a partir desse mandamento, seria mais fácil entender o sentido dos outros que seriam dependentes dele.


O povo de Israel acreditava em uma coisa que chamava de “Aliança de Deus com os homens”. Essa aliança era uma vontade de caminhar e permanecer junto, que aquele povo (e nós também) acreditava partir de Deus. Ele é bom, amoroso e quer ser companheiro do Seu povo.


Na maneira de entender dos israelitas, com o objetivo de que a Aliança se tornasse realidade, Deus havia entregue ao povo os mandamentos, que eram regras de como viver. E tinha que existir um mandamento que fosse o mandamento fundamental. Por esse mandamento ser o mais importante, como dito antes, iria influenciar os outros mandamentos.
Por exemplo, o mandamento que dizia: “Não terás outro deus diante de Mim” (Ex 20,3; Dt 5,7) já fazia pensar num princípio importante da fé desse povo: o monoteísmo, ou seja, a existência de um só deus.


Conforme as situações, o jeito que a vida ia tomando, um ou outro dos mandamentos passava a ser considerado o primeiro mandamento, o mais importante, o fundamental. Mas isso não era uma questão resolvida definitivamente. Os mestres da lei e as pessoas interessadas viviam debatendo sobre isso.


Só que os fariseus resolveram levar essa discussão até Jesus para ver se a opinião d’Ele não entrava em contradição com a maioria das opiniões da época. Assim, teriam um motivo para acusar Jesus.


Mas a resposta de Jesus não servia de motivo para eles ficarem contra. Porque Jesus apresentou o mais importante dos mandamentos, que é o de amar a Deus. Eles não podiam discordar disso. Depois, Jesus apresenta um segundo mandamento e dá a esse segundo uma importância igual à do primeiro: amar o próximo como a si mesmo.


Ou seja, Jesus chamou a atenção dos fariseus: Como é possível amar a Deus sem amar a si e ao semelhante? De que adianta alguém amar a Deus se não amar o irmão? Os fariseus devotavam muito amor a Deus, mas nem tanto assim aos semelhantes. Na verdade, eles perseguiam os que não eram do seu grupo. Estavam fazendo exatamente isso ao perseguirem Jesus. Mal sabiam eles que, pior ainda, além de estarem perseguindo um semelhante, esse semelhante era o próprio Deus que eles diziam amar tanto... Porque se Jesus é o Filho de Deus, é também Deus. Jesus mostrou indiretamente aos fariseus que eles não praticavam o que estavam pregando.


Pensando na vida de hoje em dia, é possível entender que Jesus tinha mesmo razão. Quem se esforçar por cumprir esses dois mandamentos (amar a Deus e ao irmão), irá cumprir todos os demais preceitos religiosos: viverá a misericórdia, a caridade, enfim, o amor de forma geral.


Essa “receita de vida” que Jesus deu pode ser aplicada em todas as situações da nossa vida. Por exemplo: Ao falar tal coisa, estou amando Deus e o semelhante? Ao agir de tal maneira em minha casa, estou amando Deus e o irmão? Ao realizar meu trabalho de determinada maneira... Ao fazer tal comentário... Em tudo é possível verificar se há amor de nossa parte a Deus e ao irmão. Se houver, estaremos guiando nossa vida na lei de Deus.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é vigário paroquial na Paróquia de N. Sra. do Carmo, em Carmo do Cajuru. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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