Homilia para a Ordenação Diaconal dos Seminaristas Alex, Anderson e Elder

Segunda-feira, 3 de setembro de 2018 às 13h 02  - Atualizado às 13h 05

HOMILIA PARA A ORDENAÇÃO DIACONAL DOS SEMINARISTAS ALEX CRISTIANO DOS SANTOS, ANDERSON NUNES E ELDER ALVES DINIZ


Catedral Diocesana, 17 de agosto de 2018 / Dom José Carlos Campos


(Textos: Gl 5,1.13-18; Sl 112; Mt 20,25b-28)


A vocação nasce na família: mês vocacional (desde 1981, 37 anos), semana nacional da família (desde 1991, 27 anos), 9º encontro mundial das famílias (Dublin/Irlanda, 25 e 26 de agosto), nos dias entre a celebração da vocação à vida familiar responsável (2º domingo de agosto) e à vida consagrada e religiosa (3º domingo).


Temos diante de nós três belas famílias, três vocações maduras e buriladas pela idade, pela vida e pelo processo formativo e três belas respostas ao chamamento do Senhor para cuidar da grande família da Igreja e dos três tesouros confiados aos diáconos: o altar do sacrifício eucarístico, a Palavra fecunda e sempre atual de Deus e os pobres e vulneráveis do caminho.


Que o serviço do altar e daqueles sacramentos que vocês poderão presidir, caros diáconos, santifique os que forem conduzidos por vocês aos mistérios de Deus. Sejam mistagogos e não meros celebrantes ou assistentes. Que o múnus de pregadores da Palavra os torne, antes dos demais irmãos, em homens em cuja vida a Palavra se encarnou. Recordem-se no caminho da missão daquilo que em breve ouvirão: “Recebe o evangelho de Cristo, do qual foste constituído mensageiro; transforma em fé viva o que leres, ensina aquilo que creres e procura realizar o que ensinares!” Sejam homens da Palavra e de palavra, homens formatados por Jesus, a Palavra do Pai, o Verbo da vida e da verdade. Que o zelo pelos pobres e vulneráveis do caminho os torne amigos dos preferidos e amigos de Deus, isto é, os pequenos da terra, os pobres no espírito! Destes três ofícios, este último vai identifica-los como servos e amigos Deus mais que os dois primeiros.


Lembrem-se de suas famílias simples e modestas para nunca se esqueceram dos pobres aos quais o ministério diaconal os envia prioritariamente, e que o Altar e a Palavra fecundem seus corações para este ofício do cuidado e da misericórdia para com os pequenos.


Obrigado, queridas famílias destes três irmãos! Que Deus responda com graças e cuidados sobre vocês pela oferta generosa de seus membros queridos para o serviço da Igreja! Que o exemplo destas três famílias alimente em outras o desejo de colaborar com Deus no fomento das vocações sacerdotais, religiosas e consagradas. Que as famílias sejam lugar que prepara a escuta e a resposta humana ao Deus que chama e que, para isso, as famílias sejam verdadeiras Igrejas domésticas, como ensina o Concílio Vaticano II, verdadeiras casas de oração, verdadeiros espaços de devoção e de fé, vividas na intimidade do lar e na fecundidade das comunidades de fé onde as famílias estão inseridas.


Aprender a servir como Cristo: no evangelho de hoje aprendemos que o maior serve, o primeiro é escravo e que Cristo veio para servir e dar a vida pela vida dos outros.

 

Aprendemos que Cristo é a medida, o exemplo, o modelo de todo ministro da Igreja e de todo batizado. Se todos os leigos e leigas, se todos os batizados precisam identificar-se a Cristo, revestir-se de Cristo, ser nele criaturas novas e salvas, esta missão e dever cabem primeiramente a nós, àqueles que fomos colocados no meio, à frente ou atrás do rebanho como pastores dele. Na graça conferida pelo primeiro grau do sacramento da Ordem, que é o diaconato, vocês, caros Alex, Anderson e Elder, e nós os presbíteros e bispo, somos ou devemos ser os mais aplicados neste movimento de conversão do nosso coração humano ao coração do Cristo servidor e escravo. Devemos, como pastores, ser capazes, em medida exemplar e imitável, de dar nossa vida, nosso corpo, nosso tempo, nossa fé, nosso ministério pela vida, pela santificação e pela salvação das vidas confiadas ao nosso ofício de cuidadores do rebanho de Deus. Que nosso ministério não seja tirania religiosa nem pretexto para abuso de poder, mas expressão de serviço humilde, de diálogo fecundo e de cuidado solícito.


Diaconato como ofício de amor (amoris officium, como ensina Agostinho) na força do Espírito (fazei-vos servos uns dos outros pelo amor, guiados pelo Espírito, como escolheram como lema): na prece de ordenação, daqui a pouco, pediremos que o Espírito Santo fortaleça os futuros diáconos com os sete dons da sua graça a fim de exercerem com fidelidade o ministério diaconal, e resplandeçam neles as virtudes evangélicas do amor sincero, do zelo pelos enfermos e pobres, da autoridade discreta, da simplicidade de coração e possam cultivar uma vida segundo o Espírito, e não segundo a carne como adverte Paulo hoje.


Lembrem-se, caros diáconos, das palavras que hoje serão pronunciadas sobre suas vidas: brilhem em sua conduta os mandamentos de Deus (toda a lei se resume neste único mandamento: amarás o teu próximo como a ti mesmo!), que o exemplo de suas vidas desperte no povo o desejo de os imitar, e de consciência reta permaneçam firmes e estáveis em Cristo. Assim, imitando na terra e na missão a Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir, possam um dia vê-lo e serem acolhidos por ele no reino da glória. Estas palavras, em breve, vão dar novo sentido e nova configuração a suas vidas, colocando em vocês uma marca indelével. Não se esqueçam jamais destas palavras primordiais que põem início ao ministério diaconal de vocês!


“É para a liberdade que Cristo nos libertou”, nos ensinou Paulo. Na liberdade amadurecida pela graça e pelo processo de formação, cada um dos três escolhe hoje não só ser diácono, mas, com empenho e perfeição superiores aos demais batizados, cada um escolhe ser de Cristo, ser como Cristo, ser servo, ser ungido para participar do ministério de Cristo. Nós, os diáconos, presbíteros e bispos, com coração indiviso e oferente, somos chamados a deixar-nos guiar pelo Espírito, superando as manias, as obscuridades e inclinações da carne pela docilidade e abertura ao poder do Espírito, invocado sobre nós nos graus do sacramento da Ordem.


À sombra de Maria, da Piedade, de Nazaré e da Guia, sob cujo olhar cada um dos três cresceu, conheceu e amou a Deus, e ouviu seu chamado ora respondido, possam os três como a Virgem Assunta ao céu, percorrer doravante o caminho do serviço humilde, com coração pequeno e confiante no Senhor que realiza maravilhas nas vidas que se fazem pequenas. Amém.

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