Comentário ao Evangelho do 27º Domingo da Tempo Comum (Mt 21,33-43) - 08/10/17

Sexta-feira, 6 de outubro de 2017 às 0h 09  - Atualizado às 15h 03

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: 33“Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?” 41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”. 42Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?’ 43Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

Comentário do Padre Guilherme

 

No tempo de Jesus, muitos lugares da região montanhosa da Galileia pertenciam a pessoas ricas estrangeiras, que alugavam suas propriedades para agricultores do lugar. A parábola que Jesus conta fala de uma situação bem conhecida daquelas pessoas. Esse fato dos contratados matarem o proprietário ou os seus representantes também era bem possível de acontecer porque, conforme as leis sobre herança daquele tempo, se o dono de um sítio morresse, esse sítio passaria a pertencer à primeira pessoa que o ocupasse.
O ponto mais marcante da parábola é a morte do filho do proprietário. Esse filho foi enviado como a tentativa mais forte para a recuperação dos fruto da plantação. E é nesse filho que se encontra o mais profundo para a reflexão que Jesus quer apresentar.


Jesus está falando sobre o seu fim, pois ia ser assassinado injustamente. E os responsáveis pela sua morte seriam justamente os que se consideravam encarregados de conduzir o povo para as coisas de Deus. O filho assassinado da parábola anuncia o fim trágico de Jesus. E é assassinado por pessoas que têm medo de perder algo que conquistaram injustamente, que dominam com interesses egoístas.


Jesus também está mostrando que tem plena consciência de que é o enviado de Deus. E que aqueles que não O recebiam e, tramando contra Ele, O perseguiam, sofreriam consequências.


Certamente essa parábola foi contada já na última fase da vida de Jesus. Era o tempo em que os responsáveis pelo povo o odiavam, cada vez mais, e, por isso, já começavam a sentir vontade de matá-Lo.


Essa parábola mostra, de maneira discreta, o mistério da pessoa de Jesus e da Sua missão: Foi enviado por Deus como última e definitiva possibilidade de salvação para o povo de Israel. Foi rejeitado e levado à morte por aqueles que não acreditaram Nele. O messianismo de Jesus é um messianismo de morte.


Jesus cita um trecho do salmo 118, ao dizer que “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos”. Alguém que não foi reconhecido passou a ser o fundamento de uma instituição, que é a Igreja. E isso foi realizado por Deus. Deus glorificou, de maneira admirável, na ressurreição, aquele Jesus que os judeus rejeitaram e levaram à morte injusta.


Jesus pergunta aos sumos sacerdotes e os anciãos qual seria a consequência da ação dos vinhateiros e eles mesmos dão a resposta da condenação de quem não recebe de maneira justa aquele que o proprietário enviou: a morte e a perda da vinha, que seria entregue a outros que agiriam de forma justa.


O que essa parábola nos ensina é que quem não tem consideração por Jesus não pode querer ser considerado por Deus.


Os servos que foram de tempos em tempos para receber os frutos da vinha são uma referência clara aos profetas dos tempos do Antigo Testamento que, muitas vezes, não foram bem recebidos. A história da salvação é cheia de situações em que os enviados por Deus não são recebidos. E Jesus não é apenas mais um dos profetas, mas o próprio Filho de Deus. Em Jesus está o gesto extremo de Deus para salvar a humanidade. O povo que não O recebeu e, pior ainda, O levou a uma morte injusta, não merecerá mais ser o Povo de Deus. No seu lugar entra, então, a Igreja, a comunidade daqueles que seguem Jesus.


A parábola fala que é a um novo povo que o Reino de Deus será entregue: o povo que segue o Filho de Deus enviado ao mundo. Esse povo tem uma responsabilidade: ser Povo de Deus, produzindo frutos.


Assim como o proprietário na parábola, Deus construiu o mundo com amor e entregou aos cuidados do ser humano. O ser humano, no egoísmo, na falta de fé e no apego aos bens materiais, rejeita o amor de Deus, de muitas formas. Ainda, hoje, Jesus é rejeitado por muitos. Pessoas que se dizem cristãs, inclusive. Somos chamados por esta parábola a pensarmos em quais situações rejeitamos Jesus em nossas vidas.


Devemos assumir nossa responsabilidade de seguidores de Jesus Cristo. E vivermos, na prática, o que professamos como fé. Não podemos correr o risco de deixar para depois, até porque nem sabemos se haverá o depois. A conversão é uma urgência de hoje na nossa vida.

 


Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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