Comentário ao Evangelho do 26º Domingo da Tempo Comum (Mt 21,28-32) - 01/10/17

Sexta-feira, 29 de setembro de 2017 às 0h 06  - Atualizado às 20h 23

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do Pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade eu vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 

Comentário do Padre Guilherme

 

 

Esta parábola foi contada aos sacerdotes e anciãos do povo. Eram pessoas que se esforçavam por observar os preceitos da religião e procuravam seguir, à risca, as normas e leis. Mas tinham dificuldades em enxergar Jesus como o Messias. Estavam tão preocupados com os rituais e práticas religiosas que não podiam acreditar que aquele homem simples e pobre, saído do meio do povo, trazendo um ensinamento diferente do que eles esperavam, pudesse ser o Salvador enviado por Deus.


Por outro lado, os cobradores de impostos, as prostitutas e demais pessoas consideradas indignas na sociedade tinham muito mais facilidade em ouvir e aceitar o que Jesus anunciava.


A parábola é um convite à reflexão a partir de dois tipos de resposta: Dizer sim somente pela palavra e não agir. Ou agir mesmo antes tendo negado. A obediência se realiza muito mais pelas ações que pelas palavras, que podem não ser sinceras.


Jesus colocou esses ouvintes contra eles mesmos, porque não agiam em conformidade com o que professavam. Vangloriavam-se de serem seguidores de Deus e realizavam cultos cheios de pompas para reafirmarem isso. Mas suas atitudes contrariavam.


Observar os preceitos religiosos rejeitando Jesus é o mesmo que dizer sim com a palavra e dizer não com a prática. Os excluídos, ainda que dissessem não a Deus com seus pecados, pela facilidade com que acolhiam o que vinha de Jesus, já começavam a percorrer um caminho que os levaria a dizer sim com a vida muito mais que os sacerdotes e anciãos do povo, que viviam mais uma religião de aparências.


A obediência a Deus se traduz na fé em Jesus. Não existe outro caminho de salvação. A obra salvadora de Deus começou a ser preparada já antes do nascimento de Jesus, pela palavra dos profetas. João Batista foi o último deles a preparar o caminho para a missão do Salvador. Quem, portanto, recusasse o Batista já estava começando a recusar Jesus.


Os sacerdotes e anciãos se ocupavam tanto com as práticas rituais, as normas e leis religiosas que não conseguiram se abrir à novidade de Jesus. Já, os excluídos, até porque quase nada tinham, conseguiam se abrir a esse anúncio novo, com mais facilidade.


Esta passagem nos ensina que devemos abrir mão das seguranças ilusórias desta vida. O apego às coisas passageiras e menos necessárias, que, muitas vezes, deixamos tomar conta da nossa vida de fé, impede que consigamos penetrar na lógica do amor e salvação anunciados por Jesus.


A partir dessa parábola, somos levados a examinar, com nossa consciência, qual tem sido nossa reposta, por palavras e ações, ao convite de Deus a cada um de nós.

 

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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