Comentário ao Evangelho do 4º Domingo da Quaresma (Jo 9,1.6-9.13-17.34-38) - 26/03/17

Sexta-feira, 24 de março de 2017 às 2h 00  - Atualizado às 9h 49

Padre Guilherme é Administrador Paroquial da Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira.

Naquele tempo, 1ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 6E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. 8Os vizinhos e os que costumavam ver o cego – pois ele era mendigo – diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” 9Uns diziam “Sim é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!” 13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre os meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!” 16Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?” 17E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, o que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”. 34Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade. 35Jesus, soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” 37Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: 38“Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus.

 

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.

 

 


Comentário do Padre Guilherme

 

Nesta passagem do Evangelho de João, a cura da cegueira é descrita em poucas palavras. Porque o mais importante não é tanto o milagre, mas a discussão que ele faz acontecer.


A ação de Jesus deixou todos desconcertados. O homem que era cego passou a enxergar. E, por incrível que pareça, as outras pessoas, cujos olhos funcionavam perfeitamente, tiveram grande dificuldade para “enxergar” o que havia acontecido. Não conseguiam conceber que um milagre havia ocorrido porque não se abriam para entender quem Jesus era. Ficavam presos na preocupação com a lei do sábado.


De início, os fariseus pareciam até aceitar o fato da cura, ainda que permanecessem divididos a respeito de quem Jesus era. Depois, prevaleceu a opinião dos que eram contra Jesus, independente d’Ele ter realizado um verdadeiro milagre, o qual não tinha como ser negado.


Por mais que o milagre fosse uma realidade, o fechamento dos olhos dos fariseus os impedia de aceitar que a ação de Jesus vinha de Deus. Vemos acontecer um caminho de ver o milagre e depois negar que fosse algo vindo de Deus.


Já, o homem que era cego, percorreu um caminho diferente: se antes ele não enxergava, depois do milagre encontrou certeza para se colocar em atitude de acolhida em relação a Jesus quando soube que Ele era o Filho do Homem, o Messias esperado.


É possível perceber dois ensinamentos nesta passagem. Primeiro, na atitude das pessoas que contemplaram o fato. Por mais que vissem, seu fechamento em si mesmos os impedia de perceber a ação divina através de Jesus. Assim, acontece também na vida, se nos deixamos levar por aquilo que pode desviar nossa atenção das coisas espirituais, as coisas de Deus. Foge a capacidade de perceber a presença de Jesus. E é possível até negar Sua ação, mesmo quando Ele está agindo de forma evidente.


O segundo ensinamento é a partir do que aconteceu com o cego. Muitas vezes não enxergamos a ação divina em nossa vida. Mas Jesus vem em socorro. Na passagem, a iniciativa da cura partiu de Jesus. Ele fez a cura e deu as instruções do que fazer. Quando o ser humano obedece, tem a visão espiritual, de fé, ampliada. A ponto de, como o cego curado, ter condições de reconhecer Jesus como Salvador. E também de se colocar em atitude de acolhida e adoração.

 

Padre Guilherme da Silveira Machado é administrador paroquial na Paróquia de São Sebastião, em Leandro Ferreira. Apresenta os programas Caminhada na Fé, toda sexta-feira, às 14 horas, na Rádio Divinópolis AM 720 e Momento Mariano, aos domingos, ao meio-dia, na Rádio Santana FM 96,9.

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