Comentário ao Evangelho do 24º Domingo da Tempo Comum (Mt 18,21-35) - 17/09/17

Quinta-feira, 14 de setembro de 2017 às 9h 59

Naquele tempo, 21Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?” 22Jesus respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. 23Porque o Reino dos Céus é como um rei que resolveu acertar as contas com seus empregados. 24Quando começou o acerto, levaram-lhe um que lhe devia uma enorme fortuna. 25Como o empregado não tivesse com que pagar, o patrão mandou que fosse vendido como escravo, junto com a mulher e os filhos e tudo o que possuía, para que pagasse a dívida. 26O empregado, porém, caiu aos pés do patrão e, prostrado, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei tudo!’ 27Diante disso, o patrão teve compaixão, soltou o empregado e perdoou-lhe a dívida. 28Ao sair dali, aquele empregado encontrou um de seus companheiros que lhe devia apenas cem moedas. Ele o agarrou e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Paga o que me deves’. 29O companheiro, caindo aos seus pés, suplicava: ‘Dá-me um prazo, e eu te pagarei!’ 30Mas o empregado não quis saber disso. Saiu e mandou jogá-lo na prisão, até que pagasse o que devia. 31Vendo o que havia acontecido, os outros empregados ficaram muito tristes, procuraram o patrão e lhe contaram tudo. 32Então o patrão mandou chamá-lo e lhe disse: ‘Empregado perverso, eu te perdoei toda a tua dívida, porque tu me suplicaste. 33Não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, como eu tive compaixão de ti?’ 34O patrão indignou-se e mandou entregar aquele empregado aos torturadores, até que pagasse toda a sua dívida. 35É assim que o meu Pai que está nos céus fará convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão”.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 


Comentário do Padre Guilherme

 

 

Nesta passagem, Jesus continua ensinando sobre a convivência entre as pessoas. Apresentou na parábola a ideia de que cada um dispense para seus semelhantes um tratamento que seja igual ao que desejaria receber deles e também do Criador.


A resposta à pergunta de Pedro, recomendando setenta vezes sete como o número de vezes que se deveria perdoar, é muito representativa na cultura daquele tempo, porque indica um número indefinido, ilimitado.


Em seguida, Jesus contou a parábola, que convida cada um a se colocar no lugar de quem esteja em situação inferior. E assim, usar de misericórdia. O perdão sem medida que Deus concede é colocado em contraposição ao espírito vingativo que costuma tomar conta das pessoas. Esse perdão generoso deve ser uma característica da comunidade cristã em suas relações, principalmente as internas.


Na parábola, o primeiro empregado devia uma quantia enorme, talvez impossível de ser paga. Já o colega deste empregado devia uma quantia bem menor. A desproporção entra as dívidas é colocada em destaque. Jesus demonstra a grande diferença que existe entre a capacidade de perdoar de Deus e do ser humano. Se seguimos um Deus que é infinito em misericórdia, não deveríamos nos esquivar de agir também com misericórdia em relação aos nossos semelhantes. Esta é uma das ideias fortes presente na oração do Pai Nosso.


Como a dívida do empregado do rei era bem alta, pode-se entender que era alguém que ocupava algum cargo importante, talvez a administração de uma porção do reino. E, pelo desespero diante da cobrança, o mais provável é que nunca conseguiria restituir essa dívida. Suas palavras de súplica são de desespero diante da condenação. Aí aconteceu o que não se poderia prever: o rei perdoou toda a dívida. Esse empregado se viu salvo da situação difícil.


Logo em seguida, ao encontrar um companheiro que lhe devia uma quantia pequena, exigiu o pagamento e nem deu atenção a uma súplica igual a que ele mesmo tinha dirigido ao seu rei. O que torna sua atitude ainda mais feia é justamente o fato de que esta dívida poderia ser paga com mais facilidade, era uma quantia menor. Mas ele nem deu atenção a isso e mandou o devedor para a prisão.


A consequência é que este empregado perdeu a possibilidade da misericórdia por não ter destinado ao semelhante o mesmo tratamento que recebeu de seu rei.


O que Jesus quis mostrar com esta parábola é que a experiência da misericórdia divina deve nos levar a exercer essa misericórdia também em relação aos outros. Quem é destinatário da misericórdia passa a estar comprometido com ela, no sentido de também exercê-la.


Deus, representado na parábola pelo rei, é misericordioso mas também exigente. Somente pelo dom de Deus podemos alcançar perdão para nossos pecados. E é preciso assumir a misericórdia como regra de vida, caso contrário, não há como querer ser alcançado pela misericórdia divina.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

Publicidade